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Nepal: o topo do mundo se levanta depois do terremoto

UN Women-N. Shrestha-CC

Miriam Diez Bosch - publicado em 08/05/17

Como vão os nepaleses, dois anos depois?

Em 25 de abril de 2015, um grande terremoto abalou o Nepal. O país, reinando sobre o topo do mundo, viu-se em ruínas e escombros. O terremoto não apenas derrubou edifícios históricos e templos. Ele também destruiu completamente várias aldeias, que desapareceram ao lado da vida das milhares de pessoas que as habitavam. Dezessete dias depois da tragédia, outro terremoto destruiu o que sobrou. Dois anos se passaram desde então. O que aconteceu com o Nepal?

Luis Belvis é o cônsul geral do Nepal em Barcelona. Um especialista na área, ele visita o Nepal com frequência. Ele é fiel às suas montanhas e ao seu povo. Durante o terremoto, esteve encarregado de coordenar a participação de entidades sociais, empresas e indivíduos que quisessem contribuir, de uma forma ou de outra, com seu “grão de areia” para aliviar o sofrimento do povo nepalês. “As cicatrizes ainda estão curando”, diz ele. Há dois anos, toda ajuda era pouca. Mesmo hoje, qualquer ajuda é ainda bem-vinda.

“Uma vida você não pode recuperar”

“Aldeias inteiras desapareceram com centenas de habitantes nelas”, disse o cônsul à Aleteia. Muitas construções não eram bem construídas, e o terremoto de 7,8 graus facilmente as demoliu. “O país ainda está sendo reconstruído”. No entanto, além de reconstruir sua infraestrutura, o país precisa curar algumas feridas ainda mais profundas: mais de 10.000 pessoas morreram.

“Uma vida você não pode recuperar”, mas ao menos devemos trabalhar para que tenha uma nova casa, afirma o cônsul. Muitas famílias ainda estão se reinventando, depois de sofrer as perdas. “Há pessoas que deixaram a cidade naquele dia e não conseguiram encontrar nada ou ninguém quando voltaram”, acrescenta.

Vinte e quatro meses não são suficientes para voltar ao normal. No entanto, “o Nepal é um país otimista”, afirma Belvis. “Quando você os escuta e os entende, você se pergunta como teríamos reagido aqui. Tenho certeza de que teria sido bem diferente”.

De acordo com o cônsul, a espiritualidade da sociedade nepalesa leva todos a pensar mais nos outros do que em si mesmos. “Lembro-me do testemunho de dois nepaleses cegos que não ficaram parados e saíram para dar seu testemunho de esperança em uma estação de rádio”, explica ele. Belvis também observa que muitos templos budistas abriram suas portas e abrigaram pessoas que não tinham para onde ir.

“Os nepaleses sabem que não estão sozinhos”

Apesar do fato de o desastre já não estar nas manchetes de jornais ou capas de revistas como foi há dois anos, a ajuda ainda está chegando. “Existem vários projetos de organizações sem fins lucrativos que canalizam a ajuda e melhoram gradualmente tudo”. Agora, os geólogos estão planejando onde reconstruir as vilas perdidas, usando materiais antissísmicos. O cônsul salientou que “as pessoas têm sido muito generosas e muita ajuda tem chegado ao Nepal, sem parar. É assim que os nepaleses sabem que não estão sozinhos no mundo”.

Muitas das pessoas que estiveram envolvidas desde o primeiro momento têm laços afetivos com o país. Elas visitaram, têm amigos lá e juntam-se a eles com um grande compromisso pessoal. Da mesma forma, Belvis lembra que, no meio da crise, recebeu pessoas no consulado que não conheciam o Nepal, mas que ainda queriam oferecer seu trabalho.

Um renascimento, então, está acontecendo no Nepal. “A melhor maneira de ajudar o país é visitá-lo”, diz o cônsul. De fato, o turismo foi uma importante fonte de renda antes do terremoto e ocupou um lugar proeminente na economia nepalesa. Agora, por razões óbvias, o turismo tem diminuído. O consulado está incentivando a população nepalesa para retornar ao seu país para ajudar a reconstruí-lo. “Turismo significa trabalho e recursos para os nepaleses”, conclui.

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