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Histórias Inspiradoras

A figueira abençoada (Lc 13,6-9): misericórdia

Sylvie DUVERNEUIL/CIRIC

ESPAGNE / PROVINCE DE LEON : PELERINS SUR LE CHEMIN DE ST JACQUES DE COMPOSTELLE , DANS LA VALLEE DE SOMOZA EN MARCHE VERS RABANAL, EN EMPRUNTANT L'UN DES DEUX CHEMINS POSSIBLES : L'UN EN TERRE ROUGE, L'AUTRE BLANC. SUR LE CHEMIN, LINGE EN TRAIN DE SECHER.

Vanderlei de Lima - publicado em 05/07/17

A parábola (comparação que recorre à imagem ou história sensível para ilustrar uma verdade ou transmitir um ensinamento de ordem superior) é curtíssima e pode ser apresentada em apenas um parágrafo.

Um homem tinha, em sua vinha, uma figueira que há três anos não dava frutos, por isso ele decidiu cortá-la a fim de que não estragasse a terra. O vinhateiro, porém, pediu mais tempo ao dono da vinha. Prometeu cuidar melhor da árvore para que, talvez, desse frutos. Caso não produzisse nada, apesar dos cuidados, poderia, então, ser cortada.

Essa parábola está inserida em um contexto triste, por assim dizer: havia chegado até Jesus a notícia de que Pilatos misturara o sangue de galileus às suas vítimas e que a torre de Siloé caíra, matando dezoito pessoas. Ouvidas as narrativas, o Senhor tratou de desfazer o mal-entendido segundo o qual aquelas pessoas teriam passado por tais coisas por serem mais pecadoras que as outras e, portanto, merecedoras de castigos devido aos seus pecados (cf. Jo 9,3). Isso não é real: todos somos pecadores a necessitar de conversão (cf. Lc 13,1-5).

Chamam a atenção, porém, dois detalhes secundários: que faz uma figueira em meio à videira? Era figueira nova? Ressequida? Em condições de produzir? – Digamos, brevemente, o seguinte:

  1. a) no Oriente antigo, tolerava-se bem a presença de outras plantas que não atrapalhassem a produção de uvas no meio da vinha, embora esta fosse sempre bem cuidada. Daí não ser estranho haver uma figueira presente ali;
  2. b) ela não era, pelo contexto, figueira nova, pois os judeus só podiam comer do fruto de uma árvore jovem após cinco anos de produção (os primeiros três eram desprezados e o quarto ofertado a Deus, cf. Lv 19,23-25);
  3. c) não era figueira ressequida, pois, caso fosse, teria sido cortada logo. Devia ser, então, uma figueira selvagem que brota a partir de uma boa semente caída ali, mas para frutificar necessita de enxerto;
  4. d) o patrão deve ter dado crédito ao vinhateiro e esperado mais um ano para ver se a figueira daria seus frutos.

Pois bem, a figueira representa, conforme a nota f da Bíblia de Jerusalém, o povo de Israel que, mesmo com os três anos da vida pública de Jesus, se mantém sem sinais de dar frutos. Encontram-se os líderes do povo obcecados por uma ideia messiânica de libertação política, capaz de tirá-los do jugo romano a fim de fazê-los mais fortes em seu nacionalismo exacerbado. Nada mais!

A paciência de Deus parece esgotar-se (cf. Rm 2,3-6, dirigindo-se aos judeus), mas Jesus, o vinhateiro do Pai, é rico em misericórdia e intercede a Deus em favor do povo israelita (a figueira). Essa conversão não veio, a não ser em alguns indivíduos isolados, e, por isso, houve a destruição de Jerusalém pelos romanos no ano 70 da nossa era, ou seja, cerca de 30 anos após a morte e ressurreição do Senhor Jesus.

A parábola fala não só aos judeus daquele tempo, mas a cada um de nós nos dias de hoje. Afinal, ninguém está pronto e acabado para o encontro definitivo com o Pai celeste. Todos precisamos mudar de vida ou converter o nosso coração a fim de que ele produza muitos e bons frutos. Deus nos ajuda com sua graça. Ele é misericordioso e isso deve ser lembrado a cada dia.

Não nos esqueçamos, porém de que não é lícito e nem sábio brincar com a misericórdia de Deus. Afinal, quem de nós pode garantir que o Pai não pedirá contas de nossos atos em breve (daqui a 10 anos, 1 mês, 5 minutos)? De que modo nos apresentaremos a Ele a fim de Lhe devolver os talentos que nos foram dados (cf. Mt 25,14-30)?

– Queiramos, pois, refletir sobre essa parábola tão curta, mas, ao mesmo tempo, tão rica de ensinamentos.

Vanderlei de Lima é eremita na Diocese de Amparo.

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