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O maravilhoso corpo humano

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Por iko - Shutterstock

Vanderlei de Lima - Felipe Saba - publicado em 02/08/17

A complexidade humana, em sua beleza e organização, desafia a qualquer pensador de bom-senso ou cientista atento

Diz-se que o corpo humano pode ser tido como a mais bem construída usina do mundo ou, então, ser comparado a uma fábrica que funciona, automaticamente, sob o comando central e preciso do cérebro. Dele sai, por assim dizer, um cabo geral a perpassar toda a estrutura corpórea: é a espinha dorsal.

Incrivelmente, essa espinha parece uma inimaginável rede telefônica e por ela, os nervos vão de um extremo ao outro do corpo levando ordens cerebrais e trazendo, de forma extremamente rápida, informações do que ocorre em cada parte do organismo, tais como as sensações de frio, resistências, sons, calor, imagens etc.

Daí, já se vê que no cérebro se centralizam todas as atividades do corpo e é ele que coloca essas mesmas atividades em sintonia umas com as outras e as dirige, de modo ordeiro, a fim de que todo o corpo funcione bem. Mais: o cérebro não só faz tudo se movimentar, mas também grava e imprime na memória – como se ela fosse uma biblioteca – aquilo, de bom ou ruim, que a pessoa ouve, vê, toca e experimenta.

Sua estrutura consta de um total que vai de 500 milhões a 1 bilhão de células. Elas, como pequenas pilhas ou aparelhos telefônicos, assumem os comandos e ligações ocorrentes no corpo humano de uma forma tão rápida e precisa que nenhum meio de telefonia do mundo consegue se igualar. Melhor: tais meios parecem brinquedos de crianças ante a complexidade cerebral humana.

Há, ainda, no homem e na mulher dois importantes aparelhos receptores do mundo externo: os olhos (“fotografantes”) e os ouvidos (sons), além de um grande laboratório de química: o paladar, o tato, o olfato… e o estômago. Este órgão é uma das melhores usinas que há, pois produz entre doze e catorze substâncias complexas de modo muito ordenado a fim de transformar os alimentos, mediante a digestão, em sustento para o organismo. Cinco milhões de pequenas células trabalham no estômago para produzir os sucos digestivos, enquanto outras quarenta milhões atuam nos intestinos e mais trezentas e cinquenta milhões no fígado.

É também o sistema digestório, qual uma bem montada lareira, o responsável pelo aquecimento do corpo mantido a 37º. Toda essa caldeira é sustentada por uma forte máquina de moagem, como os dentes e a língua, que fazem as vezes de serralheria, moinho ou massadouro ao mesmo tempo.

Mais: os rins são filtros, ao passo que os pulmões, os poros, a bexiga e os intestinos funcionam como órgãos de limpeza e escoamento dessa complexa máquina. E os ossos? – São o arcabouço do corpo humano e nenhum mecanismo de ponte móvel pode causar cobiça ao esqueleto da pessoa, cujos músculos são muito parecidos com correias motrizes capazes de se esticar e encolher à vontade… Se treinados então, fazem maravilhas ainda maiores, como se veem nas competições olímpicas, paraolímpicas ou torneios de artes marciais etc.

Aliás, essa complexidade humana, em sua beleza e organização, desafia a qualquer pensador de bom-senso ou cientista atento, de modo que suas constatações são sempre muito interessantes de serem registradas a título de despertador de reflexões.Dom Estêvão Bettencourt, monge beneditino brasileiro, filósofo e teólogo, falecido em 2008, escreve, por exemplo, o que segue: “a mecânica não explicaria que o corpo humano, pesada massa de carne flácida, cujas articulações são propensas a dobrar todas simultaneamente, possa permanecer erguido sobre a base tão exígua da planta de seus pés; uma vez morto esse corpo cai, só podendo ser levantado pelas forças de dois ou três homens. E note-se que o equilíbrio do corpo humano vivo, contra todas as previsões, não é instável; resiste ao furacão e possibilita ao homem lutar em pé contra seus adversários” (Curso de Filosofia. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 2014, p. 182-183).

Ora, quem vê tudo isso é levado a pensar com Voltaire, filósofo racionalista francês do século XVIII: “Se há o relógio, tem de haver o Relojoeiro que fez tudo isso”.

Vanderlei de Lima é eremita na Diocese de Amparo; Felipe Saba é médico. Neurologia pela USP-Ribeirão, Fellow em Transtornos de Movimento e Mestre pela Universidade Católica de Milão-Itália.

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