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Os cátaros – realidade ou lenda?

Daniel Gonzalez Acuna/NurPhoto
SEVILLE,SPAIN: Nazarenos of the Brotherhood called El Valle during its parade to Cathedral on Holy Thursday. Seville, Spain, 2 April, 2015. The Capricote, which they wear on their heads, is a pointed hat that was worn by clowns and jugglers who wanted to portray clumsiness or stupidity during medieval times. Because of this, pointed hats were used when vexing criminals. The criminals were forced to wear pointed hats and walk through the streets, while people threw rotten vegetables at them, spat on them, and insulted them. Later, during the celebration of the Holy Week/Easter in Mediterranean countries, penitentes (people doing penance for their sins) would walk through streets with pointed hats. It was a way of self-injury; however, they covered their faces so they wouldn't be recognized. Daniel Gonzalez Acuna/NurPhoto
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Sua doutrina, resumida em 10 pontos

Corria o século XII e na Europa surgiram alguns clérigos que pregavam por conta própria. Chamavam-se “bons cristãos”. Eles renunciaram à Igreja. Este movimento, o catarismo, enraizou-se em algumas partes do velho continente até o século XIV. França, Renânia, Itália, Bélgica, Inglaterra, Catalunha e a Coroa de Castela são os pontos no mapa onde eles estavam presentes. Que eram? Por que eles se revoltaram? O que defendiam?

Sergi Grau Torras é doutor em Filosofia e licenciado em História. Especialista em catarismo, é autor do livro La invención de los cátaros (Angle Editorial, 2016). Ele assegura que foi construída uma imagem em torno dos cátaros que tem convencido, mas “tem pouco a ver com a realidade”. Seu objetivo é contar a história real a partir de tudo o que permanece documentado.

Cátaro vem do grego puro, limpo

“Os cátaros foram cristãos que renunciaram à liturgia, à hierarquia e à Igreja e que se apresentavam como uma alternativa”, explica. Sergi Grau destaca 10 características que nos permitem esclarecer as ideias sobre o catarismo e distinguir a realidade da ficção:

  1. Renegam o batismo. Eles acreditavam que é necessário ter a consciência de se tornar parte da Igreja. Seu ritual era uma espécie de batismo espiritual que consistia na imposição das mãos, momento a partir do qual se convertiam em “bons cristãos” e deviam cumprir fielmente o Evangelho. Segundo eles, a Igreja havia perdido este valor.
  2. Pregam em pares. Cumprir o Evangelho significa também pregá-lo. Eles faziam isso em pares e de forma itinerante. Os cátaros não estavam sempre em um lugar físico particular, pois acreditavam que Deus estava onde eles estavam.
  3. Acreditam na reencarnação. Entendem que “a alma não morre, mas passa de corpo a corpo”.
  4. Apresentam outra visão da origem do mal no mundo. Trata-se de um novo caminho para a salvação da alma e uma nova reflexão. Defendem que o mal vem de outro Deus que não tem nada a ver com cristianismo, mas surge a partir de uma criação demoníaca.
  5. A mulher tem um papel importante e pode pregar. De acordo com Sergi Grau, “as mulheres viram os cátaros como um grupo onde podiam desenvolver a religião como faziam os homens”.
  6. Contam com uma sólida formação. Vale destacar que eles traduziram a Bíblia ao catalão, ao castelhano e ao francês.
  7. Seu tesouro: o Santo Graal. Diz a lenda que esta igreja guardava o Santo Graal no Mosteiro de Montsegur, na Catalunha (Espanha).
  8. Cinco documentos são preservados, dos quais três se referem a cerimônias: A Ceia Secreta, O livro dos dois princípios, O ritual occitano de Lyon, O anônimo e Summa Catharis.
  9. Sua herança: a pregação. Apesar de serem considerados hereges, o catolicismo partilha com eles a importância da pregação – e sua arma principal para neutralizar os cátaros era, precisamente, a pregação, como mostra a vida de São Vicente Ferrer.
  10. Um cátaro contemporâneo é Juan de San Grial. Trata-se do russo Johann Bereslavskiy, fundador da nova escola cátara, e está em constante contato com líderes das diferentes religiões cátaras em todo o mundo, bem como personagens intelectuais proeminentes, como mestres do sufismo e do budismo zen. Em 2001, este místico recebeu o Prêmio da Paz Albert Einstein.