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Uma mensagem para quem sofre no casamento

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Doar-se para o outro é o segredo de um casamento duradouro e feliz

Anos atrás, estando no Estado do Mato Grosso do Sul, pude acompanhar de perto o drama do meu sogro antes de sua morte. Ele tinha câncer no rim e na coluna. Já não aguentava mais ficar em pé e, com idade avançada, passava a maior parte do tempo deitado na cama. O mais impressionante era o fato de que ele brincava mesmo sentindo dor! Ele conversava alegremente com as pessoas que iam visitá-lo (daquele jeito animado que lhe era tão peculiar!), mesmo tendo de conviver com as mazelas de sua enfermidade. Ele lutava contra aquela doença, e como lutava!

Conheço pessoas que, na hora da dor, não brincam. Revoltam-se contra Deus, contra o mundo e a sociedade, contra si próprias; enfim, contra tudo!

Na época, meu sogro precisou fazer transfusão de sangue por causa de um quadro de anemia, que o impedia de continuar o tratamento de quimioterapia. Então, foram necessários dois doadores de sangue para reposição do material utilizado na transfusão. Eu fui um deles. O outro foi a dona Lourdes. Quem é ela? Poderia, simplesmente, responder: é a minha sogra, hoje viúva do falecido “seu” Ilton. Mas não! Responderei de uma outra forma, para você entender melhor!

Dona Lourdes é aquela que, todas as manhãs, acordava bem cedo e já exercia suas funções de “enfermeira”: dava banho no meu sogro, ajudava-o em todas as suas necessidades – já que o banheiro transformara-se num lugar de difícil acesso –, trocava a roupa dele, colocava meu sogro em pé, fazendo o papel de sua “muleta”. Também fazia o cafezinho do jeito que ele tanto gostava e, ao lado da cama, servia-lhe sua refeição matinal.

Depois, preparava o almoço, dava-lhe os remédios no horário certo, pagava as contas, ia à mercearia, dirigia até ao hospital para marcar o horário em que a ambulância deveria levar meu sogro para fazer a quimioterapia, na capital, uma vez por semana, numa viagem exaustiva de seis horas (detalhe: ela sempre ia junto na ambulância). Ao voltar para casa, dona Lourdes ainda preparava o jantar da família; e toda vez que meu sogro gritava “Ô veia!”, ela vinha apressadamente ao quarto ver do que ele necessitava.

Por mais incrível que pareça, minha sogra ainda tinha tempo para cuidar dos filhos, netos e demais membros da família. Com tudo isso, dona Lourdes também encontrou forças para, literalmente, doar o próprio sangue pelo marido. Foi assim o ritmo de vida dela até o dia em que meu sogro faleceu.

Você se cansou do seu casamento?

Talvez, ao ler tudo isso, você pense: “Meu Deus, isso não é vida! Quanto sofrimento!”. Mas é exatamente o contrário. Se você, que está lendo este artigo, é casado ou pretende se casar, então, estou pedindo a Deus, em especial, para que você compreenda, de uma vez por todas, que situações como essa é que dão o verdadeiro sentido a uma vida a dois.

Vivemos em meio a uma sociedade que forma tantos casais sem paciência para nada, que só sabem discutir e exigir os próprios direitos; que buscam, em primeiro lugar, o advogado, em vez de buscar Aquele que “inventou” algo tão exigente chamado “casamento”, dando-lhe uma bênção própria, que o tornou sacramento do matrimônio; que não encontram mais forças para lutar nem mesmo pelos filhos, que são os que mais sofrem com a separação dos pais; que não buscam ajuda nem refúgio na Igreja, mas vivem dizendo (e vivendo) aquela irritante frase: “Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher!”.

Isso não é verdade! Existe “Alguém” que deve e pode “meter a colher”. E não só isso, mas também introduzir, em cada lar, a bênção, a força e o amor que muitos casais foram deixando de lado. Este “Alguém” é Jesus Cristo!

Estou sendo bem direto com você. Preciso ser. Aí está a receita. Você já tem o exemplo da dona Lourdes. Até hoje, ela é uma mulher que reza. E como reza! Reza com a própria vida. A força interior que ela traz dentro de si, para ter suportado tudo isso, chama-se amor, e o amor vem de Deus.

Você, que se cansou do seu casamento e não suporta mais o “fardo pesado” em que se transformou seu cônjuge, reveja se palavras como “doação”, “sacrifício”, “fidelidade”, “compreensão” e tantas outras desse tipo já não foram banidas do seu vocabulário. Se essas já foram extintas, você tem um sério problema: um casamento infeliz.

Só o amor permanece

Dona Lourdes levantava todas as manhãs para sua rotina diária de cuidar do esposo com câncer, com aquela sensação de ser a mulher “mais feliz do mundo”. Ela compreendeu esta incrível verdade: o amor suporta tudo. E tudo é tudo! Inclusive, a morte, a doença, a saudade, a solidão, a traição e a cachaça fazem parte desse “tudo”. Eu sei que é duro aceitar isso, mas não fui eu quem “descobriu” isso. Foi descoberto, há muito tempo e, inclusive, está escrito. Você tem uma Bíblia aí por perto? Pegue-a que eu espero…

Bom, agora, abra-a numa carta chamada de “Primeira Carta aos Coríntios”. Já achou? Procure-a com calma. Achou? Legal! Agora que você já encontrou, vá até o capítulo 13. Recomendo que você, depois, leia todo o capítulo 13. Valerá a pena. Mas, para este artigo não ficar maior do que já está, eu quero ler apenas um versículo: o sétimo (este número está bem pequeno na sua Bíblia). Achou? Bom, diz assim: “Ele (o amor) desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo”.

Acho que, agora, você entendeu por que eu sou fã da dona Lourdes. Ela suportou tudo, pois sabia que tudo passa nesta vida, inclusive o câncer que levou seu esposo. Só o amor permanece.

É esse amor que, um dia, permitirá que, no Reino d’Aquele que criou o matrimônio, minha sogra tenha o seu marido de volta: sadio, andando, sem doença e sem dor. No céu só haverá alegria! Nada de lágrimas, nada de dor. Somente a recompensa feliz para todo aquele que soube suportar tudo por amor.

Vamos rezar juntos? “Reinflama o nosso casamento com teu Espírito Santo, Senhor! E faz-nos compreender que o doar-se para o outro é o segredo de um casamento duradouro e feliz. Amém.”

Um abraço fraterno,

Por Alexandre Oliveira, Missionário da Comunidade Canção Nova

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