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Presidente do Líbano: “Jesus é o primeiro rebelde na história e provavelmente o único”

Antoine Mekari - Aleteia

Tony Assaf - publicado em 28/03/17

Entrevista exclusiva da Aleteia com o presidente Michel Aoun

Em sua residência em Roma, Aleteia teve o privilégio de conhecer o presidente da República do Líbano, o general Michel Aoun, que chegou à cidade acompanhado por sua família para uma visita oficial ao Papa Francisco.

Aoun participou na quinta-feira, dia 16/03, de uma missa na igreja de San Maron (paróquia maronita em Roma) presidida pelo vigário patriarcal na Santa Sé, Dom François Eid, e concelebrada pelo bispo coadjutor e capelão da missão da Igreja maronita de Roma, monsenhor Gebran Tony, um grupo de cardeais, bispos e sacerdotes. A celebração também contou com o encarregado dos assuntos do Líbano no Vaticano, Albert Samaha, o encarregado de negócios da Embaixada do Líbano na Itália, Karim el-Khalil, e mais de 25 embaixadores acreditados na Santa Sé e vários residentes libaneses na Itália.

A comissão da paróquia ofereceu ao Presidente Aoun uma estátua de San Maron e, por sua vez, Aoun presenteou a paróquia com um ícone do mesmo santo. Foi ainda organizada em homenagem ao presidente e ao público uma recepção imediatamente após a missa.

Em nossa entrevista com o Presidente da República, conversamos sobre questões religiosas, sociais e políticas de seu país.

Aleteia: Senhor Presidente, seu encontro com o Papa ocorre no momento em que o mundo necessita de diálogo e uma mensagem de amor. E considerando que “o Líbano é uma mensagem”, de acordo com o falecido Papa João Paulo II, o senhor acha que o Líbano vai desempenhar o papel de ser uma mensagem do Oriente Médio e do mundo, um exemplo de uma nova filosofia de diálogo no mundo? O Papa Francisco lhe pediu para desempenhar um papel específico nesta área?

Presidente Aoun: Certamente o Líbano é a convergência de comunidades e grupos étnicos, a sua estrutura humana representa todas as comunidades muçulmanas e cristãs que vivem em harmonia e em um ambiente de respeito à liberdade religiosa e ao direito de discordar com os outros. Tudo isso é prova de que se trata de um sofisticado modelo desde a conquista muçulmana até a atualidade.

Claro que o Líbano passou por etapas históricas negativas, não na época dos árabes, mas na dos reinos e mais tarde na dos otomanos. Entretanto, durante o restante do tempo, os cristãos libaneses e cristãos do Oriente participaram no desenvolvimento da civilização com os muçulmanos, tal e como aconteceu na época dos califados Omíada e Abássida, mas também é certo que na dos reinos houve grandes problemas.

Aleteia: Seu encontro com o Papa é percebido como uma mensagem de esperança para os cristãos do Oriente, o que o senhor diria aos cristãos que sofreram e continuam sofrendo com medo do presente e do futuro?

Presidente Aoun: Este é um desastre e a guerra com grupos extremistas é uma reação retroativa muito grave. Havia escrito sobre isso em 1994 no jornal Al-Hayat e está acontecendo agora. O que está acontecendo é reação retroativa da história, não tem nada a ver com o Islã e está fora do princípio religioso islâmico. É uma falha histórica, que deixará vestígios e ruínas, como aconteceu no Oriente Médio.

No mês passado, nos encontramos com Al-Azhar, e percebemos que há uma rejeição a esta passividade.

Acredito que o perigo para os cristãos terminou após a crise no Oriente Médio, mas o perigo continua sendo persistente em diferentes partes em todo o mundo.

Cristãos e muçulmanos! Todo mundo foi afetado, a devastação na Síria afetou mesquitas e igrejas. Os cristãos não estavam contra o poder de base que foi atacado pelo movimento terrorista. Por isso, eles sofreram como qualquer cidadão sírio.

Os cristãos estão envolvidos no movimento de resistência síria, eles permaneceram ao lado de muçulmanos, e devem voltar para casa. Um milhão e meio de sírios e meio milhão de palestinos devem retornar à sua terra quando esta alcançar um clima de segurança. Os cristãos são parte deles.

Antoine Mekari - Aleteia

Aleteia: A paridade, no que diz respeito à colaboração efetiva dos cristãos no Líbano, era o objetivodo Movimento Patriótico Livre (CPT) antes de sua eleição como presidente do Líbano. E continua sendo seu principal objetivo e o ponto mais importante no acordo de seu partido político com as forças libanesas. Como alcançar essa meta durante a sua presidência?

Presidente Aoun: A paridade foi expressa imediatamente com a formação do Governo: a eleição de dois ministros cristãos por parte dos não cristãos e a eleição de dois ministros não cristãos por parte dos cristãos.

Assim, a paridade foi alcançada. Resta encontrar uma solução para a lei eleitoral, porque este é um assunto muito complicado em que estamos trabalhando duro. A paridade absoluta seguirá sendo numérica. Mas hoje em dia a grande preocupação é como vamos fazer para que os deputados cristãos sejam eleitos pelos cristãos. Esta questão está sendo estudada, na esperança de chegar a uma solução. Note que havia muitos outros problemas complicados que já resolvemos.

Aleteia: Sua eleição trouxe esperanças sobre a eficácia das instituições para a juventude libanesa em um momento em que o vazio político era a maior preocupação quanto ao futuro. Qual é a sua mensagem aos jovens residentes libaneses e estrangeiros? O que o senhor propõe para que eles não tenham medo do futuro?

Presidente Aoun: Estamos deixando para trás o medo, pois estamos superando as etapas mais perigosas de nossa história. Não se esqueça que temos resistido a flagelos de ferro e fogo no norte do Líbano. Felizmente, agora os ataques contra a segurança dos cidadãos são poucos, como carros bomba, por exemplo.

Temos resistido. Nossa unidade nacional segue intacta e o perigo interno no Líbano foi eliminado. A situação atual tem melhorado muito. É preciso melhorar a situação econômica do mundo. O mundo deve reconsiderar os regulamentos econômicos e pensar sobre os erros cometidos pelo novo regime internacional, e assim resolveremos muitas outras questões.

Aleteia: Michel Aoun, militar. Michel Aoun, primeiro-ministro. Michel Aoun, ativista exilado. Michel Aoun, deputado e chefe do grupo parlamentar. Michel Aoun, presidente… Qual opinião do Michel Aoun, o cristão? Quem é Jesus para você?

Presidente Aoun: Para mim, Jesus Cristo é o primeiro rebelde na história e provavelmente o único, já que mudou o mundo.

O cristianismo surgiu no mundo como uma ideologia quando o judaísmo foi a primeira religião celestial e os judeus haviam considerado que Deus era somente para eles.

Os mandamentos do Islã se tornaram proibições, como por exemplo o “Não tomarás o nome do Senhor em vão”, mas Cristo veio para transmitir que Deus não é exclusivo, converteu-o em um Deus para todos.

As pessoas não prestam atenção que a lei de Moisés não é a mesma que os mandamentos de Jesus Cristo, e existem muitos exemplos.

A lei diz: “Não tomarás o nome do Senhor em vão”, Cristo não disse isso, mas disse: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não”.

Cristo não disse, “não matarás”, mas disse: “Amai-vos uns aos outros”. Matar é um comportamento negativo, enquanto que o amor é a relação fundamental entre os seres humanos.

Não disse: “Não fique triste”, mas disse que “todo aquele que olha para uma mulher cobiçando-a, já cometeu adultério com ela no coração”. Os cristãos são lições positivas aos seres humanos, indicando-lhes um o guia do que fazer, não do que não fazer.

Jesus não disse: “não roubarás”, mas disse: “Vá, venda seus bens”.

Jesus não disse “Não dirás falso testemunho”, mas disse: “Eu vim a este mundo para realizar um julgamento”.

Isto é o que significa o cristianismo para mim, e se a lei de Moisés é baseada unicamente na “não agressão”, a mensagem cristã é uma mensagem de paz para o mundo; há uma diferença entre as duas, e o cristianismo criou a paz mundial.

Tags:
CristianismoDiálogoEntrevistasHistóriaMuçulmanosPolítica
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