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Tome este cuidado ao se alegrar com as conquistas de uma pessoa com Síndrome de Down!

Sherry Antonetti - publicado em 18/09/17

Eu tenho um filho com a síndrome e fico emocionada, mas também atenta a uma perigosa armadilha

Eu sou mãe de um filho com Síndrome de Down e fico cheia de esperanças quanto ao futuro dele ao ver histórias de adultos com a Trissomia 21 que fazem maravilhas, como salvar pessoas que se afogavam, conseguir um doutorado e tantas outras conquistas magníficas. Mas essas histórias também me dão uma estranha inquietação. Sim, são histórias inspiradoras e maravilhosas, mas elas envolvem uma tentação que requer cuidados.

Certamente não é errado se alegrar com os triunfos desses jovens e adultos: aliás, precisamos nos alegrar e testemunhar essa alegria de forma retumbante, já que o mundo está ficando ainda mais feroz ao vender a ideia de que as pessoas com a síndrome de Down não mereceriam sequer nascer.

No entanto, ao mesmo tempo em que nos alegramos de verdade com os triunfos dessas pessoas, precisamos nos lembrar de que não as valorizamos só por causa desses triunfos, mas justamente porque elas são pessoas. Se as valorizarmos por causa do que elas fazem, cairemos na mesma armadilha daqueles que não as valorizam por acharem que elas podem fazer muito pouco.

As pessoas com síndrome de Down não precisam de diplomas em direito nem de quaisquer outras conquistas para serem valiosas e amadas.

Todos nós devemos ser amados porque fomos feitos pelo Deus que é Amor – e Ele nos fez para amar. Todos nós, não importando os nossos genes.

O nosso valor e dignidade são inatos e não dependem de talentos ou realizações. Nós entendemos isso claramente quando seguramos no colo os nossos recém-nascidos no hospital. Mas, de alguma forma, o mundo continua tentando arrancar de nós esta sabedoria desde o instante em que os levamos para casa.

As pessoas maravilhosas que têm a síndrome de Down e que estão fazendo tantas coisas importantes inspiram e recordam ao mundo que ninguém é descartável, que nenhuma vida é conhecida antes de nascer, a não ser por Aquele que nos criou. As histórias são necessárias num mundo que embasa o valor da vida no que a pessoa consegue ganhar e produzir. Elas são sussurros de Deus a um mundo caído: “Estas pessoas são lindas. Elas são minhas filhas. Ame-as e a alegria vai surpreender você“.

Eu quero que o meu filho tenha sucesso porque eu quero que todos os meus filhos tenham sucesso. Quero que o Paulo viva uma vida independente na medida em que ele puder, talvez escolhendo a sua profissão, a sua casa e os seus amigos. E este é um desejo que eu tenho para cada um dos meus filhos.

Mas se o Paulo nunca for manchete de jornal por fazer algo heroico ou por conquistar algo excepcional, está tudo igualmente bem.

Nós, pais, nos deleitamos com as vitórias dos nossos filhos com a Trissomia 21. O caso é que a maioria de nós percebe neles um heroísmo mais silencioso: o heroísmo de simplesmente crescer.

Já celebramos um garoto de 9 anos de idade que, mesmo tendo passado por uma cirurgia no coração, conseguiu correr 5 quilômetros com mais velocidade e energia do que nós, seus pais – e isso que nós malhamos de vez em quando. Já ficamos surpresos, certa manhã, porque ele se levantou antes que nós, preparou na mesa três caixas de cereais, três tigelas, três colheres e as caixas de leite integral e desnatado. Depois bateu à nossa porta e nos levou até a mesa para tomarmos juntos o café-da-manhã.

Essas crianças nos ensinam a amar a sua presença. O maravilhoso da vida é descobrir quanta alegria pode ser trazida ao nosso coração por outra pessoa. Essa alegria não vem do que a pessoa faz, mas de quem essa pessoa é.

Santa Teresa de Lisieux dizia que Jesus não olha tanto para a grandeza das nossas ações, nem para o seu grau de dificuldade, mas para o amor com que as realizamos. Ela nos convida a gostar mais da monotonia do sacrifício oculto do que de todos os êxtases: “Pegar um alfinete por amor pode converter uma alma”, ensina ela.

As pessoas que veem o meu filho e inúmeras outras crianças como ele ouvem um lembrete sussurrado.

“Tudo o que fazemos deve ser por amor. Tudo o que queremos fazer é amar. Tudo o que somos é amor”.
Tags:
FilhosMaternidadeSíndrome de down
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