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Como anos de pílula anticoncepcional me trouxeram depressão e ataques de pânico

ANTYKONCEPCJA HORMONALNA

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Sempre Família - publicado em 19/10/17

Para Vicky Spratt, o uso de contracepção hormonal foi uma espécie de roleta-russa que a jogou no fundo do poço

Milhares de mulheres – ou milhões – confiam diariamente na pílula anticoncepcional. Cada vez mais, porém, muitas delas estão se dando conta dos efeitos nocivos que a contracepção hormonal tem sobre a sua saúde e optando por métodos naturais de regulação da fertilidade e contracepção de barreira. Vicky Spratt, editora-adjunta do The Debrief, site de comportamento para o público feminino jovem, é uma delas. A britânica escreveu para a BBC a dramática história de seus anos de depressão, ansiedade e pânico causados pela pílula.

Tudo começou quando Vicky, aos 14 anos, foi a uma médica com a sua mãe porque a sua menstruação estava durando três semanas. “A médica me disse que a pílula anticoncepcional podia ajudar”, conta ela. “Pegar aqueles pacotes verdes cheios de pequenos comprimidos amarelos parecia um rito de passagem. Eu era uma mulher agora. Nas cartelas de plástico, havia uma agradável essência de feminismo, libertação das mulheres e inovação médica”, ironiza a jornalista, que tomou anticoncepcional durante pouco mais de 10 anos – ela agora tem 28.

“Eu joguei o jogo que chamo de ‘roleta do anticoncepcional’ por mais de uma década, tentando tipos diferentes de medicamento, com graus variados de sucesso e fracasso. Também foi nessa época que desenvolvi ansiedade, depressão e sérias mudanças de humor que muitas vezes me afetaram ao longo da minha vida adulta”, diz Vicky, que conta ainda sobre como isso se constituiu em um autoengano a respeito de sua própria identidade.

“Relacionamentos acabaram e eu tive de ficar um ano fora da universidade. Pensei que era apenas ‘quem eu era’, uma pessoa mal preparada para a vida, sem autoconfiança e infeliz”, diz. “Foi quando eu tinha 20 e poucos anos, depois de me formar na universidade – época em que meus problemas de comportamento e de saúde mental já não podiam mais ser encarados como os de uma ‘adolescente mal-humorada’ – que passei seriamente a questionar se tudo isso estava ligado ao uso da pílula”.

Descoberta

“Num dia em que estava sentada em frente ao meu computador, incapaz de dormir por causa de um ataque de pânico que durou a noite toda, comecei a fazer uma pesquisa no Google. Eu tinha começado a tomar uma nova pílula, um comprimido só de progesterona, que tinha sido prescrito porque eu estava sofrendo de enxaquecas, e a pílula combinada não é segura para quem tem enxaquecas com aura (precedida por diferentes sintomas)”, relata a jovem.

“Digitei o nome da pílula + depressão/ansiedade no site de busca e a internet fez o resto. Lá estavam: tópicos em fórum de discussão e postagens de pessoas que estavam experimentando os mesmos sintomas que eu”, diz Vicky. “Já tinha consultado meu médico várias vezes depois que comecei a experimentar, subitamente, debilitantes ataques de pânico que eu nunca tinha tido antes. Em nenhum momento minha pílula anticoncepcional foi citada nas consultas, apesar de os ataques terem começado quando mudei para um novo contraceptivo”.

Recebi uma dose elevada de betabloqueadores, usados para tratar a ansiedade. E me foi recomendado que fizesse terapia cognitivo-comportamental (TCC). Vivi assim por algum tempo, entre seis e oito meses. Não posso dizer com precisão porque esse ano da minha vida é um borrão, registrado pela minha mente de forma acelerado por causa do constante senso de urgência e de destruição iminente que percorreu minhas veias”, conta a jornalista.

Retorno

“Foi assustador. Eu estava apavorada. Eu não me reconhecia, não gostava de mim e não conseguia viver minha vida. Eu não sabia o que fazer, a quem recorrer ou se algum dia tudo aquilo ia acabar. Eu não estava apenas ansiosa, estava letárgica também, me sentia completamente inútil. Eu me culpava”, diz Vicky. “Na época, me convenci de que tinha perdido a cabeça e sentia como se estivesse tendo uma experiência fora do corpo”.

Perguntei a uma médica: ‘Você acha que isso pode ter alguma coisa a ver com a minha nova pílula?’ Lembro-me do olhar no rosto dela, uma tentativa de não deixar transparecer a vontade de me dizer que minha pergunta era ridícula”, conta a jovem. “Ela foi categórica em me dizer que a pílula não era o problema. Mas decidi contrariar minha médica e minha terapeuta e parei de tomar a pílula de progesterona. Só posso descrever o que aconteceu em seguida como o retorno gradual do meu senso de ser eu mesma”.

“Meus problemas não desapareceram da noite para o dia, é claro, mas parei de ter ataques de pânico. Não tive nenhum desde então. Eu me sinto para baixo de vez em quando, ansiosa e estressada, mas nada parecido com o que experimentei enquanto tomava a pílula de progesterona. Senti alegria outra vez e parei de me sentir aterrorizada por absolutamente tudo e todos”, conta Vicky.

“Um ano depois que os ataques de pânico ficaram para trás, me sentei em uma praia distante depois de voar sozinha por meio mundo. Algo impensável no ano anterior. Estava sentada lá, debaixo de uma tempestade tropical, chorando de alívio”, relata a jovem. “Alívio porque eu era eu mesma novamente, alívio porque eu tinha controle de minha própria mente mais uma vez e alívio porque não estava errada. Eu me conhecia melhor do que os médicos”.

“Agora, aos 28 anos, não uso mais contracepção hormonal e, com a exceção de leves alterações de humor nas 48 horas antes da minha menstruação, estou livre da ansiedade, depressão e ataques de pânico”, comemora.

Com informações da BBC, via Sempre Família 

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Saúde
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