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A ilha de Patmos e o Apocalipse no Brasil em 2017

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Nova ação da Polícia Federal e da Procuradoria Geral da República adota nome da ilha em que São João escreveu a Revelação

A nova e bombástica ação da Polícia Federal e da Procuradoria Geral da República brasileira, que vem ocupando todas as manchetes no país desde a noite de ontem, 17 de maio, recebeu o sugestivo nome de Operação Patmos.

A referência é ao potencial “apocalíptico” da operação, no âmbito político, porque entre os principais investigados está ninguém menos que o presidente da República, Michel Temer. Além dele, são alvos de graves acusações também o senador Aécio Neves, presidente do PSDB, e Guido Mantega, do PT, ex-ministro da fazenda nos governos de Luis Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Tornou-se comum no imaginário popular a associação da palavra “apocalipse” com o “fim do mundo” ou com grandes catástrofes. Este é o sentido a que remete a operação brasileira, devido à gravidade das denúncias que vêm sendo divulgadas. Originalmente, porém, o termo grego “apocalipse” que dizer apenas “revelação“.

E onde entra “Patmos” nessa história?

Patmos é uma pequena ilha da Grécia pertencente ao arquipélago do Dodecaneso, no mar Egeu. Foi nessa ilha que o apóstolo São João Evangelista escreveu o livro do Apocalipse, o último do Novo Testamento e um dos mais misteriosos de todo o conjunto das Sagradas Escrituras.

Segundo a tradição, mencionada pelos santos Irineu, Eusébio e Jerônimo, São João tinha sido exilado na ilha de Patmos no ano 91 ou 96 d.C., época do sanguinário imperador romano Domiciano, que veio a se tornar um grande perseguidor dos cristãos.

A tradição local identifica na ilha uma caverna onde São João teria recebido a revelação divina que deu origem ao livro. Conhecida hoje como Caverna do Apocalipse, ela é considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, juntamente com o Mosteiro de São João Teólogo, também situado em Patmos.

São João de Patmos, São João Evangelista e São João Teólogo são três denominações comumente atribuídas ao mesmo João, que era um dos doze Apóstolos de Cristo. No entanto, algumas correntes de menor respaldo acreditam que se trata de três pessoas diferentes.

A teóloga Adela Collins, no verbete “Patmos” do Harper’s Bible Dictionary, observa:

“A tradição mais primitiva afirma que João foi banido para Patmos pelas autoridades romanas. Esta tradição é crível porque o banimento era uma punição comum durante o período imperial para diversos tipos de ofensas. Entre elas, estavam a prática da magia e da astrologia. A profecia era vista pelos romanos como estando nesta mesma categoria, seja ela pagã, judaica ou cristã. A profecia com implicações políticas, como a expressada no Apocalipse, seria percebida como ameaça à ordem e ao poder político romano”.

O autor do livro do Apocalipse faz já no primeiro capítulo a seguinte menção a si próprio e à sua estada na ilha de Patmos:

“Eu, João, irmão vosso e companheiro convosco na aflição, no reino e na perseverança em Jesus, estava na ilha chamada Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Fui arrebatado em espírito no dia do Senhor e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia: O que vês, escreve-o num livro e envia-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodiceia”.

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