Aleteia

A “Lava-Jato” de Deus para quem acumula riquezas com desonestidade

Creative Commons
Compartilhar
Comentar

Uma impactante homilia de São Basílio proclamada há 1650 anos e atual em pleno 2017

Esta homilia do grande bispo São Basílio foi proclamada há cerca de 1650 anos – mas continuou atual em cada dia de cada mês de cada ano desde então e é atual até hoje, em pleno 2017. Embora a insensatez da ganância de centenas e milhares e milhões de grandes e pequenos corruptos seja cedo ou tarde desmascarada e os derrube pelo próprio peso da sua corrupção e culpa criminosa, a tendência humana ainda é, pela sua natureza caída, a de continuar repetindo essa insensatez ao longo de todos os séculos – até que o coração de cada um se liberte a partir de dentro e reconheça quais tesouros realmente vale a pena acumular nesta vida.

A homilia se baseia nesta passagem do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas:

“Havia um homem rico, a quem as terras deram uma grande colheita. Ele se pôs a discorrer, dizendo consigo: ‘Que hei de fazer, uma vez que não tenho onde guardar a minha colheita?’. Depois continuou: ‘Já sei o que farei: derrubo os meus celeiros, construo outros maiores e lá guardo o meu trigo e todos os meus bens. Depois, direi a mim mesmo: Tens muitos bens em depósito para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te’. Deus, porém, lhe disse: ‘Insensato! Nesta mesma noite será reclamada a tua vida; e o que acumulaste para quem será?’. Assim acontecerá ao que amontoa para si, mas não é rico em relação a Deus”

(Lc 12, 16-21).

Diz-nos São Basílio:

“Insensato! Nesta mesma noite será reclamada a tua vida; e o que acumulaste, para quem será?”. A conduta deste homem é tão ridícula quanto o castigo eterno será rigoroso. De fato, que projetos abriga no seu espírito esse homem que em breve partirá deste mundo? “Derrubo os meus celeiros e construo outros maiores”.

Quanto a mim, diria de bom grado a ele: fazes bem, e assim são demolidos com justa causa os celeiros da injustiça, pois destróis com as tuas próprias mãos, de alto a baixo, o que construíste com desonestidade. Derruba ao chão as reservas desse trigo que nunca saciou ninguém e lança a razia sobre os silos que guardam a tua avareza. Arranca-lhes os tetos, derruba suas paredes e expõe à luz do sol esse trigo cheio de mofo, até saírem de sua prisão as riquezas ali cativas.

“Derrubo os meus celeiros e construo outros maiores”. E uma vez que os tenhas voltado a abarrotar, qual será a tua decisão? Acaso os demolirás para construir outros ainda maiores? Haverá maior insensatez do que atormentar-se sem fim, construindo obstinadamente para depois demolir?

Se quiseres, os teus celeiros podem ser as casas dos pobres: “Acumulai tesouros no céu”, e tudo o que neles for armazenado “a traça e a ferrugem não corroem e os ladrões não arrombam nem furtam” (Mt 6,20).

(São Basílio, em Homilia VI, Sobre as riquezas)

Boletim
Receba Aleteia todo dia