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A pessoa mais idosa da França é uma religiosa de 113 anos que trabalhou até os 104

LUCILLE RANDON
© Ville de Toulon
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“O bom Senhor me guiou bem”, agradece ela, que só lamenta uma coisa

Desde outubro, a pessoa mais idosa da França (e a 9ª mais idosa do mundo) é uma religiosa das Filhas da Caridade, instituto fundado por São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marillac em 1633.

Nascida como Lucille Randon em 1904, de família protestante não praticante, ela se tornou católica aos 27 anos após um caminho de busca espiritual. Quando entrou na congregação, já aos 40 anos, adotou o nome religioso de irmã André, como gratidão e homenagem ao seu irmão, a quem considerava “um pai e uma mãe”.

Hoje com 113 anos de idade e, se Deus quiser, esperando completar 114 em fevereiro de 2018, ela vive em Toulon, no sul da França, em um lar da congregação que oferece cuidados especiais para as religiosas idosas.

Eventos do século XX que tiveram impacto mundial fazem parte das suas lembranças, que ela compartilha com lucidez. Por exemplo:

  • O fim da Primeira Guerra Mundial! Ela tinha 14 anos e dois de seus irmãos estavam no fronte. Ao jornal La Croix, ela relatou: “Quando o armistício foi assinado, as mães e as irmãs de Alès [sua cidade] se deram os braços e saíram pelas ruas cantando ‘La Marseillaise’ [o hino da França]. O meu coração estava repleto de alegria!
  • O atendimento a doentes durante a Segunda Guerra Mundial, em especial aos idosos e às crianças, quando trabalhava num hospital de Vichy. “Algumas [das crianças] eram órfãs, outras eram deixadas ali pelos pais que não tinham mais como sustentá-las”.

A irmã André trabalhou nesse hospital durante 30 anos. Aliás, entre esse e outros locais, ela trabalhou até nada menos que os 104 anos de idade! E trabalhava desde bem antes de ser religiosa: na juventude, foi professora e governanta em diversas casas de família, incluindo a dos Peugeot, a família fundadora da marca de carros homônima.

Quando os meus irmãos morreram, eu tinha 70 anos e achei que a minha vez chegaria logo, mas não”, conta ela, que só lamenta não poder mais “ler, escrever, desenhar, bordar e tricotar” porque o tempo lhe tirou a visão.

Mesmo assim, ela diz que desfruta do clima agradável do sul da França e conclui, singela:

“O bom Senhor me guiou bem”!

LUCILLE RANDON
Ville de Toulon
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