Aleteia

Vaticano responde à carta de ativista gay brasileiro que batizou filhos adotivos

Facebook Toni Reis
Compartilhar
Comentar

Mas atenção: o documento não legitima, em nenhuma hipótese, a união de pessoas do mesmo sexo

É preciso esclarecer o que vários meios de comunicação acreditaram ser um apoio, por parte do Papa Francisco, ao casamento gay e à adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo. A verdade é que esse apoio nunca foi dado pelo pontífice nem por seus assessores.

A Secretaria de Estado do Vaticano respondeu, sim, à carta que Toni Reis, de Curitiba, PR, enviou ao Papa Francisco. Reis afirma que, na carta, agradece à Igreja Católica pelo batismo de seus três filhos adotivos. No entanto, o conteúdo da carta original escrita pelo brasileiro não foi divulgado.

“À Secretaria de Estado chegam milhares de cartas todos os dias”, comentou uma fonte ligada ao Vaticano para indicar que há uma clássica deferência educada para responder às pessoas que escrevem ao Papa. Os textos dessas cartas obedecem a um padrão genérico, pois seria impossível responder a cada uma delas, referindo-se a seus conteúdos particulares.

Um leitor atento vai perceber que a carta em questão é dirigida a uma só pessoa, não a um casal.

Reis recebeu a resposta assinada por Paolo Borgia, assessor para os assuntos gerais da Secretaria de Estado (nomeado pelo Papa em abril de 2016), que diz que o pontífice “viu com apreço a carta” (sem mencionar o conteúdo sobre os filhos que foram batizados e o fato de se tratar de um casal do mesmo sexo).

Como acontece em todos os casos, o monsenhor italiano agradeceu em nome do Sucessor de Pedro:

“Também o Papa Francisco lhe deseja felicidades, invocando para sua família a abundância das graças divinas, a fim de viverem constantemente e fielmente a condição de cristãos, como bons filhos de Deus e da Igreja”, diz a carta com data de 1o de julho de 2017.

Reprodução / Facebook

Note novamente que não existe nenhuma referência à carta enviada por Reis, reconhecido ativista em prol dos direitos dos casais homossexuais no Brasil.

Portanto, uma frase-padrão em relação à família não pode ser interpretada como um apoio direto ou uma aprovação a algo que não é concebido pela Igreja.

Cabe recordar que o Catecismo da Igreja Católica e a Amoris Laetitia falam sobre a necessidade de acompanhar as situações complexas das famílias com integrantes homossexuais.

“A Igreja conforma o seu comportamento ao do Senhor Jesus que, num amor sem fronteiras, se ofereceu por todas as pessoas, sem exceção” (Amoris Laetitia,250).

No parágrafo seguinte, o documento indica que “não existe nenhum fundamento para assimilar ou estabelecer analogias, nem sequer remotas, entre as uniões homossexuais e o desígnio de Deus sobre o matrimônio e a família” (Amoris Laetitia, 251).

A carta do Vaticano foi divulgada por Toni Reis, que assegurou ter relatado ao Papa a sua experiência de fé com os três filhos adotivos: Alyson, Jéssica e Filipe, batizados em uma igreja católica de Curitiba.

Segundo fontes locais, Reis e outro homem – David Harrad – vivem juntos há 27 anos. Em 2011, formalizaram a relação na justiça brasileira, que reconhece civilmente a união estável de pessoas do mesmo sexo.

Boletim
Receba Aleteia todo dia