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Migrantes confiam na sorte ao se lançarem no Mar Negro

REFUGEE

UNHCR - S. Rich-CC

Agências de Notícias - publicado em 14/09/17

“É chamado de Mar Negro não por causa de sua cor, mas em razão do perigo durante as tempestades”

Famílias de migrantes desembarcam na costa europeia, aterrorizadas após uma travessia perigosa: esta cena comum no Mediterrâneo é nova nos portos do Mar Negro, onde as autoridades se questionam sobre esta inédita “rota romena”.

Na quarta-feira, pouco antes do amanhecer, cerca de 150 pessoas, um terço delas crianças, chegaram em Midia, no leste da Romênia, após o resgate de sua embarcação, uma operação que durou mais de 12 horas em um mar agitado.

Foi a quinta embarcação transportando migrantes interceptada desde meados de agosto pelas autoridades romenas.

A chegada de cerca de 570 iraquianos, sírios, afegãos, iranianos e paquistaneses em menos de um mês é algo modesto em comparação com o fluxo registrado no Mediterrâneo, mas este fenômeno é cuidadosamente examinado neste país até agora evitado pelos candidatos ao asilo na Europa.

“É muito cedo” para dizer se essas travessias vão continuar, de acordo com a Frontex, a agência responsável pelas fronteiras externas da União Europeia. Mas “parece indicar que os traficantes estão tentando ressuscitar uma rota através do Mar Negro”, partindo da Turquia, indica seu porta-voz, Krzysztof Borowski.

Em 2014, último ano de uma atividade relativa nesta rota, quase 300 migrantes atravessaram o Mar Negro rumo a Romênia.

Buscando evitar a Grécia, onde os recém-chegados correm o risco de serem expulsos de volta para a Turquia, em virtude de um pacto entre a UE e Ancara, “os traficantes estão procurando migrantes mais medrosos, dizendo-lhes que é uma nova rota, uma rota segura”, explica Mircea Mocanu, chefe da missão da Organização Internacional para as Migrações (OIM) na Romênia.

De acordo com ele, o custo da travessia varia entre 1.000 e 3.000 euros.

Ele não espera um aumento do fluxo de migrantes, dados que é “dez vezes mais difícil atravessar o Mar Negro que o Mediterrâneo” durante o inverno.

“É chamado de Mar Negro não por causa de sua cor, mas em razão do perigo durante as tempestades”, ressalta o comissário Gabriel Cerchez, que participou no resgate de terça-feira.

– ‘Dispostos a tudo’ –

“Até o momento em que o barco entra no porto, existe o risco de ir naufragar”, acrescenta, testemunhando o “pavor” dos passageiros, que foram distribuídos nos seis centros de acolhimento abertos na Romênia.

Outros desafios os aguardam na rota para a Europa Ocidental, onde controles reforçados e cercas levantadas tornam muito difícil atravessar as fronteiras.

No abrigo para refugiados e demandantes de asilo, Tarek, um sírio de 19 anos, diz à AFP que foi preso quando tentava atravessar a fronteira a bordo de um carro.

Embora tenha decidido ficar na Romênia para estudar informática, conta que vários de seus companheiros de infortúnio “estão dispostos a tudo” para deixar o país.

“Os intermediários vêm e perguntam: ‘Você quer ficar ou partir? Conheço uma rota 100% segura para a Alemanha”, relata o jovem, acrescentando que tais “recrutadores” recebem 100 euros por cada migrante.

Não muito longe do centro, cerca de quinze homens estão reunidos em pequenos grupos em um terreno baldio perto de um supermercado, na esperança de encontrar um passador.

Entre eles, Rafi, um paquistanês de 23 anos, e Zakir, um adolescente afegão, que atravessaram a fronteira entre a Sérvia e a Romênia.

Casos como os seus são cada vez mais numerosos, já que passar da Sérvia para a Hungria tornou-se quase impossível devido às cercas de arame farpado implantadas ao longo da fronteira entre os dois países, o que não ocorre nas fronteiras romenas-húngaras.

De acordo com a polícia romena, mais de 1.200 pessoas foram detidas desde o início do ano quando tentavam atravessar a fronteira oeste do país, contra 900 ao longo de 2016. A OIM estima que 80% das tentativas foram frustradas.

Para Tarek, a conclusão é amarga: “um ano e meio da minha vida desperdiçado pela esperança de alcançar a terra prometida”.

(AFP)

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