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O que está por trás do aumento mundial dos ataques à liberdade religiosa?

American Life League | CC

Zelda Caldwell - publicado em 24/04/17

Um estudo anual sobre as restrições às religiões mostra uma ligeira reversão de uma tendência descendente

O estudo anual feito pelo Pew Research Center descobriu que em 2015 (o ano mais recente para o qual os dados estão disponíveis) a liberdade religiosa sofreu retrocesso em todo o mundo. Pela primeira vez em três anos, as restrições governamentais à religião aumentaram.

Mais preocupante, segundo o relatório, é o efeito combinado das restrições governamentais e das ações sociais contra os grupos religiosos. Em todo o mundo, o estudo descobriu que 40% dos países foram listados na lista dos países menos hospitaleiros para a liberdade religiosa – isso é superior aos 34% em 2014.

Entre os 25 países mais populosos do mundo, Rússia, Egito, Índia, Paquistão e Nigéria apresentaram os mais altos níveis combinados de restrições governamentais à liberdade religiosa e às hostilidades sociais contra a prática da religião.

Quem está diminuindo a liberdade religiosa?

O aumento mais acentuado das restrições governamentais foi encontrado na África subsaariana, mas a região do Oriente Médio e do Norte da África continua a gozar da duvidosa distinção de ter o maior número de países (95%) a usar a força do governo ou o assédio contra grupos religiosos. Essa região também tem visto o maior aumento nas restrições governamentais contra a liberdade religiosa desde 2007.

Também notável foi o aumento das restrições governamentais à religião na Europa. De acordo com o estudo, 27 países europeus (60%) viram um aumento no assédio do governo a grupos religiosos em 2015 – comparado a 17 países em 2014.

O estudo também relatou um aumento nas hostilidades sociais contra grupos religiosos na Europa. O número de países que assistiram ao assédio por atores não governamentais contra os judeus aumentou (de 32 para 33), como fez contra os cristãos (de 17 países para 21) e mais dramaticamente contra os muçulmanos (de 26 para 32).

O que está por trás das crescentes ameaças contra a religião na Europa?

Dois países na Europa – França e Rússia – foram apontados pelo relatório, cada um tendo mais de 200 casos de força do governo contra grupos religiosos. No caso da França, foi principalmente devido à punição de indivíduos por violar a proibição de usar o véu em edifícios públicos. A Rússia, segundo o estudo, era culpada de perseguir pessoas, como as Testemunhas de Jeová, pelo exercício da religião.

Muitos dos incidentes de restrições governamentais na Europa foram em resposta à crise de refugiados do continente, de acordo com o estudo. As declarações do primeiro-ministro húngaro Viktor Orban em 2015, críticas a uma política que daria boas-vindas aos imigrantes muçulmanos, são citadas como um incidente de assédio do governo.

A rejeição da Eslováquia às quotas europeias de refugiados e a preferência por refugiados cristãos também é mencionada no relatório como um exemplo de restrição religiosa.

A resposta da Europa aos ataques terroristas (mais notavelmente os ataques na França nos escritórios da revista Charlie Hebdo e na sala de concertos Bataclan) é vista como uma evidência de uma restrição à liberdade religiosa. O relatório observa que o ataque de 2015 da polícia alemã a uma mesquita, por causa de falsos rumores de ser uma fonte de armas para um ataque terrorista planejado, contou como força usada contra um grupo religioso.

A Suíça estava entre os quatro países do mundo com o maior aumento das hostilidades sociais (os outros foram o Níger, as Filipinas e o Nepal). Isto foi devido a um aumento de incidentes antissemitas e anti-islâmicos, incluindo um ataque a um judeu ortodoxo e a profanação de túmulos muçulmanos.

O que está por trás da perda da liberdade religiosa na África subsaariana? 

A África subsaariana foi citada como tendo o maior aumento na força do governo e nas hostilidades sociais contra grupos religiosos devido ao grupo extremista baseado no grupo Boko Haram da Nigéria, de acordo com o relatório.

Os ataques de Boko Haram, que matou dezenas de pessoas em 2015, são considerados “hostilidades sociais” pelo estudo, e a resposta do governo a eles (incluindo a proibição do véu islâmico e burca, para limitar o risco de explosivos ocultos) contribuíram para o aumento do nível de restrições governamentais.

O que falta no relatório?

O relatório reconhece prontamente que a Coréia do Norte, que ele chama de “o mais repressivo [governo] do mundo”, não está incluída porque sua sociedade está fechada a pessoas de fora.

Também admite alguma influência. Paradoxalmente, um país mais livre pode encontrar mais incidentes de repressão do governo do que um repressivo, como é observado no relatório:

Somente quando se trata de violência religiosa e intimidação na sociedade, as fontes relatam mais problemas nos países de livre acesso do que nos de acesso limitado.

Ao medir países uns contra os outros, o estudo nem sempre oferece o quadro completo. Os Estados Unidos, por exemplo, foram vistos como tendo mais incidentes de hostilidades sociais contra a religião do que foram registrados pelo regime repressivo no Irã.

Como pode ser? É possível que a sociedade iraniana seja mais hospitaleira a outras religiões do que a sociedade americana? Não é provável. No Irã, a população não muçulmana caiu drasticamente desde a revolução iraniana. A população judaica no Irã caiu de 80.000 para 9.000 naquele tempo. Isto poderia ser o resultado das dificuldades de relatar dados confiáveis ​​em um regime repressivo. Por outro lado, talvez, se um regime é suficientemente repressivo e conseguiu criar uma cultura religiosa quase monolítica, os extremistas religiosos não veem razão alguma para agir contra as religiões minoritárias.

Conclusão

As descobertas do estudo fornecem uma documentação útil e muito necessária da ameaça à liberdade religiosa que continua a existir em todo o mundo. A reviravolta na repressão governamental e social da religião na Europa serve como lembrança do impacto que o terrorismo assume sobre uma sociedade livre. Confrontado com um horrível ano de ataques terroristas, as liberdades que a Europa procura proteger são sacrificadas, de acordo com os resultados deste relatório.

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