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Santa Ágata, padroeira das doenças mamárias

Giovanni Lanfranco, 1614 (Public Domain)

Aleteia Brasil - publicado em 19/06/17

Entre história e lendas, o relato da vida e do martírio de uma das mais gloriosas heroínas da Igreja primitiva

Santa Ágata é uma das mais gloriosas heroínas da Igreja primitiva. Sua intercessão chega a ser invocada no cânone da Santa Missa. Também conhecida como Águeda, ela viveu entre os anos de 235 e 251.

Natural da Sicília, a jovem que pertencia a uma das famílias mais nobres da sua terra consagrou-se a Deus fazendo voto da castidade. A devoção popular foi atribuindo à sua vida, desde a antiguidade e ao longo dos séculos, uma série de versões romantizadas, que ganharam ainda mais extensão a partir da publicação da Legenda Áurea, em 1288 – mais de mil anos após o seu martírio. Entre lendas e lendas, não há informações fiáveis a respeito da sua morte – exceto o fato de que Santa Ágata realmente existiu e realmente foi martirizada com brutalidade.

Os relatos populares

Os relatos que foram passando de geração em geração dão conta de que o governador Quinciano, sabendo da formosura e grande riqueza de Ágata, resolveu acusá-la do “crime” de pertencer à religião cristã e mandou prendê-la. Vendo-se nas mãos dos perseguidores, ela exclamou:

“Jesus Cristo, Senhor de todas as coisas, vós vedes o meu coração e conheceis os seus desejos. Tomai posse de mim e de tudo que me pertence. Sois o Pastor, meu Deus; sou vossa ovelha. Fazei que seja digna de vencer o demônio”.

O governador ficou tomado de violenta paixão pela nobre cristã e se atreveu a importuná-la com propostas indecorosas. Ágata, indignada, rejeitou-lhe as impertinências e declarou preferir morrer a macular o nome de cristã.

Quintiano aparentemente desistiu de seus planos diabólicos, mas mandou entregar a donzela aos “cuidados” de uma mulher devassa chamada Afrodísia. Depois de um trabalho inútil de trinta dias tentando “mudar os conceitos” de Ágata, Afrodísia pediu a Quinciano que a levasse embora de sua casa.

O longo martírio

Começou então o martírio da nobre siciliana. Disse-lhe o governador em pleno tribunal:

“Não te envergonhas de rebaixar-te à escravidão do cristianismo quando pertences a uma família nobre?”

Ágata lhe respondeu:

“Servir a Cristo é liberdade e está acima de todas as riquezas dos reis”.

Em réplica, Ágata recebeu bofetadas tão barbaramente aplicadas que lhe causaram hemorragia no nariz.

Depois desta e de outras brutalidades, a santa mártir foi encerrada no cárcere sob ainda mais graves ameaças de tortura se não abandonasse a religião de Jesus Cristo.

O dia seguinte trouxe a realização dessas iniquidades. O tirano ordenou que a donzela fosse esticada, seus membros desconjuntados, seu corpo queimado com chapas de cobre em brasa e seus seios mutilados com torqueses de ferro. Ao ouvir em particular a sentença a esta última brutalidade, Ágata respondeu ao juiz:

“Não te envergonhas de mutilar numa mulher o que tua mãe te deu para te aleitar?”

É este episódio a raiz da devoção a Santa Ágata como especial intercessora nos casos de doenças mamárias.

A visão de São Pedro

Após essas torturas crudelíssimas, Ágata foi levada novamente ao cárcere, entregue às dores indescritíveis. Deus, porém, que confunde os planos dos homens, veio em auxílio da sua pobre serva. Durante a noite, apareceu-lhe um venerável ancião que se dizia mandado por Jesus Cristo para lhe trazer alívio. O ancião, depois identificado como o Apóstolo São Pedro, elogiou a sua firmeza e a encorajou a permanecer impávida no caminho da vitória.

A visão desapareceu e, com muita admiração, Ágata se viu completamente restabelecida. Sua cura milagrosa pela intercessão de São Pedro é representada na pintura de Giovanni Lanfranco (1614) reproduzida acima.

Cheia de gratidão, ela entoou cânticos de louvor à misericórdia e à bondade de Deus. Os guardas, ouvindo-a cantar, abriram a porta do cárcere e, vendo a mártir completamente curada, fugiram, cheios de pavor.

As companheiras de prisão de Ágata lhe aconselharam fugir. Mas ela disse:

“Deus me livre de abandonar a arena antes de ter segura em minha mão a palma da vitória!”

Passados quatro dias, foi novamente apresentada ao juiz, que não pôde senão admirar-se ao vê-la completamente restabelecida.

Ágata lhe disse:

“Vê e reconhece a onipotência de Deus, a Quem adoro. Foi Ele quem curou minhas feridas e me restituiu os seios. Como podes exigir de mim que O abandone? Não poderá haver tortura, por mais cruel que seja, que me separe do meu Deus!”

O juiz, porém, deu ordem para que Ágata fosse arrastada sobre vidros e brasas. Nesse momento, a cidade foi abalada por forte tremor de terra. Uma parede, bem próxima de Quinciano, desabou e sepultou dois dos seus amigos. O povo exigiu então a libertação da mártir:

“Eis o castigo que veio por causa do martírio da nobre donzela. Larga a tua inocente vítima, juiz perverso e sem coração!”

A morte

Ágata voltou ao cárcere e, em pé e de braços abertos, orou a Deus dizendo:

“Senhor, que desde a infância me protegestes, extinguistes em mim o amor ao mundo e me destes a graça de sofrer o martírio, ouvi as preces da vossa serva fiel e aceitai a minha alma”.

Santa Ágata acreditava que a morte seria um feliz final para as suas torturas. Um terremoto sacudiu naquele momento a prisão e ela veio enfim a falecer. Deus ouvira a voz de sua filha e a recebia em sua glória no ano 252.

O milagre do Etna

Passado um ano da morte da santa, a cidade siciliana de Catânia assistiu apavorada a uma erupção do monte Etna.

Em total aflição, o povo viu as ondas da lava ameaçarem a cidade e correu ao túmulo de Santa Ágata, tomando o véu que lhe cobria o rosto e estendendo-o contra a torrente de fogo. A cidade ficou a salvo do perigo da lava e este milagre começou a correr mundo. Até hoje, a mártir é venerada com imenso carinho pelo povo da Sicília.

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A partir de informações do blog Sanctorum

Tags:
História da IgrejaMártiresSantos
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