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Precisamos falar sobre o cyberbulling

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10 pontos sobre o assédio pela internet que pais e professores precisam levar em conta

O cyberbulling é uma variação do bulling, resultante do uso de novas tecnologias. Trata-se de um problema recente.

Muitos pais estão desorientados sobre o que fazer, caso seus filhos ou alunos sofram este tipo de assédio. Não raro, os professores preferem se abster diante da complexidade do problema. “Eles que resolvam”, dizem. No entanto, eles não se dão conta de que nas escolas e nas salas de aula podem haver um ou mais “cyber agressores” e um ou mais “cyber agredidos” via Whatsapp, Facebook, Snapchat, Instagram, Youtube, e-mails e videogames.

Quando usadas positivamente, estas redes são bons instrumentos para se manter as relações sociais. Mas também são um fator de risco para os adolescentes que podem se sentir ameaçados em qualquer ambiente e em qualquer colégio em que estiverem. Em inúmeros países, vários adolescentes assediados no cyber espaço têm suas vidas destruídas – há registros, inclusive, de casos de suicídios motivados pelo cyberbulling.

A responsabilidade pelo cyberbulling não está somente sobre quem o pratica – os acusadores -, mas também ao redor destes agressores, ou seja, professores, amigos, pais, parentes etc.

Um caso típico do problema acontece com os relacionamentos entre namorados. Uma situação propícia para o bulling é quando há duas moças apaixonadas pelo mesmo rapaz – ou vice-versa . Isso deve ser resolvido através do diálogo, não por meio de assédios e perseguições físicas e virtuais.

Por isso é tão importante – muito mais do que muitos acreditam – que pais e professores informem bem os benefícios e os riscos do uso das novas tecnologias, principalmente que não se deve “aceitar” qualquer “solicitação de amizade” de desconhecido. Por acaso você sabe quem está por trás daquela solicitação? Um pedófilo? Um perseguidor?

Um caso ocorrido em Barcelona, Espanha, é o de uma moça que saía com um rapaz da classe dela. Ela estava apaixonada por ele, que a convenceu a fazer uma foto nua, “como prova de amor”. Mas a foto foi compartilhada com toda a classe no início e, depois, com vários amigos. Quando ela saía na rua e via os rapazes, sempre se perguntava qual deles a teria visto nua. Ela não suportava quando via cochichos de moças e rapazes, porque pensava que estavam falando sobre ela.

Qual é a causa? A escassa informação do que poderia acontecer se ela fizesse certos desejos do rapaz que a amava. E quem deve informar? Pais e professores, pois hoje em dia todos devem alertar sobre os benefícios e os perigos das redes sociais e da internet.

A proteção ao cyber acusado (a vítima) não reduz a obrigação de informar e formar o cyber agressor, que muitas vezes desconhece as consequências graves de seus atos. Se uma vez informado ele continuar praticando o cyberbulling, o castigo é a única solução.

De acordo com diversos estudos internacionais, o agressor deixa de praticar o bulling somente se receber um castigo na escola e em casa. O problema é que, muitas vezes, os pais são muito mais protetores do que formadores de seus filhos.

O agressor (ou agressora) tem motivos para cometer seus atos. Um deles é a necessidade de reafirmar sua superioridade dentro do grupo. Outro motivo é a suposição de que nada vai lhe acontecer, pois está certo de que seus amigos não vão lhe delatar. Além disso, ele não sabe que está cometendo um crime que pode lhe prejudicar, tanto em âmbito escolar, quanto em âmbito pessoal.

Os pais devem estar atentos se têm um filho cyber agressor, que é um problema não só para ele, mas também para as vítimas. Os mesmo vale para os colegas do cyber agressor pois eles são, em parte, responsáveis pelo que acontece com as vítimas e com o agressor, devido ao silêncio e à cumplicidade.

Um dos objetivos da escola é obrigar que o cyber agressor peça perdão a quem ele agrediu e repare o dano feito. Também é importante proibir o uso do celular durante algum tempo.

A escola também deve procurar fazer com que os alunos sejam uma parte muito mais ativa da denúncia e da prevenção aos casos de cyberbuylling e que entendam que, muitas vezes, as piadas e brincadeiras que a meninada costuma fazer podem ser crimes que geram vítimas desprotegidas.

Em um estudo sobre escola e família, que reúne material elaborado nos Estados Unidos e em vários outros países europeus e foi organizado pelo Dr. Paulino Castells (Vítimas e Valentões Ceac, 2007), chegou-se às dez conclusões seguintes sobre o cyberbulling:

  1. A primeira solução é ter um computador em um espaço compartilhado, não no quarto, onde o adolescente pode se fechar e ser vítima ou carrasco;
  2. Dar confiança à vítima: ninguém merece ser mal-tratado;
  3. Diminuir a frequência do uso da internet e, se oportuno, privar temporariamente do uso do celular;
  4. Mudar as senhas do e-mail, do número do telefone e bloquear números de telefones desconhecidos ou indesejáveis;
  5. Nunca se desentender com um filho ou aluno que pede ajuda nos casos de cyberbulling;
  6. Quando a situação for muito grave, reúna provas (mensagens do Facebook, Instagram, Youtube etc) e denuncie às autoridades;
  7. Cuidado ao ameaçar retirar o celular do filho ou do aluno, pois você poderá perder a confiança dele. Esta será uma decisão pensada em conjunto;
  8. Explicar para os filhos que denunciar a situação aos responsáveis não é um ato de covardia, mas sim um gesto que busca a resolução do problema;
  9. Diante de uma situação de cyberbulling não se pode ter uma atitude neutra;
  10. Avaliar a possibilidade de receber ajuda psicológica (tanto o agressor , quanto a vítima).

 

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