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Colômbia busca sobreviventes após deslizamentos que deixaram mais de 250 mortos

HO / EJERCITO DE COLOMBIA / AFP

Handout picture released by the Colombian Army press office showing people helping to carry a woman after mudslides following heavy rains, in Mocoa, Putumayo department, on April 1, 2017. Mudslides in southern Colombia -caused by the rise of the Mocoa River and three tributaries- have claimed at least 16 lives and injured some 65 people following recent torrential rains, the authorities said. / AFP PHOTO / EJERCITO DE COLOMBIA / HO / RESTRICTED TO EDITORIAL USE - MANDATORY CREDIT AFP PHOTO / EJERCITO DE COLOMBIA - NO MARKETING - NO ADVERTISING CAMPAIGNS - DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS

Agências de Notícias - publicado em 03/04/17

Os moradores de Mocoa, sul da Colômbia, procuram desesperadamente por seus parentes, incluindo alguns bebês, mas é cada vez mais difícil encontrar pessoas vivas sob a lama após o deslizamento de terra que deixou 254 mortos. Segundo a imprensa colombiana, há mais de 200 desaparecidos.

Dois dias depois da catástrofe provocada pela cheia de três rios na capital do departamento de Putumayo, sul do país, muitos que conseguiram escapar do “mar de lama” se aglomerava no hospital de Mocoa ou à frente do cemitério para procurar notícias.

“Continua o trabalho de buscas para encontrar sobreviventes, ainda estamos dentro da janela de 72 horas posteriores a um desastre desse tipo”, disse à AFP um porta-voz da Cruz Vermelha Colombiana (CRC) no domingo à noite.

Entre as pessoas que perderam familiares, algumas lutam por suas vidas depois de tragar, respirar e afundar na lama.

“Estava morrendo por falta de ar. O que eu fiz? Enfiei o dedo na boca, vomitei barro, continuei com dedo na boca, vomitei mais barro. Espirrava lama, tudo era barro, até que consegui voltar a respirar”, contou Carlos Acosta à AFP em um abrigo onde se recupera dos ferimentos.

Mas a dor não é apenas física.

Na sexta-feira à noite, este homem de 25 anos dormia com o filho Camilo de três anos ao seu lado, quando acordo ao perceber que a água inundava sua casa.

“Peguei meu bebê no colo, mas a água nos arrastou e bati nas pedras”, recorda.

Ele ficou inconsciente e quando acordou não havia sinais da criança.

Carlos conseguiu se agarrar a um pedaço de madeira e salvar sua vida. Mas a lama arrastou seu filho.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, afirmou no domingo que a avalanche deixou 203 feridos, muitos com gravidade, que estão sendo atendidos em hospitais de Mocoa e outras cidades.

“Sei que expresso o desejo de todos os colombianos por sua plena recuperação”, disse o presidente, que supervisionou no fim de semana os trabalhos de resgate e as obras para restituir os serviços básicos na região.

Santos explicou que a avalanche destruiu o aqueduto local, que deve demorar um ano para ser completamente reconstruído. Também disse que o serviço de energia elétrica ficou “gravemente afetado”, não apenas na capital, mas em metade do departamento de Putumayo.

Em Mocoa, 45.000 pessoas foram afetadas, de acordo com a Cruz Vermelha. A energia elétrica foi parcialmente restabelecida no domingo, com linhas auxiliares, mas dezenas de pessoas foram para as ruas com o objetivo de recarregar os telefones celulares em geradores provisórios.

O medo de outra avalanche volta até mesmo com uma chuva fina, o que levou a Unidade Nacional para a Gestão de Risco de Desastres (UNGRD) a desmentir um perigo iminente.

O deslizamento, que despertou a solidariedade mundial, supera o último grande desastre natural da Colômbia, uma tragédia similar na cidade de Salgar, que deixou 92 mortos em maio de 2015.

As fortes chuvas na América do Sul também afetaram o Peru, com 101 mortos e mais de um milhão de desabrigados, e o Equador, com 21 mortes desde janeiro e mais de 9 mil famílias afetadas.

As doações começaram a chegara ao país. Uma das mais importantes veio da China, com um milhão de dólares.

(AFP)

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