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Por que más noticias vendem mais?

© YULIA REZNIKOV / SHUTTERSTOCK

As marcas do anjo - publicado em 19/09/17

Por que nos sentimos cada vez mais cansados e pesados, se um dia já fomos leves e dispostos? Talvez seja esse excesso de informação negativa

Por que más noticias vendem mais? Por que as pessoas costumam se interessar mais pelos assuntos que correm nas páginas policiais? Jornais trazem tragédias na primeira página, sites cobrem as mais variadas formas de violência. Redes sociais estão abarrotadas de vídeos explícitos, exibindo o pior lado da raça humana.

Mas aí eu lhe pergunto: Por quê? Por que as más noticias ganham tanto destaque e invadem nossos olhos, nossas mentes todos os dias sem o mínimo respeito ou pudor? Por que nos deixamos submeter a isso?

Talvez seja egoísmo. Sim, egoísmo em todo sentido da palavra. Talvez não saibamos lidar com o bom do mundo e das pessoas, sem sentir aquela “pulguinha” de inveja atrás da orelha, ao julgar que fulano é mais bem sucedido, ou tem mais fama e dinheiro, ou parece até mesmo ser mais feliz que nós.

Não sabemos nos alegrar com a felicidade alheia, ao ver o outro melhor que nós, nos amarguramos e nos revoltamos com a vida. Por quê? Por que nós, que tanto ralamos, não conseguimos metade do que o outro tem de forma aparentemente fácil? Porque nós, que somos tão honestos, não conseguimos enriquecer, como quem usa da desonestidade e sai impune? São inúmeros porquês e tão poucas respostas.

Mas a verdade mesmo, é que as boas noticias não nos contagiam, não têm grande número de compartilhamentos, não viram primeira página do jornal local, não fazem bater recorde de acessos em sites num único dia, não trazem visibilidade alguma. E eu volto então a lhe perguntar: Por quê? Por que o pessimismo nos rendeu a ponto de abandonarmos completamente o otimismo? Por que nos sentimos cada vez mais cansados e pesados, quase como presos ao chão, se um dia já fomos leves e dispostos?

Talvez seja esse excesso de informação negativa. Talvez seja esse bombardeio diário de tudo que é ruim no mundo. Tem muita coisa ruim sim, mas também tem muita coisa boa acontecendo, e essas coisas boas deveriam vir à tona, não com o intuito de vender jornal, mas com o puro e verdadeiro sentido de inspirar, de incitar boas transformações.

Basta uma caminhada despretensiosa nas rua, que lá estão elas, as más noticias tomando conta da conversa na fila da padaria, no fim de tarde entre as vizinhas, na pausa para o abraço de um velho amigo na esquina; elas estão em toda parte, se propagam feito fumaça ao vento, mesmo quando já se passaram horas do suposto incêndio.

Perdemos um pouco o lado humano, ou só o deixamos engavetado pela simples falta de uso, pela simples falta de costume. Ao ver o outro em determinada situação difícil, pairamos sobre ele como corvos de olhos bem atentos prontos para atacar, para apontar o dedo, para dar nosso próprio veredito, mas em hipótese alguma nos colocamos no seu lugar, na sua dor, na sua tragédia particular.

Perdemos o respeito à vida, já não nos aterrorizamos mais diante do número de mortes, do número de crimes, do número de desastres ambientais; tudo isso é tão banal, virou rotina, virou manchete, virou coisa comum.

Perdemos o respeito ao próximo, colocamos nosso cabresto de “likes” para funcionar e não pensamos um segundo sequer na história daquele que contamos em terceira pessoa, tentando ser imparciais, mas nem um pouco preocupados no quanto estamos sendo sensacionalistas e desalmados.

Tudo que é ruim hoje vira noticia, se não hoje mesmo, amanhã pode ter certeza que vira sim. Independente do horário, da distância, ou da forma, alguém vai estar lá, e vai fazer questão de lhe mostrar com detalhes o que qualquer pessoa de bom senso, com certeza teria a decência de dispensar.

O lado sujo, podre, irracional e insensível do homem é o que vemos como reflexo das más noticias. É uma constante negatividade. Um absurdo medo e nuances severas de terror em todos os cantos da nossa vida e do nosso dia a dia.

A mídia nos apresenta os mais diversos problemas do mundo, mas não nos mostra sequer uma reportagem sobre as pequenas já testadas soluções a estes problemas que vêm dando certo. Por quê? Porque as más noticias é que vendem mais. Porque o que as pessoas querem mesmo é ver o sofrimento alheio, a desumanidade, o sangue da fotografia praticamente saltando dela e colorindo as páginas do jornal de vermelho, é isso que todos querem.

Pautas inteiras de noticias ruins, algumas sem o menor vínculo com metade da sociedade, mas que mesmo assim precisam ser mostradas, para virar assunto nacional, para causar medo, para causar revolta, para incitar mais violência, para pura e simplesmente repercutir e trazer alguma visibilidade e prestigio a quem noticiou.

Não se pensa mais na dor das famílias, que têm suas tragédias particulares expostas para todo mundo ver. Não se mede mais o estrago das imagens que soltamos, ou das palavras que publicamos. Por quê? Porque más noticias vendem mais.

E por quê? Por que as más noticias vendem mais? Talvez porque as pessoas gostem mesmo de ver os extremos da vida e da humanidade serem testados. Talvez porque a curiosidade hoje seja maior que o discernimento em peneirar o que por todos os meios lhes chega, e só deixar passar aquilo que é bom, aquilo que constrói, aquilo que tem importância de verdade.

Até lá, até o utópico dia em que veremos manchetes sobrecarregadas de boas noticias, de coisa leve e vida sendo com valor, vamos sendo alvejados pelas más noticias. Afinal, más noticias definitivamente vendem mais.

(via As marcas do anjo)

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