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“Deus não habita em templos humanos”: como interpretar isso?

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A Bíblia diz que Deus não habita em templos feitos por homens. Entenda o significado desta frase

São Paulo ensina que “O Deus, que fez o mundo e tudo o que nele há, é o Senhor do céu e da terra, e não habita em templos feitos por mãos humanas” (At 17,24). Diante dessa passagem, muitas pessoas viajam na maionese e concluem que os cristãos não precisam construir nem frequentar templos de igrejas. Errado!

Se bem que em certos templos por aí, Deus não habita mesmo! Especialmente naqueles templos de seitas afundadas em puritanismo, em que os pastores vomitam heresias e fazem de tudo para arrancar dinheiro do povo, com encenações bizonhas e técnicas de hipnose para simular possessões e induzir desmaios.possessao

E TOME SURRA DE TERNO, MIZERÁVI!surra_terno

Mas voltando ao citado trecho da Bíblia… São Paulo estava explicando aos pagãos de Atenas a diferença entre o paganismo e o cristianismo.O primeiro é uma religião inventada pelos homens, construída pela mente humana, com ídolos que nada mais são do que imagens de deuses inexistentes, enquanto o segundo é uma religião revelada pelo próprio Deus vivo.

Com a Ressurreição de Cristo, inaugurou-se a era da adoração “em espírito e verdade”, um culto que não se restringe a rituais e templos (inclui os rituais e templos, mas vai além disso). Cada cristão é chamado a ser morada de Deus, a ser templo do Espírito Santo. Deus quer habitar em nós!

O Senhor do Universo não precisa que homens lhe construam uma habitação. Mas os cristãos precisam de um espaço físico público e comum para se reunirem – e esse local é o templo. E ali Deus também se faz presente, porque seu povo (a Igreja) ali está reunido, e Jesus prometeu que estaria presente onde dois ou três se reunissem em seu nome.

Nos tempos de Paulo, de fato, não havia templos cristãos. Afinal, o cristianismo era perseguido duramente tanto por judeus quanto por pagãos. Por isso, os fiéis se reuniam aos domingos na casa uns dos outros, para fazer a leitura das Escrituras e para comungar o Corpo e o Sangue de Cristo (Atos 20,7). Mais tarde, os cristãos viram a necessidade de construir templos para que pudessem se reunir. Com o crescimento do número de fiéis, ficaria impossível utilizar somente espaços residenciais. Era preciso um templo para acolher a Igreja, ou seja, o povo de Deus.

HAVIA TEMPLOS CRISTÃOS NA IGREJA PRIMITIVA?

Os documentos da Igreja primitiva comprovam que os cristãos frequentavam semanalmente o templo, chamado de “igreja”. No cânon 52 do Concílio de Elvira, realizado entre os anos 303 e 324, está dito:

“Qualquer um que escreve frases escandalosas em uma igreja deve ser condenado”.

Mais interessante ainda é um dos textos de Pedro I de Alexandria, Arcebispo que faleceu em 311 d.C. (ou seja, ainda no tempo da perseguição, antes da proteção concedida por Constantino). Ele conta a história de as relíquias sagradas de certo mártir foram colocadas em uma igreja dedicada à Virgem Maria:

“…e de repente apoderaram-se das relíquias sagradas (…) eles vieram para a igreja da Santíssima mãe de Deus e sempre Virgem Maria, que, como se começou a dizer, ele tinha construído no quartel oeste, em um subúrbio, para um cemitério dos mártires.”

– Atos de Pedro de Alexandria (texto completo em inglês no site New Advent)

Fica evidente, então, que o ensinamento de que “Deus não habita em templos feitos pelos homens” deve ser compreendido dentro dos limites estritos da situação a que Paulo se referia. De modo algum pode ser usado por preguiçosos ou “desigrejados” para justificar a sua decisão de não frequentar templos.

Muitos desses que se dizem desigrejados estão, com bastante razão, desiludidos com as experiências infelizes que tiveram certas comunidades protestantes. A esses, dizemos: se vocês amam as Escrituras, não fechem os olhos para as passagens que indicam a reunião semanal dos cristãos. Está na Bíblia: não existe cristão sem Igreja, pois Cristo mesmo disse que fundaria a Sua Igreja sobre Pedro. Venham se congregar na única Igreja que possui sucessão apostólica, que guarda a integralidade do depósito da fé e dos sacramentos, e cujo chefe possui as chaves do Céu que Cristo entregou a Pedro.

Irmãos, sejam bem-vindos à Igreja Católica!

 

(via O Catequista)

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