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5 dicas para lidar com o Transtorno Depressivo Persistente – o mais moderado, ‘temperamental’ tipo de depressão

Marcos Mesa Sam Wordley | Shutterstock

Alejandra M. Correa - publicado em 28/08/17

Eu costumava pensar que eu era apenas uma pessimista crônica, até que descobri que eu tinha transtorno depressivo persistente

Eu tenho lutado contra o  transtorno depressivo persistente (PDD, sigla em inglês para Persistent Depressive Disorder), anteriormente conhecido como Distimia, a maior parte da minha vida. Significa que me encontro mais frequentemente triste do que alegre. Eu sempre pensei que eu era apenas uma pessimista crônica. Eventos importantes da vida, como mudanças na escolaridade ou amizades, agravavam minha condição. No entanto, apesar disso, eu era engenhosa e consegui seguir adiante, mesmo que nuvens sombrias nunca estivessem muito distantes.

Morei no exterior por um tempo e quando voltei eu tive um ataque grave de depressão. Mal podia sair da cama de manhã. Foi a primeira vez na minha vida que eu procurei ajuda de um médico para a minha depressão, e fui diagnosticada com PDD. No começo eu senti uma sensação de alívio. Consegui finalmente pôr um nome ao que eu tinha sentido por tanto tempo.

Quase imediatamente o meu médico sugeriu medicação. No início, eu recusei. Sentindo-me derrotada, optei por procurar terapia para classificar minhas emoções. Parecia que passara toda a minha vida atravessando uma densa selva de emoções. Armada com a minha persistência, eu consegui cortar o desânimo e sobreviver. Mas no fundo eu sabia que a terapia não seria suficiente.

Isso foi em 2008. Desde então tenho permanecido firme, agora sem medicação, e tenho conseguido lidar com a maior parte do meu dia-a-dia a partir do que aprendi através da terapia. No entanto, eventos importantes da vida ainda me balançam. Em questão de seis anos consegui me casar, me mudar para o exterior pela segunda vez, ter dois filhos e voltar para a cidade natal do meu marido. A medicação era uma bênção naqueles tempos de mudança considerável, mas eu sempre me agarrei à esperança de que algum dia eu iria encontrar uma maneira natural de lidar com os sintomas.

Ao longo dos meus anos de pesquisa sobre a depressão, eu compreendi que isso é algo que eu terei que lidar para o resto da minha vida. Não há nenhuma mágica, ou livro de autoajuda mais vendido, ou medicação perfeita. Mas eu descobri que é possível aliviar muitos dos sintomas da depressão simplesmente vivendo um estilo de vida saudável. Aqui estão 5 dicas que mudaram minha vida:

  1. Corte ou elimine açúcares refinados
Pexels Photo

A ideia aqui não é cortar açúcar e carboidratos, mas açúcares refinados e carboidratos rápidos. Alimentos como pão branco, arroz branco, massas, biscoitos e bolos – que podem elevar o açúcar no sangue – são como veneno para aqueles que sofrem de depressão. Especialistas do Brain Bio Center em Londres afirmam que “o açúcar no sangue é frequentemente o maior fator nos distúrbios do humor”. O “cérebro depende de um suprimento uniforme de glicose” e os repentinos altos e baixos picos de açúcar “têm implicado em comportamento agressivo, ansiedade, depressão e fadiga”.

Eliminar todos os alimentos processados, bem como açúcares refinados e carboidratos rápidos, ajudou a aliviar os meus sintomas. Meu humor é mais estável e eu não me sinto cansada e triste a maioria das vezes. Pesquisas mostram que o açúcar é como uma droga. Quanto mais cedo você eliminar, mais cedo você começará a se sentir melhor.

  1. Exercício 3 a 5 vezes por semana pelo menos durante 30 minutos
Pexels Photo

Uma vez que seus níveis de açúcar no sangue tenham estabilizado porque você abandonou os açúcares refinados, você terá mais energia para começar um programa cardio moderado. A escola de medicina de Harvard informa que “o exercício regular pode melhorar o humor em pessoas com depressão leve a moderada”. Também pode desempenhar um papel de apoio no tratamento da depressão grave. Na verdade, os médicos sugerem que, para algumas pessoas, “exercício pode ser um substituto aceitável dos antidepressivos”.

O exercício ajuda a melhorar a produção de endorfina, que é liberada durante o exercício e pode ajudar a melhorar o humor. Claro, a dificuldade é começar. Começar lentamente é fundamental. A chave é ser perseverante, adicionando mais tempo e intensidade gradualmente. Uma vez que você se exercita até cinco dias por semana, você vai sentir os frutos do seu trabalho em seu estado de espírito estável. Posso dizer-lhe que este foi o maior indicador de mudança para mim. Eu nunca gostei muito de me exercitar. Mas agora que estou ciente de que tem certa qualidade medicinal para minha saúde mental, eu me esforço para ser perseverante.

  1. Descanse bastante

Alexander Possingham

O Instituto de Medicina de Washington D.C. relata que “pessoas que sofrem de insuficiência do sono são também mais propensas a sofrer de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, depressão e obesidade…” A falta de sono não faz mal apenas para a nossa saúde, mas também leva a hábitos pouco saudáveis. A prestigiosa organização Mayo Clinic observa que a falta de sono leva a comer em excesso alimentos de alto teor calórico e, em geral, a menos atividade física.A boa notícia é que todas essas dicas se baseiam umas nas outras. Se você começar a comer de forma mais saudável e fazer exercício, pelo menos, três vezes por semana, em breve você terá mais energia. Consequentemente, isso naturalmente levará você a ir para a cama mais cedo. Se você é uma coruja noturna como eu, isso é bastante notável. Desde que eu fiz essas mudanças simples, tenho consistentemente dormido sete a oito horas todas as noites. Eu também durmo mais profundamente, permitindo-me acordar sentindo renovada e energizada. Descansar o suficiente é fundamental para uma vida saudável e contínua. É um efeito dominó.

  1. Desenvolver uma vida de oração

Em seu livro  Confissões, Santo Agostinho exclamou poeticamente “nos fizeste para ti, e nosso coração está inquieto enquanto não encontrar em ti descanso” (Livro Primeiro, Capítulo 1 – Louvor e Vocação). A inquietação é a incapacidade de descansar ou relaxar por causa da ansiedade ou do tédio. Depressão, em certo sentido, é um tipo de inquietação. Estamos tão consumidos por nossa tristeza e melancolia que não podemos relaxar ou descansar. Uma maneira de encontrar descanso e paz é através da oração. No entanto, na maioria das vezes a oração requer silêncio; é um diálogo com Deus. O silêncio é difícil para aqueles com depressão. O silêncio nos convida a classificar nossos pensamentos e misérias. No entanto, visto de outro ponto de vista, silêncio e oração também pode ser uma oportunidade para descansar. É como falar com um velho amigo e apenas deixar tudo sair. Deus vai escutar. Dizem que Deus nos criou para a felicidade. Se isso é verdade, Ele certamente ajudará a aliviar nossa dor. Só há uma maneira de descobrir. Tente rezando.

Quer mais evidências de que a oração pode realmente ajudar? “Uma pesquisa científica, começando com os estudos de Herbert Benson na escola médica de Harvard, mostrou que as práticas contemplativas ou meditativas têm grandes benefícios para a saúde, incluindo benefícios para a depressão e a ansiedade”, Dr. A. Kheriaty escreve em The Catholic Guide to Depression. A oração é um meio para se aproximar de Deus e, ao mesmo tempo, tem benefícios para a saúde mental. 

  1. Descarte os livros de autoajuda

Pesquisadores da Universidade de Montreal dizem que os consumidores de livros de autoajuda, que gastam US$ 10 bilhões nesses tipos de títulos nos EUA, estão na realidade alimentando sua própria depressão ao invés de ajudá-la  lendo esses livros. É muito mais eficaz procurar ajuda profissional, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que é comprovada para ajudar aqueles com depressão.

Eu era viciada nesses livros, mas prometi parar de lê-los depois de perceber que após tantos anos eu nunca me senti melhor. Para ser justa, é difícil saber se os livros de autoajuda realmente agravam a depressão, ou se as pessoas propensas à depressão são atraídas apenas para esse gênero. Eu admito, eu estava sempre procurando por essa fórmula mágica; uma agulha em um monte de milhões de literatura de autoajuda. Não existe. Nenhum livro mudou minha vida.

Tags:
DepressãoDescansoMulherPsicologia
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