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São José Moscatti, médico e santo

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Pensava ele que o médico deve olhar para o seu paciente como alguém a precisar da caridade no corpo e na alma

José (ou Giuseppe, em italiano) Moscatti nasceu em 25 de julho de 1880, em Benevento, na Itália, de família religiosa, culta e financeiramente abastada: seu pai, Francesco, era jurista, e sua mãe, Rosa, dona de casa exemplar.

Em 1884, a família Moscatti se mudou para Nápoles. Aí, José fez seus estudos, que hoje chamaríamos de Fundamental e Médio, e, em 1897, com dezessete anos, ingressou na Faculdade de Medicina local. Sempre muito dedicado, obteve o diploma em 4 de agosto de 1903.

Trabalhou, após prestar concurso, nos hospitais de Nápoles. Em 1908, foi nomeado assistente ordinário do Instituto de Química Fisiológica, matéria na qual obteve a livre-docência em 1911. No ano de 1919, tornou-se um dos diretores dos Hospitais Reunidos de Nápoles. Sem nunca, porém, abandonar os estudos, em 1921, galgou mais um passo acadêmico: o pós-doutorado em Clínica Médica.

Além do amor aos seus pacientes, muito lhe interessava o campo científico, por isso dedicou-se a estudar a ação dos amidos e da glicose no organismo humano. Os resultados de seus trabalhos foram publicados na Itália e em outros países. Também participou de vários eventos médicos, dentre eles do Congresso Internacional de Fisiologia, em 1911, na Áustria, e do de Fisiopatologia, em1923, na Escócia.

No dia 12 de abril de 1927, como fazia diariamente, o Dr. Moscatti participou da Santa Missa, de manhã, voltou para a casa e, logo depois, foi ao Hospital onde trabalhou a manhã inteira. À tarde, passou a atender a grande fila de clientes em seu consultório, porém, às 15 horas – momento da Paixão de Cristo e, por isso mesmo, Hora da Divina Misericórdia – retirou-se para seu quarto dizendo estar se sentindo mal. Ali, sentado em uma poltrona, com as mãos cruzadas sobre o peito e cabeça baixa, faleceu. Era novo. Tinha apenas 47 anos de idade.

É certo, como ficou minuciosamente comprovado, que o médico não era só um excelente profissional, mas um grande ser humano e católico de verdade. Uma de suas missões, desempenhada até o fim da vida, foi o atendimento aos internados no chamado Hospital dos Incuráveis. Aqueles rejeitados eram para ele pérolas preciosas e esse mesmo sentimento Moscatti desejava que os médicos recém-formados tivessem.

Com efeito, escreveu ele a um de seus ex-alunos, agora médico: “Lembra-te de que, segundo a Medicina, assumiste a responsabilidade de uma sublime missão. Persevera, com Deus no coração…, com amor e compaixão para com os que são abandonados, com fé e entusiasmo, surdo aos louvores e às críticas, insensível à inveja, disposto unicamente à prática do bem” (Pergunte e Responderemos n. 315, agosto de 1988, p. 379).

Mais: pensava ele que o médico deve olhar para o seu paciente como alguém a precisar da caridade no corpo e na alma. Por isso, escrevia: “Recorda-te de que te deves ocupar não apenas com o corpo, mas também com as almas”. E ainda: “Felizes nós, médicos, muitas vezes incapazes de debelar uma doença! Felizes nós, se nos lembramos de que, além dos corpos, temos diante de nós almas imortais,… em relação às quais urge o preceito evangélico de amá-las como a nós mesmos” […] “Os doentes são a imagem de Jesus Cristo e aos atribulados são os diletos e preferidos de Deus” (idem, p. 380).

Quanta profundidade nestes dizeres a serem levados em conta nos nossos dias nos quais predomina a “cultura do descartável”, como tem, frequentemente, denunciado o Papa Francisco. Nessas poucas palavras é possível começar a vislumbrar a grandeza de alma daquele médico italiano que alguns de seus colegas apelidaram de “o maníaco religioso”, por ter ele a grande coragem de sustentar sua fé em um mundo agnóstico e intolerante para com quem pensasse diferente.

Depois de devidamente investigada a sua vida religiosa, social e profissional, o Papa Paulo VI o declarou Beato, em 16 de novembro de 1975, e São João Paulo II o proclamou Santo, no dia 25 de outubro de 1987, de modo que, hoje, podemos dizer, confiantes: São José Moscatti, rogai por nós!

 

Vanderlei de Lima é eremita na Diocese de Amparo; Igor Precinoti é médico, pós-graduado em Medicina Intensiva (UTI), especialista em Infectologia e doutorando em Clínica Médica pela USP.