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Raqa, a ‘ex-capital’ dos extremistas do Estado Islâmico na Síria

SDF RAQA

BULENT KILIC I AFP

Agências de Notícias - publicado em 17/10/17 - atualizado em 17/10/17

Forças especiais anunciaram nesta terça-feira a retomada da cidade após vários meses de combates

Raqa, localidade milenar no norte da Síria, foi a primeira grande cidade do país a cair nas mãos dos extremistas do grupo Estado Islâmico (EI). Posteriormente, converteu-se em sua “capital”.

Depois de entrar na cidade no início de junho, as Forças Democráticas Sírias (FDS), uma aliança de combatentes árabes e curdos apoiada por forças especiais americanas, anunciaram nesta terça-feira o controle “total”, após vários meses de combates.

– Ex-capital abássida –

Raqa viveu o seu apogeu durante o Califado dos Abássidas. Em 772 d.C., o califa Al-Mansur ordenou a construção, seguindo o modelo de Bagdá, de uma cidade-guarnição, Al-Rafiqa, junto à antiga Raqa. Mais tarde as duas localidades se uniram.

De 796 a 809, o poderoso califa Harun al-Rashid decidiu transferir a capital dos abássidas, que era Bagdá, para Raqa, no cruzamento das estradas entre Bizâncio, Damasco e Mesopotâmia. Lançou grandes obras e dotou a cidade de palácios, mansões e mesquitas.

Em 1258, a cidade foi devastada pela invasão dos mongóis.

– Às margens do Eufrates –

Raqa, de maioria sunita, está estrategicamente situada no Vale do Eufrates: perto da fronteira com a Turquia, a 160 km de Aleppo e a menos de 200 km da fronteira iraquiana.

A construção de uma represa perto da cidade de Tabqa, mais a oeste, permitiu que Raqa desempenhasse um papel importante na economia graças à agricultura.

– Nas mãos dos rebeldes –

Raqa se tornou em março de 2013 a primeira capital provincial síria a cair nas mãos de grupos rebeldes opostos ao governo de Bashar al-Assad.

Os insurgentes capturaram seu governador e se apoderaram da sede da Inteligência militar, um dos piores centros de detenção na província, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

– Reduto do EI –

No início de 2014, a organização que em junho daquele ano passou a se chamar grupo Estado Islâmico, expulsou os rebeldes da cidade e tomou o seu controle.

Em junho de 2014, o EI proclamou um “califado” nos territórios conquistados entre Síria e Iraque. Em agosto daquele ano, o EI controlou completamente a província de Raqa.

Rapidamente, o grupo extremista sunita impôs sua lei mediante o terror.

A partir de junho de 2015 começou a perder cidades na província – Tal Abyad e Ain Isa – para combatentes curdos.

– Execuções e sequestros –

O EI multiplicou as atrocidades: decapitações, execuções em massa, estupros, sequestros e limpeza étnica. O grupo apedrejou mulheres suspeitas de adultério e infligiu mortes violentas aos homossexuais.

Algumas de suas ações foram gravadas em vídeos convertidos em armas de propaganda.

– Batalha de Raqa –

Raqa foi nos últimos dois anos um alvo constante dos ataques aéreos do governo sírio, da Rússia e da coalizão internacional antiextremista liderada pelos Estados Unidos.

Em 5 de novembro de 2016, as Forças Democráticas Sírias (FDS, formadas por combatentes curdos e árabes) lançam uma grande ofensiva chamada “Fúria do Eufrates” para reconquistar Raqa.

As FDS contaram com o apoio aéreo da coalizão internacional, e terrestre de conselheiros militares americanos.

Em 10 de maio de 2017, as FDS conquistaram a cidade de Tabqa e sua represa, posição-chave a 50 km a oeste de Raqa.

Em 6 de junho, entraram em Raqa.

Em 1º de setembro, a aliança, que já expulsou os extremistas de mais de 60% da localidade, se apodera da Cidade Velha.

Em 20 de setembro, o OSDH informa que as FDS controlam 90% da cidade. A batalha “chega ao fim”, afirma a aliança.

Um dia depois, a ONG anuncia que o EI controla poucos redutos.

Em 17 de outubro, as FDS anunciam a libertação da cidade, após a conquista das últimas posições jihadistas.

(AFP)

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