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O Papa que era um verdadeiro Leão – e que enfrentou (e venceu) os bárbaros mais ferozes

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O assombroso pontificado do sábio São Leão Magno, entre hereges e invasores aterrorizantes

O Papa Leão I, que passou para a posteridade como São Leão Magno (ou seja, Leão, o Grande), esteve à frente de um dos dez pontificados mais longos de todos os tempos: na Cátedra de Pedro entre os anos 440 e 461, ele foi o Pontífice Romano durante 21 anos, 1 mês e 13 dias.

Antes do papado, Leão tinha sido secretário dos Papas São Celestino e Sisto III. Este último o enviou à França como embaixador para evitar que a disputa entre dois generais descambasse para uma guerra civil. E foi lá mesmo que Leão recebeu a notícia de que tinha sido eleito Papa.

Seu pontificado foi marcado por pregações e cartas consideradas entre as maiores joias da doutrina católica – tanto que São Leão Magno é Doutor da Igreja. Ele teve de lutar sem tréguas pela unidade da Igreja diante de heresias de peso histórico, tais como o nestorianismo (a tese de que em Jesus haveria duas pessoas separadas, uma divina e outra humana), o monofisismo (a ideia de que Cristo é somente divino), o maniqueísmo (que pregava a bondade do espírito e a maldade do corpo) e o pelagianismo (que afirmava que o pecado de Adão não tinha afetado a sua descendência).

Além de grande sábio, São Leão Magno também era um grande protetor dos pobres e dos indefesos, bem como da própria cidade de Roma, na época às voltas com frequentes e violentas incursões bárbaras.

E é justamente nesse contexto de invasões que se insere uma das histórias mais famosas em torno de São Leão Magno, como veremos a seguir.

Frente a frente com Átila, o Flagelo de Deus

A região europeia dos Bálcãs, bem próxima da Itália, estava sendo invadida e saqueada pelos hunos, um povo extremamente violento liderado por Átila. Para se ter uma ideia de quem era Átila, seu apelido era “a Praga de Deus” ou “o Flagelo de Deus“. Uma das suas frases mais célebres é:

“Onde eu passar, a grama não crescerá novamente”.

Eram desse nível os guerreiros que se dirigiram ao norte da Itália para saquear Milão no ano de 452. O imperador Valentiniano III achou por bem fugir para Roma…

Diante das circunstâncias, o povo romano e o próprio imperador pediram que o Papa, São Leão Magno, fosse pessoalmente ao encontro dos bárbaros nas proximidades de Mântua.

E o Papa foi mesmo.

Acompanhado de clérigos e paramentado com as vestes pontifícias, o Santo Padre pediu aos hunos que não invadissem Roma e retornassem aos Alpes. Qual era a chance de que alguém como Átila atendesse a tal pedido de um líder religioso no qual ele nem acreditava?

Pois Átila obedeceu.

De acordo com Próspero da Aquitânia, Átila teve, durante o encontro com o papa Leão, uma visão de ninguém menos que São Pedro e São Paulo brandindo espadas – visão esta que consta no Breviário Romano.

A pintura do grande artista italiano Rafael Sanzio retrata o momento:

Depois desse milagre, São Leão Magno pediu que o povo orasse em agradecimento, mas os romanos logo se entregaram novamente às suas frivolidades e vícios. Não muito tempo depois, outro povo bárbaro, o dos vândalos, chegou a Roma sob o comando de Genserico.

E lá foi São Leão novamente ao encontro deles…

O Papa lhes pediu que não houvesse saques e que a vida do povo fosse respeitada. Os vândalos obedeceram só à metade do pedido: durante quinze dias, saquearam Roma, mas nenhum cidadão foi morto. Depois disto, São Leão reconstruiu a cidade e proferiu tristemente as seguintes palavras sobre a imoralidade do povo:

“Meu coração está cheio de tristeza e invadido por um grande temor, porque há grande perigo quando os homens são ingratos a Deus, quando se esquecem de suas mercês e não se arrependem depois do castigo, nem se alegram com o perdão”.

Afinal, se o povo não colabora, o Papa sozinho não pode resolver tudo.

São Leão fez a sua parte. Além de cuidar dos cidadãos em Roma, ele também enviou missionários para interceder pelos prisioneiros dos vândalos no norte da África, entre outros muitos gestos pastorais.

São Leão Magno morreu em 10 de novembro de 461, deixando como parte do seu imenso legado a rica coleção de cartas, sermões e escritos que ajudou a consagrá-lo, no século XVIII, como Doutor da Igreja. Sua data de partida para a eternidade, conforme o costume, é também a data da sua festa litúrgica.

Uma das suas grandes lições, seguida por Papas como São João Paulo II, Bento XVI e Francisco, é a de ir ao encontro dos inimigos com as armas da palavra e da fé na Cruz de Cristo – o sinal no qual venceremos.

Veja também:

10 ensinamentos de São Leão Magno

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