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A relação entre Madre Teresa de Calcutá e Santa Teresinha do Menino Jesus

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Duas santas unidas pelo Coração de Jesus

“De sangue, sou albanesa. De cidadania, indiana. Em relação à fé, sou uma freira católica. Por vocação, pertenço ao mundo. No que se refere ao meu coração, pertenço totalmente ao Coração de Jesus”, costumava dizer a Madre Teresa de Calcutá, cuja solenidade litúrgica acontece no dia 5 de setembro.

São vários os aspectos desconhecidos da vida desta santa albanesa, mas há um que chama a atenção: é a estreita relação que ela teve com Santa Teresinha do Menino Jesus.

Quando Agnes Gonxha Bojaxhiu – nome de batismo da santa – tinha 18 anos, ela deixou sua casa e foi para a Irlanda para ingressar no Instituto da Bem-Aventurada Virgem Maria, congregação conhecida como Irmãs de Loreto. Lá, adotou o nome Teresa, em homenagem à Santa Teresa de Lisieux, a Santa Teresinha do Menino Jesus, que é intercessora dos missionários.

A noite escura

Além no nome, há também algo relacionado com um episódio em que ambas as santas experimentaram: a noite escura. As duas “Teresas”, como aconteceu com outros santos, viveram episódios de dúvidas e um grande vazio espiritual em algum momento de suas vidas na Terra.

Este fato se tornou visível na correspondência que Teresa de Calcutá manteve com seus diretores espirituais. A carta foi publicada no livro “Vem, sé mi luz, las cartas privadas de la Santa de Calcuta” (“Vem, sê minha luz – as cartas particulares da Santa de Calcutá”). Ela fala do silêncio de Deus que experimentou no seu coração por longos anos:

“Esta solidão – este contínuo anseio por Deus – que me causa essa dor no mais profundo do meu coração. A escuridão é tanta que realmente não vejo, nem com a mente, nem com o coração. O lugar de Deus na minha alma está vazio. Não há Deus em mim. Quando a dor do desejo é muito grande, somente sinto falta de Deus. É quando eu sinto: Ele não me ama, ele não está aqui (…) Deus não me ama. Às vezes, somente ouço o meu coração gritar ‘Deus meu’ e nada além disso. Não posso explicar a tortura e a dor”.

Santa Teresinha viveu a escuridão da fé três meses antes de sua morte. Em um de seus escritos, disse que Deus lhe permitiu experimentar um vazio no seu coração para sentir o que vivem as pessoas sem fé: “Deus permitiu que minha alma fosse invadida pela mais espessa escuridão e que o meu pensamento sobre o céu, tão doce para mim, não fosse adiante, mas, sim, motivo de luta e tormento”.

A vocação para o amor

Apesar do silêncio espiritual e do tempo de escuridão que ambas viveram, as duas foram testemunhas da maior entre todas as vocações: o amor.

Teresinha escreveu: “Então, cheia de uma alegria estonteante, exclamei: ‘Ó, Jesus, amor meu, por fim encontrei minha vocação: minha vocação é o amor. Sim, achei meu lugar na Igreja, e este lugar é o que o Senhor me mostrou, Deus meu. No coração da Igreja, que é minha mãe, eu serei o amor, de modo que serei tudo, e meu desejo será realizado’”.

Da mesma forma, Madre Teresa também aconselhava: “o que você faz eu não posso fazer, e o que eu faço você não pode fazer. Mas, juntos, estamos fazendo algo maravilhoso para Deus, e essa é a grandeza de Deus para nós: dar a oportunidade de sermos santos através da obra de amor que realizamos, pois santidade não é o luxo de alguns poucos. É uma tarefa simples para você, para mim; você em seu lugar, em seu trabalho, e eu e os outros, cada um de nós, no trabalho, na vida e onde prometemos honrar a Deus (…) Você deve levar seu amor por Deus para a vida”.

Artigo originalmente publicado por Gaudium Press, traduzido e adaptado ao português.

 

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