Aleteia

Você nunca mais vai olhar para uma enfermeira do mesmo jeito

Shutterstock / sfam_photo
Compartilhar
Comentar

Ela teve que contar a pais que sua filha havia acabado de morrer. Seu relato vai te fazer olhar a enfermagem com outros olhos

Todas as profissões tem seus lados bons e ruins. A enfermagem, por exemplo, exige tanto fisicamente, com horas e horas de jornada de trabalho, quanto emocionalmente.

O relato dessa enfermeira anônima capta exatamente o sentimento de ter que contar a um pai e uma mãe que sua filha morreu. Você já se imaginou tendo que assumir esse papel? Realmente não é fácil!

Ela postou uma mensagem no Reddit sobre um dos piores dias que teve de trabalhar: quando uma menina de 18 anos apareceu no hospital quase sem vida.

Ela escreve como se conversasse com os pais que acabaram de perder a filha, pois claro, é o que ela gostaria de ter dito a eles naquele momento, mas não conseguiu.

“Você estava devastada. Choque absoluto. Sua filha foi trazida nessa manhã sem resposta. Ela tinha apenas 18, então demos a ela o nosso melhor tiro. Trabalhamos com ela por uns bons 45 minutos. Não havia volta de uma fratura de crânio tão fechada como aquela. Nós não iríamos lhe dizer, mas abanamos o cabelo dela de modo que você não visse extensão do inchamento que tinha ocorrido. Nenhum pai deveria ter que ver seu bebê assim”.

E para a enfermeira, a pior parte é ter de ficar ao lado dos pais tentando fazer seu melhor possível, pois não há uma maneira menos pior de contar a uma família que parte dela se foi. É algo vazio. Ainda na mensagem, ela revela que a menina que faleceu não sofreu. Ela havia sofrido um acidente de carro, que deixou um estado crítico e outros dois com ferimentos leves e foi tão rápido que não daria tempo de piscar duas vezes.

Ela continuou seu desabafo: “Você cai no chão do hospital, sem se importar com as bactérias que podem estar lá. Seu mundo apenas se quebrado. Você está quebrado. E eu fico lá com um rosto sombrio, minhas mãos apertadas à minha frente. Vocês se agarram um ao outro. Vocês gritam. Vocês choram. Eu não mudo a expressão facial. Ofereço qualquer ajuda que eu puder. Estou desajeitadamente ao seu lado. Te passo lenços de papel, sirvo água.Estou aqui como uma coluna de compreensão e apoio para tentar aliviar sua dor e sofrimento da maneira mais diplomática e politicamente correta que o hospital permite. Aceno e balanço com a cabeça. Eu ofereço um tapinha nas costas. Eventualmente, eu tenho que deixá-lo. Mais pessoas da família chegaram e eu sei que você está em boas mãos”.

A enfermeira diz que, no fundo, está tão machucada quanto. Naquele dia, chorou todo o caminho de volta para casa e, ao procurar a menina que se foi no Facebook, viu o quanto ela era bonita e tinha acabado de se formar no colegial. Sim, ela tinha uma vida toda pela frente e chega a não ser justo.

Isso a fez se lembrar do seu irmão também de 18 anos. Pensar que poderia ser ele dói demais. Ela desabafa dizendo que sente mais do que as pessoas podem imaginar, e que elas nunca saberão e entenderão isso.

Ela continua: “Nós, enfermeiras, talvez não mostremos isso às vezes, somos incapazes de mostrá-lo – seja para salvar a cara, a política do hospital, ou, simplesmente ser corajoso e solidário – mas nós nos importamos. Suas mágoas são nossas mágoas. Nós sofremos com você. Então, por favor, apenas saiba que seu sofrimento é sentido. É compartilhado”.

Que mensagem mais emocionante e tocante! Nunca sabemos o que se passa dentro de alguém e ter que conviver todos os dias com a morte e doenças devastadoras deixa o emocional de qualquer pessoa totalmente quebrado. A solidariedade com essa linda profissão deve ser sentida e, claro, respeitada.

 

(via Best of Web)

Boletim
Receba Aleteia todo dia