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Hildegarda de Bingen, a mulher que enfrentava os homens da Igreja

HILDEGARD

Unbekannt - Public Domain

Miriam Diez Bosch - publicado em 14/09/17

Conheça a figura feminina mais poderosa da Baixa Idade Média

“As mulheres não podem ser servas de nosso clericalismo”. Foi o que o Papa Francisco voltou a dizer, desta vez em sua viagem à Colômbia.

A alemã Hildegarda de Bingen (1098-1179) tinha isso muito claro. Ela foi monja beneditina, mística, teóloga, escritora, conhecedora da farmácia e da botânica, cosmóloga, compositora e manteve uma relação epistolar com papas, bispos, reis e imperadores. E, se ela tivesse que reprovar alguma ideia ou atitude deles, o fazia sem reparos.

A editora espanhola “Edições San Pablo” lançou agora um volume que contém algumas experiências místicas dessa mulher, a quem a autora, Cristina Siccardi, chama essencialmente de “mística e cientista”.

O misticismo de santa Hildegarda “permanece sempre em sua própria realidade, até mesmo quando o sobrenatural irrompe em sua vida”, disse a autora.

Os manuscritos de Hildegarda estão em latim e alemão e sua obra foi cuidadosamente estudada por beneditinos e especialistas em profetismo e mística medieval. Quando Bento XVI dedicou várias catequeses a figuras femininas da Igreja, o primeiro modelo escolhido foi o de santa Hildegarda.

Os estudiosos concordam que ela não era uma menina normal. Desde pequena, “via além do sensivelmente visível”. E ela mesma disse: “desde quando eu era criança, concretamente desde que tinha cinco anos de idade, e até hoje, sempre experimento, misteriosamente em meu ser interior, a força e o mistério dessas ocultas e misteriosas faculdades visuais”.

Em “Vida e visões de Hildegard von Bingen”, Victoria Cirlot, professora de Literatura Medieval na Universidade Pompeu Fabra de Barcelona, ressalta que Hildegarda “é uma das figuras mais fascinantes e multifacetadas do ocidente europeu”.

Uma particularidade de sua personalidade é que ela “não se deixava intimidar pela repreensão”, nem “se deixava desviar pelos elogios”.

Em um texto desse mesmo volume, está uma experiência de visão da santa:

“Aos três anos, vi uma luz tamanha que a minha alma estremeceu, mas, devido à minha ingenuidade, nada pude dizer sobre isso. Aos oito anos, fui oferecida a Deus para a vida espiritual”.

SAINT HILDEGARD VON BINGEN,HERBAL HEALER,BOTANY
PD

Realmente, ela entrou para a vida religiosa muito pequena, e não contava para as suas companheiras sobre suas visões. Ela só falou sobre isso mais tarde com o monge Guiberto de Gembloux e com Jutta de Sponheim, professora de oração e trabalhos manuais. Depois disso, começou a dividir suas visões com outras pessoas e a escrevê-las.

Essa doutora da Igreja, segundo Siccardi, tinha características “extremamente racionais”. Ela não “buscava atalhos nem se enganava”. Era uma pessoa “muito equilibrada”, que “examinava e analisava os problemas” e “queria manter a mesma motivação nos tempos de alegria e nos de sofrimento”.

Entre outras obras, Hildegarda escreveu cartas ao Papa Eugênio III e Bernardo de Claraval. Suas relíquias estão na igreja alemã de Eibingen.

Neste dia 17 de setembro, completam-se 838 anos da morte de Hildegarda, mulher mais poderosa da Baixa Idade Média.

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