Aleteia

Papa Francisco: fugir da peste do carreirismo eclesiástico

Filippo Monteforte | AFP
Compartilhar
Comentar

O Santo Padre recebeu, ao final da manhã deste sábado (01/4), na Sala Clementina cerca de 160 membros da Comunidade do Pontifício Colégio Espanhol de São José, em Roma, por ocasião dos 125 anos de fundação.

Esta Obra, disse o Papa, foi instituída pelo bem-aventurado Manuel Domingo y Sol, fundador da Irmandade de Sacerdotes Operários Diocesanos do Sagrado Coração de Jesus:

“Esta instituição nasceu com o intuito de ser ponto de referência para a formação do clero. Forma-se pressupõe se capazes de aproximar-se com humildade do Senhor e perguntar-lhe: “Qual é a vossa vontade? O que quereis que eu faça?”

A resposta, afirmou Francisco, nós já sabemos, mas seria bom recordá-la. Assim, propôs para a reflexão dos presentes três palavras extraídas do Shemá, com as quais Jesus respondeu ao Levita: “Amarás ao Senhor com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças”.

“Amar com todo o coração significa fazê-lo sem reservas e sem rugas, sem interesses ilegais e sem buscar a si mesmo para o bem pessoal. A caridade pastoral supõe ir ao encontro do outro, compreendendo-o, acolhendo-o e perdoando-o de coração. Porém, sozinhos não podemos crescer nesta caridade”.

Por isso, acrescentou o Pontífice, o Senhor nos chamou para viver em comunidade, de modo que esta caridade possa congregar todos os sacerdotes com um vínculo especial no ministério e na fraternidade. Para que isto seja possível, devemos contar com a ajuda do Espírito, com o combate ao individualismo, mas mediante a unidade na diversidade.

Depois o Papa explicou a segunda parte do Shemá: “Amar com toda a alma”, ou seja, estar dispostos a oferecer toda a nossa vida, como dizia o Fundador do Colégio Espanhol. Por isso, a formação de um sacerdote não deve ser apenas acadêmica, mas deve servir para crescer no discernimento e aproximar-nos de Deus e dos irmãos.

Por fim, Francisco explicou a terceira resposta de Jesus ao Levita: “Amar com todas as forças”.

“Não se pode contentar em ter uma vida organizada e cômoda, mas manter uma adequada relação com o mundo e com os bens terrenos, renunciando às coisas supérfluas, mediante a confiança na Providência divina, para estar mais próximos dos pobres e dos frágeis.”

O Santo Padre concluiu exortando os presentes a “serem testemunhas de Jesus, através da sensibilidade e austeridade da vida, para ser promotores críveis de uma verdadeira justiça social”. E se despediu pedindo à Comunidade espanhola “para fugir da peste do carreirismo eclesiástico”.

(Rádio Vaticano)

Boletim
Receba Aleteia todo dia