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O poder do pensamento positivo (ou como deixar as preocupações de lado)

Zyta Rudzka - publicado em 17/04/17

Como lidar com o temor de um amanhã incerto

Quando falo com as mulheres, raramente as vejo satisfeitas com o que fazem. Não são capazes de se apreciar, de se recompensar, de dar um respiro, de soltar-se um pouco na primavera, de sentir alegria, de ter espontaneidade. Não sabem rejuvenescer, atentar-se ao aqui e ao agora, ao que é novo e magnífico. Aqui, hoje, algo floresce, brota, esverdeia, sobressai belamente de uma terra feia.

Em um galope contínuo

Geralmente, as mulheres são agitadas. Seguem adiantadas em uma hora. Certamente, no dia ou na semana seguinte algo ruim vai acontecer. O mais provável é que seja um fracasso, um erro, um descrédito. Elas não acabarão algo a tempo, não poderão fazer tudo, algo vai escapar de seus controles, algum erro pequeno, que será preciso esperar para não se transformar em uma catástrofe. Será a primeira peça do dominó a cair.

E o que importa que é primavera já há um bom tempo? Para que serve a primavera, se logo vem o verão e as crianças ficarão com os avós por somente uma semana? E eu, o que farei com as crianças depois? Mas, por que pensar no verão? Amanhã será outro dia.

Hoje, as coisas não vão tão bem – aquela olhada do marido não é mais do que um prelúdio de uma briga e depois de dias sem nos falarmos, tudo estará sobre os meus ombros. Quando o chefe me chama, certeza que é por algo ruim. Uma amiga disse algo sem pensar e nós buscamos significados ocultos nisso; uma crítica velada e mastigamos essas dúvidas sem fim e em todas as formas possíveis.

Claro, o fato de se auto-atormentar tem um aspecto muito agradável, já que quando não há assunto para falar, sempre se encontram razões para se queixar. Também podemos nos queixar do fato de nos queixarmos sempre de alguma coisa. As perfeccionistas se preocupam constantemente porque têm que controlar todo mundo. As mulheres inseguras têm, em si mesmas, o tremor constante, são preocupadas por não estarem à altura de algo. E, certamente, todos percebem isso e pensarão mal dela. As mães se preocupam. E esse temor natural pelo bem-estar dos filhos pode se transformar em algo excessivo e paralisador, tirando a alegria da maternidade.

As mulheres criam um mapa mental da vida ideal, do amor, do marido, da manutenção do lar e vivem a constante incerteza, perdendo-se neste labirinto.

Colocar limites muito altos

A razão desta preocupação crônica pode ser o aumento dos níveis de ansiedade. Sentimo-nos tensas e buscamos uma justificativa para esta moléstia. Queremos associar a ansiedade indescritível à uma ameaça  específica. E quando não existe uma verdadeira razão para se preocupar? Até onde vai nossa imaginação? Vemos um grande problema onde não existe e nos atormentamos com isso durante muito tempo.

Geralmente, nós nos equivocamos pensando que a preocupação é uma espécie de rede de segurança. Se sou cautelosa – e até apreensiva –, reduzirei o perigo ao mínimo.

No entanto, adiantar os acontecimentos em nossos pensamentos nos causa mais prejuízo. Nós nos concentramos nas ameaças que não existem e talvez nunca existirão. Perdemos a energia, aumentamos os níveis de estresse. E, por isso, perdemos de vista o que realmente existe. E isso não é bom. Uma mãe super-protetora pode não ver que seu marido se sente abandonado e infeliz na relação. E aí pode surgir uma ameaça real que deverá ser enfrentada.

A interpretação ansiosa do futuro não só torna desagradável a vida, como também é uma ameaça para a saúde. Ela aumenta o ritmo cardíaco, a pressão arterial, acelera a respiração, enfraquece o sistema imunológico e causa transtornos psicossomáticos, como: síndrome do intestino irritado, dor muscular, dor de cabeça e fadiga crônica.

O medo de um amanhã incerto

É difícil desfazer-se desta ansiedade por completo. Mas é possível diminui-la de alguma maneira. Abaixo, algumas sugestões para encarar este desafio:

  1. Começar a se preocupar somente de forma saudável;
  2. Reconhecer que vivemos em um mundo incerto, mas a incerteza que nos acompanha não deve tirar a beleza da vida;
  3. Viver com cuidado, mas desfrutando do que é bom;
  4. Não fazer a sirene interior funcionar por qualquer motivo;
  5. Permanecer em contato com a realidade. Distinguir os fatos reais da visão catastrófica. A maioria dos casos não requer atenção constante, já que nossa influência no curso do desenvolvimento das coisas é limitada;
  6. Não é o que acontece, mas sim como reagimos diante dos fatos;
  7. Se você não consegue viver sem angústia, decida preocupar-se apenas meia hora por dia. E logo trate de concentrar-se no aqui e agora;
  8. O melhor é resolver os problemas, ao invés de criá-los;

Tags:
Depressãoqualidade de vida
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