Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Quinta-feira 28 Outubro |
Santos Apóstolos Simão e Judas Tadeu 
Aleteia logo
home iconReligião
line break icon

Papas acusados de erros doutrinários na história

© Antoine Mekary / ALETEIA

Vanderlei de Lima - publicado em 19/09/17

Devemos ter cuidado ao ouvir acusações de que um Papa caiu em heresia

Vez ou outra, na História da Igreja, surge uma pessoa ou um grupo acusando esse ou aquele Papa de ter caído em erros de fé ou mesmo em heresia. Vejamos, de modo sucinto, o caso de cinco Papas acusados ao longo da história.

Calisto I (217-222), assim como seu antecessor Zeferino, condenou os que negavam a Santíssima Trindade, uma vez que esses hereges (renegadores da fé), chamados de patrissianos, ensinavam ser Deus Pai e Deus Filho a mesma pessoa, portanto o Pai também morreu na Cruz com Jesus. Inimigos do Papa, como Hipólito e Tertuliano, tidos por cristãos sérios e rigoristas, julgaram, no entanto, que Calisto fora mole ou laxista por ter demorado fazer a condenação dos patrissianos.

Mais: naquele tempo, só se perdoavam os chamados “pecados canônicos” – como a negação da fé durante uma perseguição, o adultério e o homicídio – na hora da morte, depois que o culpado fizesse forte penitência. Calisto, porém, mudou a prática e deu perdão a esses pecadores readmitindo-os à vida da Igreja. Foi, novamente, criticado pelos mesmos inimigos, mas a própria história se encarregou de mostrar quem era quem: o Papa Calisto I morreu mártir por defender a fé, já Hipólito ficou o primeiro antipapa da história e Tertuliano abandonou a Igreja.

Libério (352-366) foi acusado injustamente de ser partidário do arianismo (o “Filho de Deus” seria a primeira e mais digna criatura do Pai). Libério se recusou a cair nas chantagens do imperador herege Constâncio e não quis, como desejavam os arianos, censurar Santo Atanásio, maior adversário dessa corrente. O imperador condenou o Papa ao desterro por dois anos, em Trácia, mas pressionado pelo povo teve de trazê-lo de volta a Roma. Já na Cidade Eterna, Libério subscreveu a chamada 3ª fórmula do Concílio de Sirmio. Daí, as acusações de heresia. No entanto, não se pode dizer que a fórmula em si é herética, mas, sim, omissa em alguns pontos. Ainda: aquele Papa não empenhara sua infalibilidade e não era um Concílio Ecumênico (universal).

Anastácio II (496-498), por sua índole pacífica de tentar aproximar cristãos dissidentes, foi acusado por tradicionalistas ferrenhos de ser favorável ao cisma (desobediência sem negar verdades de fé) e de romper com os ensinamentos dos Papas anteriores. Por isso, deveria padecer de uma morte horrível. Isso, porém, não aconteceu.

Honório I (625-639) foi um Papa muito acusado, inclusive de heresia. Por qual razão? – Porque, no Oriente, o Patriarca Sérgio ensinava o monotelismo, ou seja, em Cristo havia uma só vontade, a divina. Consultado, o Papa escreveu a Sérgio com certa falta de clareza. Em uma segunda carta, afirmou que em Cristo há, sim, duas naturezas: a divina e a humana, mas a segunda obedece à primeira. Ora, o experto patriarca torceu esses dizeres a seu favor. Daí, a crítica ao Papa.

Seu sucessor, Papa João IV (640-642), condenou o monotelismo, mas não reprovou Honório; já o VI Concílio Ecumênico de Constantinopla (692) censurou os defensores do monotelismo incluindo aí também o Papa Honório I. Tendo recebido as atas do referido Concílio, o Papa Leão II (680-681) afirmou que Honório pode ter sido negligente ou tolerante com os erros de Sérgio, mas não herege.

João XXII (1316-1334), foi acusado por ter dito que as almas no céu não gozam da visão beatífica de Deus logo após a morte (como era opinião comum). Tal visão só se daria após o juízo final. Foi tido por herege, mas logo teólogos e canonistas demonstraram que essa opinião do Papa fora proferida em sermão particular. Ademais, essa não era doutrina definida. Aliás, João XXII escreveu importante documento afirmando sua fé na visão beatífica, imediatamente depois da morte. Bento XII, seu sucessor, valeu-se desse escrito, na Constituição Benedictus Deus sobre o tema, em 1336.

Esses poucos dados demostram o quanto devemos ter cuidado ao ouvir acusações de que um Papa cometeu erros doutrinários e/ou caiu em heresia.

Vanderlei de Lima é eremita na Diocese de Amparo (SP). 

Tags:
Doutrinapapas
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
1
SANDRA SABATTINI
Francisco Vêneto
Primeira noiva em processo de canonização na história foi beatifi...
2
EUCHARIST
Reportagem local
O que fazer se a hóstia cair no chão durante a Missa?
3
Papa Francisco
Francisco Vêneto
Papa Francisco: “Tenho medo dos diabos educados”
4
Pe. Jonas Magno de Oliveira e sua mãe
Francisco Vêneto
Mãe de padre brasileiro se torna freira na mesma família religios...
5
Transplante de rins
Francisco Vêneto
Transplante de rim de porco em humanos: a Igreja tem alguma objeç...
6
As irmãs biológicas que se tornaram freiras no instituto Iesu Communio
Francisco Vêneto
As cinco irmãs biológicas que se tornaram freiras em apenas 2 ano...
7
BENEDICT XVI
Marzena Wilkanowicz-Devoud
A arte de morrer bem, segundo Bento XVI
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia