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Portugal: Bispos reivindicam medidas de prevenção a incêndios

AFP PHOTO / PATRICIA DE MELO MOREIRA

Agência Ecclesia - publicado em 23/06/17

Religiosos também vão fazer campanha para ajudar vítimas do incêndio que deixou pelo menos 200 feridos 64 mortos

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente, diz que incêndios como os de Pedrogão Grande, que teve um custo “caríssimo, em termos humanos e ambientais”, deve levar a repensar as estratégias de prevenção e segurança.

“Parece que estamos à espera de que quando temos tempo quente vamos ter incêndios, não. Isso pode ter uma resolução de raiz, outros países resolveram, deram passos firmes, não somos só nós que temos floresta, que temos pinhais e eucaliptais. É preciso atacar as causas para não termos as consequências”, realça aquele responsável, em declarações à Agência ECCLESIA.

Numa altura em que está a ser investigada a origem desta tragédia que abalou o país, e que de acordo com os últimos balanços causou 64 mortos e 200 feridos, D. Manuel Clemente sublinha que “uma desgraça” tão “grande” tem de levar à criação de “medidas estruturais” que mostrem que Portugal “não se conforma” com esta realidade.

Para o presidente da CEP, há toda uma reconfiguração “ecológica e ambiental” a fazer, de forma “consistente”, de modo a que a expressão “época de incêndios” deixe de fazer parte do léxico dos portugueses.

“A melhor maneira de homenagear os mortos é evitar que haja outros. Agora isso tem que ser efetivamente levado por todos, antes de mais pelo Estado que é o primeiro servidor do bem-comum e é quem tem recursos para isso”, refere o cardeal-patriarca de Lisboa.

Em abril deste ano, os bispos portugueses publicaram uma nota pastoral intitulada “Cuidar da casa comum – prevenir e evitar os incêndios”.

Nesse documento, os responsáveis católicos alertavam para a importância de ninguém, a começar pelas autoridades responsáveis, se “acomodar” no que toca à resolução do problema dos fogos, e salientavam que as soluções não se resumem à necessária “limpeza das matas” e ao “ordenamento territorial”.

“As causas do flagelo dependem direta ou indiretamente da vontade humana”, tendo “na origem de muitos incêndios, talvez da maioria, estão comportamentos criminosos, uns intencionais, outros pelo menos negligentes”, assinalavam os bispos.

Neste contexto, “há que apurar não apenas as causas da dimensão desta prática – o que verdadeiramente ainda se não conseguiu até hoje – como há sobretudo que detetar e combater interesses que dela possam beneficiar”.

No próximo dia 2 de julho, a Igreja Católica vai promover uma campanha nacional, durante as celebrações eucarísticas, a favor das vítimas dos incêndios que fustigaram o Concelho de Pedrógão Grande e vários outros concelhos vizinhos.

Para D. Manuel Clemente, “a primeira atitude dos católicos deve ser de solidariedade e presença, não podia ser de outra maneira, para levantar o ânimo das pessoas e permitir reconstruir o futuro”.

“Vamos ter esse primeiro domingo de julho reservado a rezar pelos que partiram e pelos que ficaram, por quem foi vitimado, e também recolher apoios financeiros que serão encaminhados para a Cáritas Portuguesa o que for preciso apoiar. É um dia que viveremos intensamente e solidariamente, mas temos que encontrar soluções de futuro e de raiz”, reforça o presidente da CEP.

Durante reunião em Fátima, a Conferência Episcolpal Portuguesa emitiu uma mensagem de pesar e de pedido de ajuda às vítimas. O texto completo segue abaixo:

“Reunidos em Fátima, nas Jornadas Pastorais e em Assembleia Plenária extraordinária, nós, os Bispos portugueses, acompanhamos com dor, preocupação solidária e oração a dramática situação dos incêndios que provocaram numerosas vítimas e que estão a causar enorme devastação no país.

Partilhamos, antes de mais, a dor dos que choram os seus familiares e amigos que perderam a vida, pedindo a Deus que os acolha junto de Si. Manifestamos igualmente o nosso reconhecimento e apoio aos bombeiros, às organizações de socorro e aos numerosos voluntários, nacionais e estrangeiros, que envidam todos os esforços para salvar vidas, minorar danos e evitar a perda de pessoas e de bens, mesmo à custa de canseiras e riscos pessoais.

Na sequência do que afirmámos na Nota Pastoral de 27 de abril de 2017 «Cuidar da casa comum – prevenir e evitar os incêndios», estamos conscientes da necessidade de medidas mais preventivas, concretas e concertadas sobre esta calamidade que todos os anos atinge o nosso país. Neste momento, porém, em cada uma das nossas Igrejas diocesanas, sentimo-nos próximos e comprometidos com a situação dramática dos que sofrem. A partir das nossas comunidades cristãs, das Cáritas Diocesanas e da Cáritas Portuguesa, e de outras instituições eclesiais, participamos no esforço de acudir às vítimas, providenciar meios de primeira necessidade e colaborar no ressurgir da esperança, da solidariedade e do alento para reconstruir a vida e o futuro.

Pedimos a todas as comunidades cristãs e a quem deseje associar-se que, além de outras iniciativas solidárias, dediquem a oração, o sufrágio e o ofertório do primeiro domingo de julho a esta finalidade e que enviem o produto desta recolha fraterna para a Cáritas Portuguesa [Conta Cáritas na CGD: 0001 200000 730 – IBAN: PT50 0035 0001 00200000 730 54], a fim de ser encaminhado com brevidade para aqueles que necessitam.

Fátima, 21 de junho de 2017″

com Agência Ecclesia 

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