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Até 2 de junho, os brasileiros só trabalharam em 2017 para pagar impostos

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Francisco Vêneto - publicado em 02/06/17

Cidadãos do país precisam trabalhar 153 dias do ano só para entregar cada centavo ao governo. Pergunta-se: para quê?

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), os brasileiros atualmente precisam trabalhar 153 dias do ano só para pagar os seus impostos.

É como dizer que desde 1º de janeiro de 2017 até o dia de hoje, 2 de junho, cada mísero centavo recebido por cada brasileiro foi instantaneamente sugado pelo insondável buraco negro do assim chamado “tesouro” público – e se o termo “tesouro” lhe traz à mente a imagem de uma caverna de piratas, possivelmente não é por mero capricho do seu subconsciente. Das obscuras entranhas do monstruoso Leão de Brasília, uma das poucas certezas matematicamente comprováveis é que esse dinheiro não vai, não apenas na sua totalidade, mas nem sequer na sua maior parte, para os serviços públicos de qualidade que deveriam justificar uma fome tão devastadora.

É praticamente meio ano. Em meio ano, tudo o que um brasileiro ganha fica para o governo – e sem que se saiba ao certo com que finalidade, embora seja fácil enxergar que boa parte dessa “finalidade” nada tem a ver com o bem comum.

O estranho no ninho

O Brasil está na 8ª posição entre os países que mais trabalham para pagar impostos no mundo. Mais chamativo ainda é ver quais são os 7 países onde se trabalha mais tempo do que aqui para pagar a derrama:

Dinamarca: 176 dias

França: 171 dias

Suécia e Itália: 163 dias

Finlândia: 161 dias

Áustria: 158 dias

Noruega: 157 dias

Num grupo desses, o Brasil está clamorosamente deslocado.

Todos esses outros são países ricos em que o retorno dos impostos à população é notavelmente mais visível do que no Brasil. Os brasileiros dedicam praticamente a mesma quantidade de horas de trabalho que esses povos para receber em troca serviços públicos mensuravelmente piores em termos de qualidade. Basta comparar a infraestrutura da capital austríaca, Viena, com a da capital brasileira, Brasília; o transporte público da maior cidade francesa, Paris, com o da nossa maior cidade, São Paulo; a segurança de qualquer cidade ou vilarejo da Noruega com a de qualquer cidade ou vilarejo do Brasil; a educação da Finlândia com a nossa; a saúde da Suécia com a nossa; a corrupção da Dinamarca com a nossa. Mesmo a Itália, um país com mais similaridades culturais e com problemas sociais e políticos relativamente parecidos com os nossos, se posiciona muito à nossa frente em termos de qualidade de vida da população.

Nos Estados Unidos, os contribuintes trabalham 98 dias para pagar os seus impostos do ano. Em alguns vizinhos latinos do Brasil são menos dias ainda: 96 no Uruguai e 94 no Chile. Esses três países, no entanto, também oferecem aos seus cidadãos serviços públicos melhores do que os recebidos pelos brasileiros, embora no Brasil se trabalhem 2 meses a mais do que lá para sustentar a máquina pública.

Um mês inteiro é roubado só para financiar corruptos

Além de ser forçados a entregar ao governo 41% de tudo o que ganham ao longo de um ano, os brasileiros ainda são obrigados a conviver com o fato de que nada menos que 29 desses 153 dias (ou um mês inteiro) foram usados para financiar desvios e corrupção. A estimativa é do Projeto Lupa nas Compras Públicas e se baseia no cruzamento de dados de compras governamentais com valores pagos por empresas pelos mesmos produtos.

Sanha do governo dobrou em 4 décadas

O peso dos impostos sobre os rendimentos vem, digamos, “aumentando consistentemente” no Brasil – e seria hilário, se não fosse trágico, usar um termo tão suave. O monstro simplesmente dobrou de peso.

Na década de 1970, os brasileiros trabalhavam em média 2 meses e 16 dias para bancar os impostos; nos anos 80, 2 meses e 17 dias; na década de 1990, 3 meses e 12 dias. Os 5 meses e 2 dias que trabalhamos em 2017 são o dobro do que se trabalhava na década de 1970 para sustentar o governo, seus discursos e seus comparsas.

Para quê?

Seria de esperar que os resultados de tanto “crowdfunding” fossem bastante mais apresentáveis que os que se esfregam na nossa cara todas as noites nos telejornais – e todas as horas em nossa vida concreta, tão distante do “tesouro” de Brasília.

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