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Saiba como Satanás seduz as almas e como se proteger dele

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Thomas Skjaeveland | Shutterstock

Robert Cheaib - publicado em 14/07/17

Ele começa fazendo as coisas contrárias a Deus parecerem boas e inofensivas

“O grande truque do diabo é fazer-nos pensar que ele não existe”. Estas não são as palavras de um teólogo, nem mesmo de um santo: foram escritas pelo poeta francês Charles Baudelaire. A presença silenciosa, mas ativa de Satanás é como um câncer não detectado que, de uma forma desonesta e não percebida, corrompe um corpo e se instala em tantos órgãos quanto possível através de uma metástase letal.

Pe. Paolo Morocutti sabe muito bem disso. Ele é um exorcista da Diocese de Palestrina, uma das dioceses periféricas de Roma. Também é membro da AIE (Associação Internacional de Exorcistas, abreviado de seu nome em italiano) e professor de vários cursos para exorcistas.




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Muitas pessoas gostariam de conhecer um exorcista para que pudessem aprender mais sobre o diabo. Aqui está um pouco do que aprendemos quando conversamos com o Pe. Marocutti.

Alguns teólogos são da opinião de que os exorcismos bíblicos – incluindo aqueles realizados por Jesus – foram simplesmente curas de doenças que, naquela época, eram consideradas influências espirituais. O que o senhor pensa sobre esse assunto?

Na verdade, essa questão foi resolvida há muito tempo. Acima de tudo, é uma questão de honestidade intelectual. A exegese bíblica cuidadosa e a teologia séria reconhecem claramente a diferença entre a forma como Cristo lida com pessoas doentes e a maneira como ele trata as pessoas possuídas nos Evangelhos. Ele usa duas abordagens totalmente diferentes.

O Catecismo da Igreja Católica contém um ensinamento claro sobre este assunto, e nenhum bom católico pode deixá-lo de lado. Finalmente, gostaria de me referir aos ensinamentos dos santos, que, com a vida de união com Cristo que viveram dentro da Igreja, confirmaram o Magistério de forma clara e inequivocamente.




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Algumas pessoas defendem a extinção do ministério dos exorcistas, porque consideram que é uma usurpação do trabalho dos psicólogos. Como o senhor enxerga isso?

Eu leciono Psicologia Geral (na Faculdade de Medicina) e Cirurgia (na Universidade Católica do Sagrado Coração), e entendo bem a diferença entre as duas disciplinas. De acordo com a antropologia cristã, os seres humanos são sempre e em todos os lugares entendidos a partir de uma perspectiva integral e unida. As duas disciplinas não estão, de fato, em competição. Em vez disso, elas estão intimamente conectadas. Uma pessoa espiritualmente perturbada quase sempre precisa de apoio humano qualificado para interpretar a situação e avançar pacificamente. Quando o espírito é afetado, a carne também é afetada e vice-versa. O problema surge quando a Psicologia, especialmente a Psicoterapia, constrói suas convicções sobre conceitos antropológicos improváveis ou sobre os que estão longe do humanismo cristão.  Nesse caso, podem surgir dicotomias perigosas – ou, pelo menos, inconvenientes.

Quais os critérios usados para diferenciar casos psicológicos dos espirituais?

A sabedoria da Igreja, desenvolvida ao longo de milhares de anos através da formação de livros litúrgicos – que, entre outras coisas, faz parte do magistério oficial para nós católicos – estabelece um procedimento através do qual um sacerdote exorcista pode reconhecer o trabalho e a presença do diabo. Penso que é útil mencionar que, na última versão do rito, o exorcista é convidado a utilizar a ciência médica e psicológica para discernir melhor. Além disso, o rito indica como critério para reconhecera presença do maligno: falar línguas desconhecidas, saber ou revelar coisas escondidas e demonstrar força desproporcional à idade e ao estado natural do sujeito. Esses não são critérios absolutos; são sinais que, se identificados dentro de um quadro geral com atenção aos detalhes, podem ajudar muito um exorcista. É necessário dedicar muito tempo a ouvir a pessoa e fazer uma análise atenta do comportamento e hábitos de vida do sujeito. É importante concentrar-se mais na sua vida moral do que nos sinais, embora este último possa ser sempre uma grande ajuda.

Quais são os principais canais através dos quais a obsessão demoníaca ou a possessão podem surgir?

O canal principal é, definitivamente, o pecado – em particular, um estado de pecado grave, vivido deliberadamente e sem arrependimento. Essa condição geralmente expõe a alma à ação do diabo.

Além disso, os principais canais de ação de Satanás são: o esoterismo, a feitiçaria, o seguimento mais ou menos consciente de práticas filosóficas inspiradas nas religiões orientais ou, de alguma forma, incompatíveis com uma visão antropológica cristã e, finalmente, participação em grupos abertamente satânicos.

Frequentemente, essas realidades estão escondidas por ideologias aparentemente inócuas. Devemos ser cautelosos. Satanás nos seduz com falsa beleza, fazendo com que as coisas contrárias a Deus pareçam boas e inofensivas.

Ainda assim, no centro do processo de discernimento está sempre a ação moral de uma pessoa. Se uma pessoa age com retidão moral e permanece em estado de graça, buscando a verdade, é improvável que ele ou ela seja objeto de ação extraordinária do maligno. Obviamente, a vida de certos santos é uma exceção. Em alguns casos, devido à permissão especial de Deus, eles até experimentaram o combate com o diabo de maneira sangrenta.

O que o senhor aprendeu de positivo ao exercer este ministério que poderia deixar como lição e conselhos para nossos leitores?

Que o amor de Jesus Cristo por nossas almas é algo sério e que a alma deve ser protegida em um estado de graça, como o presente mais belo e sublime que Deus nos deu. Hoje, a sensação de pecado está desaparecendo cada vez mais, devido a uma compreensão profundamente equivocada da misericórdia. Neste ministério, entendi claramente que a Eucaristia, o sacramento da Confissão e o nosso amor por Maria Santíssima são os meios mais confiáveis para caminharmos sempre na graça e na verdade – e para sempre podermos apreciar a doce presença de Jesus em nossas almas.




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