Aleteia

O dia em que Nossa Senhora não apareceu em Fátima…

Domínio Público
Compartilhar
Comentar

porque os pastorinhos tinham sido presos!

Em 13 de agosto de 1917, Nossa Senhora ia aparecer mais uma vez na Cova da Iria, como tinha prometido aos três Pastorinhos de Fátima. Ela, afinal, lhes apareceria todo dia 13 entre os meses de maio e outubro daquele ano. A exceção foi, precisamente, agosto, quando lhes apareceu no dia 15 por conta de um episódio de brutal boçalidade ocasionado pelo administrador de Ourém: ele mandara nada menos que prender as três criancinhas e fazer-lhes ameaças covardes, ignorando criminosamente a fragilidade daqueles pequenos indefesos de meros 10, 9 e 7 anos de idade!

O governo republicano e laicista de Portugal estava tentando sufocado a Igreja com um conjunto de leis injustas, proibindo toda manifestação pública da fé católica sem aprovação prévia das autoridades civis. Foi com base nessa disposição que o administrador de Ourém mandou aprisionar os pastorinhos naquele 13 de agosto, submetendo-os a violentos assédios.

Eis como a irmã Lúcia descreveu a situação, nas suas Memórias:

Quando, passado algum tempo, estivemos presos, a Jacinta, o que mais lhe custava era o abandono dos pais; e dizia, com as lágrimas a correrem-lhe pelas faces:
– Nem os teus pais nem os meus nos vieram ver. Não se importaram mais de nós!
– Não chores – lhe disse o Francisco.
– Oferecemos a Jesus, pelos pecadores.

E, levantando os olhos e mãozinhas ao Céu, fez ele o oferecimento:
– Ó meu Jesus, é por Vosso amor e pela conversão dos pecadores.

A Jacinta acrescentou:
– É também pelo Santo Padre e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.

Quando, depois de nos terem separado, voltaram a juntar-nos em uma sala da cadeia, dizendo que dentro em pouco nos vinham buscar para nos fritar, a Jacinta afastou-se para junto duma janela que dava para a feira do gado. Julguei, a princípio, que se estaria a distrair com as vistas; mas não tardei a reconhecer que chorava. Fui buscá-la para junto de mim e perguntei-lhe por que chorava:

– Porque – respondeu – vamos morrer sem tornar a ver nem os nossos pais, nem as nossas mães! E com as lágrimas as correr-lhe pelas faces: – Eu queria pelo menos ver a minha mãe!
– Então tu não queres oferecer este sacrifício pela conversão dos pecadores?
– Quero, quero. E com as lágrimas a banhar-lhe as faces, as mãos e os olhos levantados ao Céu, faz o oferecimento: – Ó meu Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores, pelo Santo Padre e em reparação dos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.

Os presos que presenciaram esta cena quiseram consolar-nos:
– Mas vocês – diziam eles – contem lá ao senhor administrador esse segredo. Que lhes importa que essa Senhora não queira?
– Isso não! – respondeu a Jacinta com vivacidade. – Antes quero morrer.

Determinamos, então, rezar o nosso terço. A Jacinta tira uma medalha que tinha ao pescoço, pede a um preso que lhe pendure em um prego que havia na parede e, de joelhos diante dessa medalha, começamos a rezar. Os presos rezaram connosco, se é que sabiam rezar; pelo menos estiveram de joelhos.

Terminado o terço, a Jacinta voltou para junto da janela a chorar.
– Jacinta, então tu não queres oferecer este sacrifício a Nosso Senhor? – lhe perguntei.
– Quero; mas lembro-me de minha mãe e choro sem querer.

Então, como a Santíssima Virgem nos tinha dito que oferecêssemos também as nossas orações e sacrifícios para reparar os pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria, quisemos combinar a oferecer cada um pela sua intenção. Oferecia um pelos pecadores, outro pelo Santo Padre e outro em reparação pelos pecados contra o Imaculado Coração de Maria. Feita a combinação, disse à Jacinta que escolhesse qual a intenção por que queria oferecer.
– Eu ofereço por todas, porque gosto muito de todas.

A partir do blog Senza Pagare

Boletim
Receba Aleteia todo dia