Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Quinta-feira 15 Abril |
São Damião Veuster
home iconAtualidade
line break icon

Os Prêmio Nobel da Paz que decepcionaram ou geraram polêmica

SUU KYI

360b - Shutterstock

Agências de Notícias - publicado em 29/09/17

A mais que centenária história dos prêmios Nobel da Paz está salpicada de laureados – o caso mais recente o da birmanesa Aung San Suu Kyi – que, admirados durante um tempo, acabaram frustrando as enormes esperanças que geraram.

A cada mês de outubro, os anúncios do comitê Nobel norueguês costumam provocar protestos mais ou menos enfáticos e, em alguns casos, debates exaltados. Poucas são as pessoas escolhidas que suscitam unanimidade, mas Aung San Suu Kyi foi uma delas.

A chamada “Dama de Yangun” recebeu em 1991 o Prêmio Nobel da Paz por sua resistência pró-democracia frente à junta militar que comandava Mianmar.

Porém, mais de duas décadas depois, a atual líder de fato do país é alvo de inúmeras críticas por sua inação ante a campanha de seu exército contra a minoria muçulmana rohingya, que a ONU classificou de “limpeza étnica”.

“Estou decepcionado”, admite Geir Lundestad, que foi secretário do comitê Nobel entre 1990 e 2014. “Aung San Suu Kyi era uma premiada extremamente popular e meritória, heroica, dada as circunstâncias, mas não posso aprovar seu comportamento a respeito dos rohinygas”.

Cerca de 430.000 pessoas assinaram uma petição online para pedir a revogação do prêmio, e vários premiados com o Nobel da Paz, como Desmond Tutu ou o Dalai Lama, criticaram publicamente a líder birmanesa.

“É dramático”, diz o historiador do Nobel, Asle Sveen. “Que uma pessoa que lutou pela democracia e foi tanto tempo popular se encontre em semelhante situação pouco usual”.

Pouco usual, mas não inédita. Outros premiados perderam parte de sua popularidade depois de receber essa distinção.

– Acusações –

Um deles foi o ex-presidente americano Barack Obama. Sua escolha como Prêmio Nobel da Paz em 2009, apenas nove meses depois de sua chegada à Casa Branca, suscitou certa incredulidade, apesar de ainda gozar de uma boa popularidade na ocasião.

Oito anos depois, muitos continuam pedindo, principalmente nas redes sociais, que o prêmio seja retirado dele.

“Era impossível para qualquer um estar à altura das expectativas geradas. Eram totalmente irrealistas”, afirma Lundestad. “Não acho que o comitê esperasse que Obama revolucionasse totalmente a política internacional: não se tratava de mudar tudo, e sim avançar em uma boa direção”.

Outros premiados foram alvo de acusações mais graves, como o ex-líder histórico do sindicato polonês Solidariedade, Lech Walesa.

O Prêmio Nobel da Paz de 1983 é alvo de denúncias persistentes sobre sua suposta colaboração com os serviços secretos comunistas. Walesa, que nega as acusações, ameaçou em 2009 abandonar a Polônia e devolver o prêmio.

Décadas antes, o pacifista italiano Ernesto Moneta foi criticado por apoiar a entrada na guerra de seu país contra o Império Otomano em 1911, quatro anos depois de receber o Nobel.

A austríaca Bertha von Suttner, uma íntima amiga de Alfred Nobel e que recebeu o prêmio da Paz em 1905, propôs que Moneta perdesse sua distinção e seus títulos no movimento pacifista, recorda o historiador Ivar Libaek na coletânea “Cem anos pela paz”.

– Ninguém é perfeito –

Depois da Segunda Guerra Mundial, houve dois casos em que a escolha do Nobel da Paz foi tão polêmica que alguns dos cinco membros do comitê pediram demissão.

Dois se demitiram em 1973, quando a dupla formada pelo secretário de Estado americano Henry Kissinger e o representante do Vietnã do Norte, Le Duc Tho, levou o prêmio por assinar uma trégua efêmera na guerra do Vietnã.

Em 1994, um membro renunciou para protestar contra o prêmio concedido ao palestino Yasser Arafat junto com os israelenses Shimon Perez e Issac Rabin, um ano depois da assinatura dos Acordos de Oslo.

Le Duc Tho não aceitou o prêmio, enquanto Kissinger não foi recebê-lo em Oslo por temer manifestações de protesto.

Kissinger quis devolvê-lo em 1975, mas o comitê negou categoricamente a proposta. O estatuto da Fundação Nobel não admite a devolução do prêmio, nem sua revogação.

“Nenhum dos prêmios Nobel é perfeito”, opina Lundestad. “Muitos sentem sem dúvida a responsabilidade de serem exemplares, mas, uma vez entregue o prêmio, o comitê não pode fazer nada”.

(AFP)

Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
1
KRZYŻYK NA CZOLE
Beatriz Camargo
60 nomes de bebês que carregam mensagens poderosas
2
Pe. Zezinho
Reportagem local
Não desprezem o templo nem posem de católicos avançados, alerta o...
3
MIGRANT
Jesús V. Picón
O menino perdido no deserto nos convida a refletir
4
Frei Jorge e o cãozinho frei Carmelito
Francisco Vêneto
Humanizar os animais não é amá-los, pois desrespeita sua natureza...
5
São José e a Sagrada Família
Reportagem local
Oração a São José para nos guiar “no caminho da vida”
6
Aleteia Brasil
Havia um santo a bordo do Titanic?
7
CHORA KOBIETA
Reportagem local
9 armas espirituais para utilizarmos na pandemia
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia