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O que fazer quando o padre de minha paróquia age como um ditador?

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Não é pecado pedir fidelidade ao seu padre

Os sacerdotes são escolhidos por Deus, do meio do Povo, para servir à Igreja e testemunhar o Redentor no mundo.

Vejamos o que o Código de Direito Canônico diz sobre o Sacramento da Ordem: “Por divina instituição, graças ao sacramento da ordem, alguns entre os fiéis, pelo caráter indelével com que são assinalados, são constituídos ministros sagrados, isto é, são consagrados e delegados a fim de que, personificando a Cristo Cabeça, cada qual no seu respectivo grau, apascentem o povo de Deus, desempenhando o múnus de ensinar, santificar e governar”. (Cân. 1008). Os padres têm a missão de ensinar o caminho certo; de colaborar com a santificação do Povo de Deus e de governar com justiça a comunidade que lhe é confiada.

No entanto, isso não dá ao presbítero o direito de se proclamar o rei todo-poderoso. Numa paróquia, por exemplo, o sacerdote é convidado a presidir a comunidade dos fiéis, incentivando a participação de todos. Muito estranho é ver uma paróquia onde o pároco faz o que quer, quando quer e como quer, mesmo contrariando o gosto e os sonhos de toda a comunidade.

Devemos sempre nos lembrar de que o padre é um ser humano, susceptível a erros e possuidor de limitações. Ainda que no seu serviço ministerial o próprio Cristo esteja à frente de seus atos, o padre não deixa de ser pessoa débil e frágil, como bem afirma o Catecismo da Igreja Católica: “Esta presença de Cristo no seu ministro não deve ser entendida como se este estivesse premunido contra todas as fraquezas humanas, contra o afã de domínio, contra os erros, isto é, contra o pecado. A força do Espírito Santo não garante do mesmo modo todos os atos do ministro. Enquanto que nos sacramentos esta garantia é dada, de maneira que nem mesmo o pecado do ministro pode impedir o fruto da graça, há muitos outros atos em que a condição humana do ministro deixa vestígios, que nem sempre são sinal de fidelidade ao Evangelho e podem, por conseguinte, prejudicar a fecundidade apostólica da Igreja”. (CIC, 1550)

Ou seja, a comunidade tem autoridade moral para cobrar de seu sacerdote a postura que lhe deveria ser própria. Um padre que humilha os paroquianos deve ser cobrado severamente.

Um sacerdote que negligencia os doentes por causas espúrias, tais como fixar-se na Internet ou ir a festas particulares tem de ser repreendido pelos membros da comunidade. Um presbítero que faz acepção de pessoas, tratando bem somente aquelas de altas posições sociais, e visando apenas ao enriquecimento e ao dinheiro, precisa ser admoestado pelos paroquianos. Não é pecado pedir fidelidade ao seu padre! Mas e se ele não ouvir? E se ele usar seu poder contra aqueles que exigem dele a coerência.

Bem, muitos sacerdotes infiéis à sua vocação têm usado do medo e do autoritarismo para calar as críticas da comunidade. Querem viver acima de todas as leis, sem prestar contas a ninguém. Mas saibam que todos podem recorrer a instâncias superiores. Se na sua paróquia existe alguém arrogante, avarento, prepotente, estúpido, libidinoso, vingativo, antiético, tenha certeza de que você pode recorrer ao bispo de sua diocese. Reúna o conselho ou todos os que estão insatisfeitos com os desmandos do sacerdote, e levem as queixas ao bispo, que têm a obrigação de ouvir os fiéis e de investigar as denúncias. Se forem procedentes as acusações, o padre pode ser punido, até mesmo com a demissão do estado clerical, dependendo da gravidade dos atos.

No Direito Canônico encontramos garantia de punição a todos aqueles que se julgam acima da lei, com risco de perda do estado clerical, o mais terrível mal que um sacerdote pode fazer à sua própria vocação: “O clérigo que perde o estado clerical, de acordo com o direito, com ele perde os direitos próprios do estado clerical, e não está mais sujeito às obrigações desse estado, salva a prescrição do Cân. 291 (o celibato); fica proibido de exercer o poder da ordem, salva a prescrição do Cân. 976 (ouvir confissão de uma pessoa à beira da morte); fica privado, por isso mesmo, de todos os ofícios, encargos e de todo o poder delegado”. (Cân. 292)

Portando, lembramos que a comunidade tem o dever principal de admoestar, de cuidar e de auxiliar os sacerdotes na caminhada vocacional. Aconselhar e rezar pelos padres é missão de todo cristão, pois todos somos responsáveis pela Igreja. Mas há formas de denunciar e extirpar os malefícios causados por ímprobos sacerdotes ao redor de nosso país. A comunidade pode recorrer aos bispos, mas se por ventura alguns desses forem omissos com a comunidade, a comunidade tem o direito de ir a outras autoridades eclesiásticas, que também cobrarão dos bispos a missão de zelar pelas suas ovelhas. O Cristo jamais deve ser traído pelos que o representam, mas se isso acontecer, que os traidores sejam chamados ao tribunal!

 

por Pe. José Luís Queimado, via A12.com

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