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Encontrando a dádiva em tudo… mesmo após um aborto

Ian Schneider | Unsplash
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A história de uma família que passou por uma grande perda, mas teve esperança diante da adversidade

Enquanto seu carro seguia pela estrada, Amy Walsh* estava passando mal. Seu marido, Michael, tentava manter seus olhos na rodovia. Seus filhos (15, 14, 7 e 5) estavam na parte de trás. Eles estavam de olhos arregalados observando a mãe, com as inconfundíveis dores de trabalho de parto.

Era um fim trágico de uma gravidez que fora alegre. Meses antes, depois de decidir tentar voltar a conceber, Amy e Michael trouxeram toda a família para o processo de decisão. A vida mudaria com um novo bebê em casa, e eles queriam ter certeza de que todos se sentiam bem com isso. Todas as crianças deram sua bênção, exceto o mais novo, Joey. A família ficou assustada no início com a decisão de Joey, mas depois começou a rir. É difícil desistir do status de “bebê da família”, mas mesmo Joey sabia que ele estava sendo irônico. Ele se acostumou com a ideia do novo bebê e os planos se seguiram em frente.

Nada com o que se preocupar

Não demorou muito para que Amy sentisse que estava grávida. Os dois primeiros testes de gravidez foram negativos, mas pareciam apenas aumentar a expectativa. “Sarah [minha filha mais velha] foi minha maior líder de torcida. Ela estava junto comigo”. Todos queriam um bebê e as crianças oravam todos os dias por um novo irmão ou irmã. “Eu sempre soube quando estava grávida, mesmo antes dos testes mostrarem”, disse Amy. Assim, não foi surpresa que um terceiro teste revelou que, de fato, eles iam se tornar uma família de sete pessoas.

Na época, o Natal estava a apenas seis semanas de distância, de modo que as primeiras semanas de gravidez passaram rapidamente, apesar de Amy sentir-se mal em várias manhãs. E a excitação dos Walshes se espalhou quando eles compartilharam a notícia da gravidez de Amy com amigos e familiares. Mas, de repente, o mal estar matinal de Amy agravou. Isto era incomum comparado às suas outras gravidezes. Ela foi ao médico, que lhe deu outro teste de gravidez. Deu positivo. O médico se ofereceu para fazer uma ultrassonografia, e avaliou que parecia não haver nada com que se preocupar. Então Amy optou por esperar, e voltou para casa.

Poucos dias antes do Natal, porém, Amy ainda estava se sentindo mal. Como ela estava ajudando a decorar sua igreja paroquial, o padre percebeu seu comportamento inquieto. Ela confidenciou que sentia que algo estava errado com o bebê, embora ela tivesse sido tranquilizada pelo médico. Depois de discutir e rezar juntos, Amy sentiu um pequeno alívio, então ela decidiu ser positiva e se concentrar no feriado à frente.

Abrindo presentes na manhã de Natal, “eu me senti bem”, disse Amy. No entanto, seu alívio de alguns dias atrás desapareceu quando ela usou o banheiro e descobriu que ela estava sangrando. Mais tarde, durante a missa de Natal, Amy estava tão dominada pela ansiedade que quase desabou no banco.

Em choque

Sendo feriado, demorou alguns dias para Amy conseguir uma consulta com seu obstetra. Durante esse tempo, ela rezou e falou com amigos próximos – uma que tinha sangrado durante a gravidez e o bebê estava bem, e outra que tinha tido quatro abortos espontâneos. Isso a educou para o pior que poderia vir e também “deu espaço para alguma esperança”.

A primeira ordem do obstetra era fazer um ultrassom. Era doloroso observar o técnico mover o mouse através da tela e clicar em certas áreas sem qualquer explicação. Quando o técnico finalmente falou, disse: “Eu posso ver a fonte do sangramento”.

Amy estava abalada, mas tinha um fio de esperança. “Mas e o bebê?”, ela perguntou.

“Você precisa se vestir e falar com o médico”, disse o técnico.

Devastada, Amy foi conduzida à sala de espera onde ela se sentou em choque e esperou para falar com o médico. Ele explicou que, apesar de Amy estar na 11ª semana de gravidez, o bebê provavelmente parou de se desenvolver com cerca de seis semanas. Não havia necessidade de tomar outras medidas imediatas, então Amy foi para casa e esperou o processo natural do seu corpo.

Um anjo da guarda ao meu lado

Depois de dar a notícia a Michael e às crianças, a família inteira decidiu continuar com seus planos de fazer uma viagem às montanhas. Parecia o momento perfeito para esquecer a dor e fazer algo, qualquer coisa diferente. Mesmo que isso significasse uma caminhada de aproximadamente 9 quilômetros.

Infelizmente, o caminho de volta foi o oposto da ida. Começaram as contrações dolorosas que aumentavam a cada passo. Ela sentiu o sangue espalhando-se pela roupa.

Sean, escoteiro, segurou Amy e suavemente a encorajava através de cada passo doloroso. “Meu doce filho era como um anjo da guarda ao meu lado. Eu nunca teria esperado isso de um garoto de 15 anos”.

Eles cambalearam para o carro e tudo o que Amy queria fazer era chegar em casa. Era tarde, de modo que o consultório do obstetra estava mais uma vez fechado. Mas uma enfermeira disse que Amy poderia pelo menos tomar ibuprofeno para a dor enquanto esperava. Uma vez em casa, Amy foi para o banheiro para terminar seu trabalho de parto.

Christmas

Após alguns minutos, Amy disse para Michael, “Está feito. Não lave nada. Isto é um bebê”.

Para os Walshes, não havia dúvida, o próximo passo era honrar seu feto com um funeral. “Mãe, vamos colocá-lo em uma bela caixa. Eu tenho uma”, Sean ofereceu. Era um presente que Amy havia dado a Sean no Natal anterior. Uma caixa de madeira com ouro, incenso e mirra. Havia um lugar perfeito coberto de cetim para colocar o bebê – que foi chamado por eles de Christmas.

Christmas Walsh está enterrado perto de uma gruta da igreja paroquial que eles frequentam. Às vezes Amy encontra pinhas, pedras e outros pequenos tesouros que Max e Joey colocaram perto da lápide. “Enterrar o nosso feto nos deu uma tremenda cura”, diz Amy. “Senti uma profunda tristeza pela perda do nosso filho”.

Além de voltar ao ritmo da vida, para Amy os últimos meses foram um tempo de contemplação e de tentar ouvir o que se destina a ela. Ela frequenta a missa diariamente e escreve um diário. “Estou tentando ver como Deus está falando comigo. Eu escrevo tudo, porque de outra forma eu vou esquecer todas essas coisas”.

“Uma coisa que eu percebi é quantas vezes todos nós podemos estar juntos em uma sala, mas muitos de nós ouvimos apenas metade do que os outros dizem. Ficamos distraídos por causa dos nossos telefones, pela TV ou pelo trabalho que temos que fazer. Especialmente com a família, damos por certo que eles sempre estarão aqui. Eu parei de tentar controlar e planejar tudo”. Ela acrescenta, pensativa: “Tudo que eu quero fazer é amar as pessoas ao meu redor, onde elas estão”.

*Todos os nomes foram modificados para proteger a privacidade

 

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