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A jovem que se livrou do diabo graças ao nome de Maria

Carlo Dolci - Domínio Público
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Um relato popular contado por Santo Afonso Maria de Ligório

No capítulo décimo do livro “As Glórias de Maria”, Santo Afonso Maria de Ligório nos relata uma popular história piedosa a respeito de um episódio que teria ocorrido por volta do ano 1465.

Segundo esse relato, morava na localidade holandesa de Güeldres uma jovem chamada Maria, que havia ido até a cidade de Nimega para levar um recado, mas ali sofrera um tratamento agressivo por parte de uma tia.

Retornando para casa ofendida e com raiva, ela invocou a ajuda do demônio, que lhe apareceu em forma de homem e lhe impôs algumas condições para auxiliá-la:

– Não te peço outra coisa: de agora em diante, não faças mais o sinal da cruz. Também mudarás de nome.

– Não farei mais o sinal da cruz, mas não mudarei o meu nome de Maria. Gosto muito dele.

– Então não te ajudarei.

Depois de muita discussão, a jovem e o diabo chegaram a um acordo: ela se chamaria apenas pela primeira letra do nome de Maria, M. Depois desse pacto, ambos foram para Amberes, onde a jovem levou má vida durante seis anos na companhia diabólica até lhe dizer, certo dia, que desejava voltar para a sua terra. O demônio detestou a ideia, mas consentiu. Chegados a Nimega, viram que estava sendo representada em praça pública a vida de Santa Maria.

Ao ver a representação, a pobre M começou a chorar, pois, no fundo, a sua frágil devoção à Mãe de Deus continuava viva. O companheiro a puxou pelo braço para levá-la dali, mas ela resistia. Vendo que a perdia, o diabo a levantou, enfurecido, e a jogou para o meio do teatro.

A jovem foi se confessar com o pároco, que a remeteu ao bispo e este ao Papa. Depois de ouvir sua confissão, o Pontífice lhe impôs como penitência levar sempre três argolas de ferro: uma no pescoço e as outras nos braços.

A jovem Maria obedeceu e se retirou como penitente a um mosteiro em Maastricht, onde viveu durante quatorze anos. Certa manhã, notou, ao levantar-se, que as três argolas tinham se rompido. Passados mais dois anos, ela morreu com fama de santidade e, conforme um pedido que tinha feito em vida, foi enterrada com aquelas três argolas: elas simbolizavam que, de escrava do inferno, a jovem pôde transformar-se em feliz escrava de Maria Santíssima, sua libertadora, graças ao Santo Nome de Maria.

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