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O coração e os ouvidos humanos

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Vanderlei de Lima - Felipe Saba - publicado em 07/08/17

Vem de longuíssima data as expressões “aprender de cor” e “escuta bem o que vou lhe falar”

Logo de início, pode o(a) leitor(a) estar perguntando a razão da preferência desses dois órgãos do nosso corpo e não de outros a serem tratados aqui. A pergunta é justa e cabível. Sua resposta é a seguinte: porque o coração e os ouvidos são muito valorizados pelos antigos. Daí, a nossa escolha.

Vem de longuíssima data as expressões “aprender de cor” e “escuta bem o que vou lhe falar”. Ora, o coração (cor, cordis, em latim) é tido, na vida sentimental e literária especialmente, como a sede do amor. Portanto, quem guarda algo de bom na memória, é capaz de sabê-lo de cor. Repete-o de coração, gesto diferente de decorar algo apenas para uma prova e dias depois se esquecer de tudo ou de quase tudo.

O próprio Senhor Jesus, no Evangelho, diz que todo o mal procede do coração humano (cf. Mateus 12,34), de modo que os católicos temos a tradição de fazer o sinal da cruz (persignação) na testa – pelo sinal da Santa Cruz – na boca – livrai-nos Deus, Nosso Senhor – e no peito – dos nossos inimigos. Lembra, respectivamente, o combate aos maus pensamentos, às más palavras e aos maus desejos nascidos no coração e que nos causam grandes males.

Daí, dizerem bons estudiosos que o coração humano pode ser comparado a uma bomba potente, cujo embolo reproduz seus movimentos cerca de 100 mil vezes ao dia; assim faz com que o sangue circule em todo o organismo dentro de 13 segundos. Há, aqui, um dado interessante: a organização do coração é tão perfeita que a cada batida ele descansa, fazendo um percurso intercalado de 12 horas de trabalho e 12 de repouso.

Devido a esse bombeamento do coração, cada uma das 800 bilhões de células que compõem o corpo humano pode captar do sangue o alimento de que necessita, mas deixa o restante às células vizinhas sem jamais haver falhas. Isso tudo se dá de modo muito discreto, de forma que se não fossem as modestas pulsações a pessoa nem teria noção de todo esse belo trabalho cardiovascular.

Mais um dado: cientistas calculam que para fazer o seu trabalho – o sangue percorrer milhares de vezes ao dia o corpo inteiro – a “central” do coração desprende um potencial avaliado em 87.000 quilogramas de trabalho diário. Esse potencial seria o equivalente necessário para se levantar 87.000 Kg a um metro do solo.

Nessa atividade contínua por 60, 70… 100 anos, o coração faz circular 25 bilhões de glóbulos vermelhos levando oxigênio aos ossos, à pele, aos músculos, aos nervos, às glândulas e trazendo de volta o que o corpo não precisa, tal como líquido excedente e carbono, a fim de serem expelidos pelos rins, fígado e pulmões. Nos pulmões, algo de grandioso também se dá: ele tem dois milhões de vesículas que se postas lado a lado atingiriam uma área de 200 metros quadrados. Pois bem, nessas vesículas os glóbulos vermelhos entram em contato com o ar e, em apenas alguns décimos de segundos, descarregam o ácido carbônico e se recarregam de oxigênio para o organismo. Em 24 horas, 10 mil litros de sangue passam pelos pulmões e aí são purificados e renovados.

Sobre os ouvidos, também a Bíblia, no Antigo Testamento, tem o Shemá, Israel (Escuta, Israel!), a Mensagem de Deus (cf. Deuteronômio 6,4). Ora, a escuta se dá pelos ouvidos, órgãos que começam por uma espécie de funil capaz de recolher os sons, é dotado de almofadas de carne para melhor captarem a direção do som e cílios de cera a deterem os insetos ou poeiras. No fundo, está o tímpano, que vibra como um tambor.

Essas vibrações timpânicas são transmitidas por ossinhos amplificadores do som que chegará a um pequeno órgão chamado caracol. Este tem uma membrana que, à moda de harpa, possui 6000 cordas, sendo a menor do comprimento de 1 vigésimo de milímetro e a maior – que capta os sons mais graves – de meio milímetro. Todas essas cordas são ligadas harmonicamente a 6000 pequeníssimos nervos capazes de receber os 12 tipos de tons que um ser humano é capaz de ouvir.

Disso tudo, pode-se concluir: “Se há o relógio, tem de haver o Relojoeiro”!

Vanderlei de Lima é eremita na Diocese de Amparo; Felipe Saba é médico. Neurologia pela USP-Ribeirão, Fellow em Transtornos de Movimento e Mestre pela Universidade Católica de Milão-Itália.

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