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Minoria yazidi celebra seu Ano Novo marcado pela tristeza no Iraque

Yazidis iraquianos visitam um templo, no vilarejo montanhoso de Lalish

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Milhares de yazidis celebram nesta quarta-feira seu Ano Novo em um templo do norte do Iraque, na maior reunião desta minoria desde que os extremistas a converteu em alvo de seus ataques.

Os fiéis começaram as festividades na noite de terça-feira, a 50 km ao norte de Mossul, usando seus trajes tradicionais e levando velas e candeias.

O evento comemora a criação do universo pelos anjos e festejam a natureza e a fertilidade.

Mas este ano, o ambiente era sombrio entre os yazidis, já que muitos sofreram a violência praticada pelo grupo Estado Islâmico (EI) a partir de 2014, quando os extremistas se apoderaram de amplas zonas do Iraque, incluindo a região de da qual é originária a maioria dos membros desta pequena comunidade.

“No estou feliz. Isso não é como antes porque há pessoas que continuam em mãos do Daesh (acrônimo em árabe do EI)”, diz Zoan Msaid, uma moradora de Sinjar que vive agora em um campo de refugiados.

“Não podemos esquecer nossos costumes e tradições, mas só que os reféns voltem para casa, só isso”, acrescentou.

Os yazidis são uma minoria de idioma curdo que pratica uma religião monoteísta com elementos tomados do cristianismo e do Islã.

O Estado Islâmico os consideram hereges e, em meados de 2014, massacrou inúmeros membros da comunidade ao conquistar o monte Sinjar.

Em poucas horas, milhares de pessoas fugiram pelas montanhas áridas, procurando refúgio no Curdistão iraquiano. Outras centenas, talvez milhares, morreram no ataque, ou durante a fuga nas montanhas.

Segundo a Anistia Internacional, os jihadistas executaram homens e sequestraram centenas, se não milhares, de mulheres, que foram vendidas como noivas para combatentes ou reduzidas à condição de escrava sexual.

As forças curdo-iraquianas reconquistaram no final de 2015 a cidade de Sinjar, com o apoio aéreo da coalizão antijihadista liderada pelos Estados Unidos.

Segundo a ONU, o Estado Islâmico cometeu um “genocídio” contra a minoria yazidi. Calcula-se que cerca de 3.000 membros dessa comunidade continua em poder dos jihadistas.

Segundo investigadores da ONU, os ataques do EI contra os yazidis no Iraque podem constituir um “genocídio”.

Por isso pediram em 2015 uma ação no Tribunal Penal Internacional (TPI) a respeito.

No mundo inteiro, os yazidis somam um milhão e meio, um terço desta comunidade se encontra no Iraque. Outras comunidades estão estabelecidas na Turquia, Geórgia e Armênia, sem contra a diáspora no Ocidente, segundo o site do Vaticano.

Vivendo em cantos remotos das montanhas do Curdistão, os yazidis, comunidade de língua curda, segue uma religião cujas origens remontam ao mazdeísmo, nascido no Irã há quase 4.000 anos, e ao culto a Mitra. Mas com o tempo, eles incorporaram elementos do Islã e do Cristianismo.

Os yazidis oram a Deus em direção ao sol e veneram sete anjos, sendo o mais importante deles Melek Taus ou Anjo-Pavão. Eles pronunciam suas orações em curdo e não têm nenhum livro sagrado.

A tradição yazidi proíbe o casamento fora da comunidade e mesmo até em seu próprio sistema de castas. As crenças e práticas dos yazidis – como a proibição de comer alface e vestir a cor azul – são considerados por seus críticos como satânicas.

Os muçulmanos ortodoxos consideram o pavão como uma figura demoníaca e os yazidis foram rotulados como “adoradores do diabo”.

Como iraquianos não-árabes e não-muçulmanos, têm sido uma das minorias mais vulneráveis do país. Milhares de famílias fugiram do Iraque em razão da perseguição do governo de Saddam Hussein, em particular para a Alemanha.

Em agosto de 2007, enormes caminhões-bomba destruíram quase inteiramente duas aldeias yazidis no norte do Iraque. Mais de 400 pessoas foram mortas nas explosões.

Além da minoria yazidi, dezenas de milhares de cristãos iraquianos, a maioria seguidores da Igreja Católica Caldeia, também fugiram em função da ofensiva do EI.

(AFP)

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