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A ira no casamento

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É importante apagar as primeiras faíscas da ira e não deixar que ela se torne uma fogueira

A ira gera ira até atingir um transbordamento de emoções, já que, nestes casos, perde-se a razão, e os sentimentos mais fortes rolam soltos. Tomadas pela raiva, as pessoas não buscam soluções lógicas ou justas, mas querem falar e falar, procurando ofender ou prejudicar fisicamente o outro. Mas, na verdade, isso prejudica mais a pessoa que sofre a ira.

O marido pode se queixar da montanha russa de sentimentos da mulher, e ela reclamar da indiferença dele. Estas diferenças emocionais podem ocorrer , em parte, devido a questões psicológicas ou por causa da educação recebida desde a infância, além da influência do meio em que as pessoas foram criadas. O que é certo é que os altos e baixos emocionais escondem conflitos internos não superados, que ficam camuflados e se revelam quando as circunstâncias o provocam.

No entanto, acima das diferenças emocionais e os conflitos internos não resolvidos, entra em jogo a liberdade para superar tudo isso na relação conjugal e não estabelecer barreiras em torno das dificuldades. O amor é o maior motivo para buscar o autoconhecimento e o exercício da boa-vontade.

O desenvolvimento da ira acontece em 7 níveis dentro da relação. O ideal é já cortar este mal no primeiro estágio. Veja:

 Primeiro nível

É a etapa em que ainda predominam sentimentos amorosos e a parte angelical do outro (a juventude, beleza, graça e simpatia) deixa a convivência feliz e espontânea.

Quando o casal discute, sabe apagar as primeiras faíscas da chateação e não deixam virar fogueira. Os pedidos de perdão são espontâneos , assim como a delicadeza e a ternura.

 Segundo nível

Começam a surgir as primeiras diferenças confrontantes, mas o casal encontra uma válvula de escape ao considerá-las engraçadas. É por isso que eles até chegam a contar em reuniões familiares: “Ele disse isso e eu respondi aquilo…” É a etapa em que marido e mulher descrevem com naturalidade seus sucessos diante das situações internas de dificuldade na convivência, sem que surjam juízos de valor, desqualificações ou adjetivos de mal gosto.  Realmente, eles se corrigem com boas maneiras e com amorosa atenção.

Terceiro nível

Defeitos e erros já não passam despercebidos. As queixas são acompanhadas de críticas, mas não pelos fatos e, sim, pela pessoa, com adjetivos que humilham quem as recebe. Isso começa a gerar as primeiras reações defensivas. Começam os primeiros silêncios de desgosto.

Mesmo assim, o casal discute com o cuidado de não serem ouvidos pelos filhos.

Quarto nível

As queixas são substituídas por críticas ásperas ao outro, com impacto emocional mais corrosivo, já que as atitudes de defesa e contra-ataque são mais frequentes. Aparecem as primeiras expressões verbais de desdém, acompanhadas por ironia e sarcasmo, igualmente reforçadas pela linguagem corporal com clara intenção de fazer o outro se sentir mal: gestos impróprios, sorriso forçado, lábio torcido. Começam a aparecer sentimentos de abandono e os silêncios são mais compridos.

O casal ainda acredita em seu amor, mas já está na zona de perigo.

Neste nível, ainda é possível curar a relação, restaurando o amor e o respeito e retomando a capacidade de comunicar mutuamente os sentimentos, opiniões e pensamentos. É preciso defender as posturas que ambos consideram justas, fazendo tudo isso em momento oportuno, na forma adequada, sem negar ou desconsiderar os sentimentos, opiniões e pensamentos do outro.

 Quinto nível

As críticas carregadas de desdém são mais frequentes. As reclamações são cada vez em mais alto tom, com desqualificações que ferem a autoestima do outro. Surgem insultos como: idiota, bruxa, imbecil. Longe de não dar mal exemplo aos filhos, o casal os torna igualmente objeto de agressões.

A soberba se opõe frontalmente à possibilidade de reconciliação. O casal não admite o perdão e começa a falar mal um do outro para terceiros.

Assim, tem início a queda da relação. As possibilidades de separação são muitas.

 Sexto nível

Aparece a ira, que gera ira, até se transformar em ódio. Começam as reações cada vez mais destrutivas, que fazem o outro se sentir envergonhado, culpado e defeituoso, o que provoca uma resposta defensiva que não mede a fúria e os desejos de se vingança.

O casal usa os filhos como instrumento de vingança, exigindo que eles tomem partido. Um mexe cada vez mais na ferida do outro e os dois disputam quem perde mais.

Sétimo nível: O transbordamento

Um se bloqueia do outro e os dois só têm pensamentos negativos entre si. Declaram-se abertamente inimigos e disparam as emoções que levam às expressões de ódio ou à violência física.

As condutas têm um forte componente patológico. Eles não podem ouvir sem distorcer nem responder com lucidez. Não conseguem organizar os pensamentos e caem em reações primitivas, como agressão física e golpes na parede. A separação é irremediável.

É importante procurar ajuda especializada quando o casal detectar sinais de que existe déficit de inteligência emocional em um ou em ambos os cônjuges e que os altos e baixos emocionais estão se transformando em um perigo para a relação.

 

Por Orfa Astorga de Lira.

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