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Na pressa de sepultar a religião, a Europa cairá na própria cova

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A Europa que rejeita as próprias raízes não se sustentará

Minha avó paterna costumava soltar frases inteiras em italiano quando conversava entusiasmadamente. Seus filhos nascidos nos Estados Unidos lhe recordavam: “Mamãe, você está na América. Nós não falamos mais essa língua“.

No álbum de família, minha avó faz parte de uma narrativa que começa com imigrantes empobrecidos e avança rapidamente para a imagem de um dos seus filhos erguendo um carro, de tão forte que era. Sua irmã aparece em pose de estrela, num modesto maiô. Há fotos de um casamento e, de repente, o álbum revela uma forte mudança para o lado irlandês, à medida que as culturas iam se misturando.

A mobilidade ascendente faz uma breve aparição antes do baque financeiro. Uma breve recuperação permite belas cerimônias de batismos, casamentos e primeiras comunhões antes de um segundo desastre, quase aniquilador. Depois, o álbum perde o seu significado. Deixa de haver uma história porque não há mais coerência: apenas imagens formais, geralmente seguindo a tendência da época. Um carro aqui, um bolo ali, a próxima casa acolá.

A narrativa terminou porque a família, em sua essência, terminou. A própria palavra “família” deixou de ter significado para muitos de nós.

Nós não falamos mais essa língua”.

No entanto, aqueles que conseguiram se manter ligados a esta palavra e à linguagem do amor em que ela se enraíza construíram novas narrativas, sanaram-se e fortaleceram-se no paradoxo do sacrifício e do serviço a algo que é maior que nós e que nos torna plenos, livres e suficientemente destemidos para não desprezar o antigo dialeto, mas reaprendê-lo e reabraçá-lo.

Estes pensamentos me surgiram depois de ler esta descrição da Casa da História Européia, que me parece um álbum de família incoerente e morto:

“Os andares dedicados às atrocidades do século XX, a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais, são particularmente impressionantes. O visitante chega a essa parte da exposição no escuro, sentindo-se desorientado. É uma experiência física do estado mental de quem atravessa a impressionante exposição da Casa sobre o Holocausto.

Após essas imagens agitadoras, o último andar é realmente decepcionante. Ele é reservado a uma visão geral das instituições da União Europeia, como o Parlamento Europeu, o Conselho Europeu e a Comissão Europeia (…) Mas o mais notável nessa Casa é que, para ela, é como se a religião não existisse na Europa – e não só na atualidade: é como se a religião nunca tivesse existido nem impactado a história do continente”.

Sem o reconhecimento da sua história espiritual, esse museu de Bruxelas está dizendo, em essência, “Nós não falamos mais essa língua. E não queremos nenhuma ligação com as nossas raízes”.

Se for isso mesmo, se a Europa estiver mesmo empenhada em eliminar a língua e a memória da fé, então a sua narrativa chegará a um final rápido, deliberado e sem glória. A Europa se sepultará no túmulo “sustentável” que ela própria já está cavando.

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