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Pela primeira vez em 500 anos, um bispo convertido será elevado a cardeal

Franki Fouganthin CC
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Ele será o primeiro cardeal desse país fortemente protestante desde a reforma luterana, em 1517

O Papa Francisco não para de surpreender: no próximo dia 28 de junho, ele nomeará cinco novos cardeais e, entre eles, o arcebispo de Estocolmo, dom Anders Arborelius, primeiro prelado sueco a obter a púrpura cardinalícia desde a reforma luterana, em 1517.

Hoje religioso carmelita, dom Anders se converteu ao catolicismo na Suécia, país de forte tradição protestante. O arcebispo de 68 anos de idade recebeu o batismo quando tinha 20. Faz 46 anos que ele entrou na ordem dos carmelitas descalços.

O jovem tinha lido a autobiografia de Santa Teresinha de Lisieux, que o motivou a entrar na ordem carmelita. Uma decisão significativa, considerando que converter-se ao catolicismo na Suécia equivaleu, durante séculos, a perder direitos civis. As coisas só mudaram nos anos 1970, quando a liberdade de culto para todas as confissões no país passou a ser permitida com a mudança das normas impostas havia mais de quatrocentos anos pelo rei Gustavo de Vasa (1496-1560).

A nomeação do novo cardeal sueco é uma ponte para uma “periferia existencial” da Europa onde ser católico é um estigma. A minoria católica na Suécia sofreu dura repressão até poucas décadas atrás.

Dom Anders, que recebeu o Papa Francisco na sua viagem a Lund em 1º de novembro de 2016, é testemunha da ação da Igreja em seu país para responder à secularização progressiva (e agressiva) dessa nação escandinava. Os frutos têm vindo: aos poucos, vem aumentando o número de novos conversos católicos na Suécia.

A trajetória de dom Anders Arborelius

Ele foi consagrado bispo na catedral católica de Estocolmo em 29 de dezembro de 1998, sendo o primeiro bispo católico de origem sueca em seu próprio país desde os tempos da reforma luterana do século XVI.

Seu testemunho como converso e bispo sueco levará experiência concreta ao Colégio de Cardeais que assessoram o Santo Padre no diálogo ecumênico e pastoral, especialmente para responder aos preconceitos ancestrais que persistem contra os católicos na Suécia e nos outros países influenciados pela reforma protestante.

Em 21 de janeiro de 2014, o Papa já o havia nomeado consultor do Conselho Pontifício para os Leigos.

O futuro cardeal Arborelius nasceu em Sorengo, na Suíça, em 24 de setembro de 1949, filhos de pais suecos que se divorciaram quando ele tinha 4 anos. Cresceu com a mãe em Lund, no sul da Suécia.

A família Arborelius era luterana, mas não praticante. A vocação ao sacerdócio do jovem Anders começou a se manifestar quando ele conheceu as freiras do convento de Santa Brígida e foi descobrindo mais da espiritualidade católica.

Ele entrou na ordem dos padres carmelitas descalços em 1971 e fez a profissão perpétua em Bruges, Bélgica, em 1977. Estudou Filosofia e Teologia na Bélgica e no Teresianum de Roma. Ao mesmo tempo, estudou línguas modernas na Universidade de Lund, conforme se lê na biografia oficial. Foi ordenado sacerdote na cidade de Malmö em 8 de setembro de 1979, festa da Natividade de Maria.

De 2005 a 2015 foi presidente da Conferência Episcopal da Escandinávia e, a partir de 2015, vice-presidente. Também foi membro da Comissão da Presidência do Conselho Pontifício para a Família entre 2002 e 2009.

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