Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Sexta-feira 16 Abril |
Santa Maria Bernarda (Bernadete) Soubirous
home iconAtualidade
line break icon

Sobrevivente relembra encontro na Amazônia que quase acabou com sua tribo

BOY IN BOAT

Lute Sem Fronteiras | CC

Agências de Notícias - publicado em 25/10/17

Tzako Waiãpi lembra perfeitamente o dia em que viu, pela primeira vez, homens brancos caçando na Floresta Amazônica: em poucos meses, quase todas as pessoas que ele conhecia morreram de uma doença misteriosa.

Esse encontro no começo dos anos 1970 foi a impressionante colisão entre dois mundos – e também o início de uma tragédia terrível.

De um lado, os membros da tribo Waiãpi. Do outro, os pioneiros da tentativa implacável para minerar, desmatar e, de forma geral, explorar os recursos naturais da Amazônia.

Nenhum deles sabia da existência do outro.

“Os brancos levantaram revólveres, nós tínhamos flechas e também reagimos, todos se enfrentaram”, lembra o cacique idoso da aldeia Manilha, no interior da Amazônia.

O incidente acabou em paz, mas os garimpeiros que adentraram as florestas estavam deixando na tribo Waiãpi uma arma muito mais letal que qualquer revólver.

Doenças como sarampo e gripe já estavam há muito tempo controladas em sociedades urbanizadas. Contudo, ao se espalharem entre povos indígenas sem imunidade para eles, os vírus explodiram como bombas.

“Os Waiãpi não estavam acostumados a essas doenças, e elas mataram as pessoas rapidamente”, disse Tzako Waiãpi, deitado em uma rede numa cabana feita de folhas de palmeiras, cercado de membros da sua família, todos usando a tradicional canga vermelha da tribo.

“Quando pegamos a gripe, nós melhoramos”, lembrou, “então, quando o sarampo começou, achamos que iríamos melhorar de novo. Mas o sarampo é mais forte, e as pessoas morreram em apenas um dia”.

Tzako Waiãpi não sabe sua idade exata, mas estima que tenha por volta de 80 anos. Contudo, sua memória do horror da juventude é dolorosamente vívida.

“Não sobrou ninguém para enterrar os mortos. Animais comiam os corpos porque ninguém tinha parentes vivos para enterrá-los”.

Na tentativa de lembrar quantas pessoas próximas ele perdeu, Tzako começou a nomear, um a um: mulher, sogro, sogra, cunhado, filhos. Então, interrompeu a contagem e acenou com a mão para indicar a realidade: gente demais para contar.

“Eles roubaram os Waiãpi das suas crianças”, afirmou.

– ‘Nunca mais’ –

De acordo com a contagem do censo, a população Waiãpi foi reduzida a apenas 151 pessoas em 1973, ante as cerca de duas mil estimadas.

Membros de tribos dizem que havia outros grupos de Waiãpi, vivendo tradicionalmente entre o Brasil e a Guiana Francesa, que escaparam da praga graças ao isolamento.

Os sobreviventes e um subsequente programa de vacinação do governo ajudaram a tribo a se recuperar para os atuais 1.200 integrantes. Embora haja uma ausência assustadora de idosos nas aldeias Waiãpi, as crianças estão por toda parte.

Agora, não é a doença que atemoriza os Waiãpi, mas a pressão crescente do governo federal e dos lobbies industriais para abrir a floresta à mineração e ao desmatamento.

Uma tentativa frustrada do presidente Michel Temer neste ano de autorizar a exploração mineral na Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), em plena Amazônia, despertou o desespero da população indígena.

“Estamos lutando para que isso nunca mais aconteça. É isso que digo para meus filhos, meus netos, meu povo”, disse o cacique Tzako Waiâpi.

“Estamos prontos para a guerra, agora. Nunca iremos recuar”.

(AFP)

Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
1
KRZYŻYK NA CZOLE
Beatriz Camargo
60 nomes de bebês que carregam mensagens poderosas
2
Pe. Zezinho
Reportagem local
Não desprezem o templo nem posem de católicos avançados, alerta o...
3
MIGRANT
Jesús V. Picón
O menino perdido no deserto nos convida a refletir
4
Frei Jorge e o cãozinho frei Carmelito
Francisco Vêneto
Humanizar os animais não é amá-los, pois desrespeita sua natureza...
5
São José e a Sagrada Família
Reportagem local
Oração a São José para nos guiar “no caminho da vida”
6
Aleteia Brasil
Havia um santo a bordo do Titanic?
7
CHORA KOBIETA
Reportagem local
9 armas espirituais para utilizarmos na pandemia
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia