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“Não sacia a fome quem lambe pão pintado”, texto de Mario Sergio Cortella

Octa Corp - Shutterstock
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Há pessoas que se contentam com as aparências: a ostentação da propriedade, a consumolatria, o desespero para ser proprietário de coisas, de exibi-las, de viver algo que aparenta, mas que, de fato, não se é

“Quando se educa alguém ou se é educado por alguém, é preciso cautela para não nos contentarmos com as aparências, isto é, com a superficialidade. Vivemos hoje num mundo marcado pela velocidade em várias situações e, em outras, por uma mera pressa. Uma vida apressada nos leva em vários momentos a ter formações apressadas, reflexões apressadas, ideias apressadas, e isso carrega um nível de superficialidade muito grande.

Há várias pessoas que se contentam com as aparências. Aparência em relação à própria imagem e aparência com relação àquilo que ostentam – a ostentação da propriedade, a consumolatria, o desespero para ser proprietário de coisas, de exibi-las, de viver algo que aparenta, mas que, de fato, não se é.

O pensador do século V, Agostinho – muitos o chamam de Santo Agostinho, um dos maiores filósofos e teólogos da história -, proferiu a seguinte frase: “Não sacia a fome quem lambe pão pintado”. Para se matar a fome não basta lamber a figura de um pão, é preciso ir até ele.

E quantos hoje não se contentam com um mundo superficial em que se procura saciedade a partir daquilo que é mera imagem, mera representação, apenas uma simulação do que seria a realidade?

A educação tem que nos tirar dessa superficialidade.”

 

(Trecho do livro “Pensar bem nos faz bem“, vol. 1. Via Pazes)

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