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A Holanda pretende liberar a eutanásia para pessoas saudáveis

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Cultura da morte: até quando continuaremos indo ladeira abaixo?

Os políticos holandeses estão discutindo a possibilidade de legalizar a eutanásia para pessoas saudáveis. Pela proposta em debate, qualquer pessoa a partir dos 75 anos de idade poderia resolver que a sua vida “está completa” e teria direito a solicitar a eutanásia, mesmo estando perfeitamente saudável.

A atual legislação holandesa já permite a eutanásia para quem tem doença terminal e está sofrendo insuportavelmente – embora os critérios para definir o que seria na prática um “sofrimento insuportável” sejam subjetivos. Agora, Pia Dijkstra, do partido político D66, está à frente da proposta de lei que expandiria o alegado “direito de morrer” a qualquer pessoa com a “idade mínima” de 75 anos.

Este partido, aliás, tem sido determinante na apresentação e aprovação da maior parte da legislação assim chamada “progressista” que tornou a Holanda famosa mundo afora. Historicamente, é um partido pequeno, que nunca teve um primeiro-ministro; politicamente, no entanto, o D66 tem se mostrado efetivo em conseguir aprovar as suas propostas “inovadoras”.

O partido pretende legalizar a eutanásia para qualquer adulto que deseje morrer, independentemente de idade ou motivo. Interlocutores da legenda admitem que a atual proposta, com o “piso” de 75 anos, é apenas um passo rumo a esse objetivo mais amplo.

Em março, o líder do D66, Alexander Pechtold, participou de um programa na televisão durante o qual um homem de 57 anos afirmou que deseja morrer. O homem questionou a proposta que prevê a concessão desse “direito” só para os maiores de 75 anos: “Eu vou ter que aguardar mais 18 anos. Não quero esperar 18 anos. Eu quero agora”.

Pechtold respondeu:

“Na minha opinião pessoal, morrer é uma consideração individual em nossa civilização. Ninguém pediu para ser trazido ao mundo”.

Prosseguindo, ele declarou que, atualmente, existe apoio político para estender a eutanásia aos idosos saudáveis, mas não “ainda” a todos os cidadãos:

“Se quisermos manter esse apoio e não interromper a discussão, precisamos dar um passo de cada vez. Em 2002, aprovamos a eutanásia para os casos de sofrimento insuportável. Na minha opinião, Pia Dijkstra pode continuar persuadindo o parlamento e o país, nas minhas palavras e na minha opinião, a dar o próximo passo para a nossa civilização”.

Uma civilização de morte e descarte, especifique-se, quando bem poderia ser uma civilização de vida e acolhimento. Esta, afinal, é que é a escolha.

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