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São Lourenço, o mártir grelhado vivo

Jacobello del Fiore - Domínio Público
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“Virem-me, que deste lado já estou bem assado”, declarou ele, mantendo o seu famoso bom humor até na hora da morte

O espanhol São Lourenço foi um dos primeiros diáconos da Igreja – e tão fiel e convicto na fé que nem sequer os açoites e as chamas com que foi torturado e martirizado puderam afastá-lo de Cristo.

Natural de Huesca, ele viveu no século III e serviu a Deus na Igreja de Roma. A tradição nos conta que ele mantinha grande amizade com o Papa Sisto II. A propósito, ao ver este Papa sendo encaminhado ao martírio, perguntou-lhe:

“Pai, aonde vais sem o teu filho? Tu jamais ofereceste o sacrifício sem a assistência do teu diácono e vais agora sozinho para o martírio?”

O Papa lhe respondeu:

“Mais uns dias e te aguarda uma coroa ainda mais bela!”

De fato, durante a perseguição do imperador Valeriano, o prefeito local exigiu de Lourenço os tesouros da Igreja, por cuja administração ele era responsável, bem como pelo sustento de muitos necessitados. O diácono pediu um prazo, reuniu os órfãos, cegos, coxos, viúvas e idosos, apresentou-os ao prefeito e disse:

“Eis aqui os nossos tesouros! Eles nunca diminuem e podem ser encontrados em toda a parte”.

Sentindo-se insultado, o prefeito mandou torturar o santo com suplícios que incluíram até um braseiro ardente. São Lourenço, que era conhecido pelo ótimo humor, encontrou forças, no Espírito Santo, para se manter espirituoso mesmo no auge do sofrimento, e, enquanto o queimavam vivo numa espécie de grelha, fez uma das declarações mais inusitadas de toda a história do martírio cristão:

“Virem-me, que deste lado já estou bem assado”.

Intercedendo por todos os cristãos, ele acabou morrendo mártir em 258.

Seu culto era tão importante que, depois de São Pedro e São Paulo, a festa de São Lourenço chegou a ser a maior da antiga liturgia romana.

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