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Por que é preciso “cortar o cordão umbilical”?

NakoPhotography/Shutterstock
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Algumas pessoas nunca se tornam totalmente independentes dos pais

A maturidade é um processo que, exige escolhas, como a definição de um rumo na vida, por exemplo, para poder escolher uma profissão ou uma paixão, para encontrar um companheiro de vida, para construir uma família. É por isso que os adolescentes deixam suas casas, precisam sair dela para criar algo próprio, algo novo, construir sua identidade.

Tudo bem quando eles querem e são capazes de fazer isso. O pior é quando vemos adultos que continuam presos nesse processo, dando voltas e voltas, sem saber seguir adiante para dar início a uma vida independente.

Essas pessoas se queixam da falta de desenvolvimento e autonomia de pensamento, da falta de sentimento e ação, da incapacidade para enfrentar desafios e aproveitar todos os seus potenciais, do sofrimento, das dificuldades de se encontrarem no mundo, do sentimento de inutilidade e insignificância, da dificuldade em estabelecer relações duradouras.

A separação proporciona a possibilidade de abandonar a casa da família, não só fisicamente, mas também emocionalmente. É a capacidade de existir como pessoa, de ter vida mental própria, de ter opiniões próprias, sentimentos, desejos, sonhos próprios. Significa viver por conta, em liberdade e com o sentimento de responsabilidade. É a capacidade de reformular a relação com os pais, para que se possam desenvolver algumas normas de apoio mútuo.

Alguns nunca vão sair de casa. Há quem o faze fisicamente, mas, emocionalmente, segue no diálogo com os pais. As razões são variadas. Mas, geralmente, referem-se à interferência dos pais e à maneira como esta relação é construída. Por exemplo:

  1. uma relação muito próxima e simbiótica com o filho – o filho pode chegar a substituir emocionalmente a esposa ou esposo para um dos pais;
  2. falta de atenção suficiente, de aceitação e de atenção quando o filho começa a querer se separar dos pais;
  3. dificuldade por parte dos pais em deixar os filhos saírem ao mundo e reconhecer que eles já não são crianças e precisam fazer as coisas sozinhos;
  4. falta de exigências e limites claros por parte dos pais. Por exemplo: “farei apenas o que me agradar”. Isso pode impedir o filho de ter mais força de vontade para assumir responsabilidades e desafios.

Estes distúrbios dos laços familiares, assim como a incapacidade de se despedir do passado e construir uma nova relação com os pais podem dar lugar a diferentes atitudes que nem sempre são verdadeiras.

Algumas pessoas podem viver com um sentimento de idealização: “como foi boa a sua infância e seus pais… sempre atenciosos”. Negam as situações reais que aconteceram e a diversidade de sentimentos vividos com os pais, especialmente aqueles considerados negativos, como a raiva, a ira, a tristeza.

Estes são, geralmente, os filhos criados na lealdade aos pais, sem direito a fazer objeções nem mostrar insatisfação. Eles têm medo de deixar suas casas e viver as coisas sozinhos porque acreditam que vão magoar os pais.

Há também pessoas que parecem independentes, mas, na realidade, depois de deixar os pais não são capazes de se relacionar com ninguém. Elas mantêm a aparência de autossuficiência. Mas, dentro delas, sofrem muito, sentem solidão, têm medo da intimidade e assumir que precisam de outra pessoa é humilhante para elas.

Existem pessoas que vivem com um sentimento de injustiça, queixando-se de forma indireta ou manifesta. Elas sentem que não conseguiram certas coisas de seus pais ou do mundo. Isso é uma desculpa para a inércia ou para a impotência.

Às vezes, a raiva de um dos pais que ofendeu o filho é tão grande que a inércia na vida é adotada como uma forma de represália ou vingança. Esta pessoa não consegue entender que ela, agindo desta maneira, está destruindo a própria vida, não a dos pais.

O processo de separar-se dos pais é um desafio difícil, mais muito importante para o crescimento e a maturidade. É necessário abandonar as pretensões e os juízos para entender que nossos pais foram de um jeito e não de outro. Talvez eles nem tivessem sido preparados emocionalmente pelos pais deles.

E não se trata de suavizar nem apagar as injustiças vividas. A ideia é equilibrar a maneira de percebê-los e reconhecer que eles são humanos e nos deram o que era possível para eles. Trata-se de sermos conscientes de que podemos ter sentimentos diferentes dos deles, tanto os sentimentos bons, quanto os maus.

É preciso chorar e abandonar o que era problemático e devastador para que isso não continue nos envenenando. Há que se dar conta de que, mesmo que nem tudo possa ser restaurado e consertado, ficam espaços que podem ser abordados e entendidos.

Consigo fazer isso sozinho? Sim é possível, mas com o apoio dos entes queridos, que nos aceitam, nos amam e que, ao mesmo tempo, sabem exigir e impor limites. Reconhecer que nada vem sem esforço e sem compromisso é, geralmente, um grande trabalho.

Pode ser útil fazer terapia para, junto com um profissional, dar nomes, experimentar, reformular e mudar o que não nos deixa avançar na vida. Às vezes, o processo de cura de uma lesão leva muito tempo e requer paciência e perseverança. Mas isso nos conduz a uma situação em que nós encontramos o nosso próprio “eu” e, portanto, a própria vida.