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Crianças sozinhas e vulneráveis se misturam no êxodo dos rohingyas

DISPLACED ROHINGYA MUSLIMS

Foreign and Commonwealth Office | CC

Agências de Notícias - publicado em 13/09/17

Uma criança rohingya fez sozinha a viagem de Mianmar, juntando-se a estranhos de outras aldeias para atravessar rios e selvas, até chegar a Bangladesh, país onde não têm nem família, nem um lugar aonde ir.

“Algumas mulheres do grupo lhe perguntaram: ‘onde estão os seus pais?’ Eu respondia a elas que não sabia”, conta Abdul Aziz, de 10 anos, cujo nome foi modificado para proteger a sua identidade.

“Uma mulher me disse: ‘vamos cuidar de você como nosso filho, venha com a gente’. E eu as segui”, acrescenta.

Mais de 1.100 crianças rohingyas, que fugiam da violência na parte oeste de Mianmar, chegam sozinhas a Bangladesh desde 25 de agosto, segundo cifras do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Estes menores desamparados são particularmente vulneráveis aos abusos sexuais, ao tráfico de seres humanos e a sofrer traumas psicológicos, alerta o Unicef.

Muitos deles viram membros de suas famílias ser massacrados pelo Exército e pelas milícias budistas no estado birmanês de Arracão, algo que a ONU qualifica como “limpeza étnica”.

Outros se salvaram por pouco. Algumas crianças desta minoria muçulmana perseguida chegam com ferimentos a bala.

O número de menores que chegam sós a Bangladesh ou separados de suas famílias durante o caminho com certeza aumentará conforme forem revelados novos casos às autoridades e organizações internacionais.

Mais da metade dos 379.000 refugiados rohingyas chegados em Bangladesh desde 25 de agosto, data do desencadeamento da nova onda de violência em Arracão, são menores de idade, segundo a ONU.

Em meio a essa maré humana, identificar as crianças sozinhas é um trabalho complexo, de acordo com os responsáveis de Proteção da Infância. Nos imensos campos de refugiados, muitas crianças pequenas vagam nuas, dormem ao relento ou brincam sozinhas nas poças de água suja.

– “Comi folhas de árvores” –

As crianças que chegam sozinhas “a princípio não falam, não comem. Ficam sentadas, imóveis, com o olhar vazio”, assinala à AFP Moazem Hosain, encarregado de projetos da organização de caridade BRAC.

Sua ONG, em cooperação com o Unicef, gerencia um espaço reservado às crianças no campo de refugiados de Kutupalong. Há 41 destas áreas protegidas nos campos no sul de Bangladesh.

Algumas crianças, levando nos braços seus irmãos ou irmãs menores, se aproximam destes rudimentares abrigos de madeira para participar das oficinas de canto, ou para se divertir com brincadeiras.

Para eles, estes interlúdio de paz constitui um respiro na extrema miséria dos campos, convertidos em lamaçais pela chuva e onde os refugiados disputam o mais ínfimo espaço livre.

Estes momentos de brincadeira também são a oportunidade para que especialistas que estudam as crianças conheçam um pouco mais de suas histórias, registrem os recém-chegados e, sobretudo, possam identificar aqueles que viajam sem companhia.

Mohamad Ramiz (nome fictício), de 12 anos, se encontrou sem ninguém de sua família ou parentes próximos ao fugir de sua aldeia, e se juntou a um grupo de adultos.

“Havia muita violência, então atravessei o rio com outras pessoas”, conta à AFP.

“Comi folhas de árvores e bebi água para sobreviver”, acrescenta.

Sem segurança, essas crianças correm perigo de cair nas mãos de pessoas mal-intencionadas, adverte Christophe Boulierac, porta-voz do Unicef em Genebra.

É urgente identificar as crianças sozinhas entre a multidão que chega a Bangladesh. “Quanto mais rápido agirmos, maior será a chance de encontrarmos suas famílias”, explica Boulierac à AFP.

“O mais importante é protegê-las, porque as crianças desacompanhadas, as crianças separadas (de suas famílias), são particularmente vulneráveis e estão em perigo”, assinalou.

(AFP)

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