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A verdadeira intimidade entre duas pessoas

Pixabay.com/Public Domain/ © AdinaVoicu
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A intimidade emocional entre duas pessoas não depende só do tempo de relacionamento

Um relacionamento para ser verdadeiro requer algumas coisas e a maior delas é a liberdade de dizer o que lhe vem à mente, podendo ser algo bobo ou sério, algo engraçado ou extremamente doloroso. É uma liberdade construída baseada na confiança de que o outro não irá julgar o que você disser não importa o que venha a ser dito.

E essa liberdade diz respeito a uma intimidade existente entre duas pessoas que sabem que ali podem tirar as máscaras, armaduras e derrubar os muros, que podem ser vulneráveis, frágeis, confessarem que estão enfraquecidas pelas circunstâncias da vida e que não estão conseguindo lidar com determinados problemas que apareceram.

Pois um sofrendo sozinho sentirá que a onda que vem lhe derrubar é um tsunami, mas dois se ajudando mutualmente podem remar juntos para longe daquele caos.

E algo muito importante a ser percebido nesse tipo de relacionamento é que a intimidade ali presente não é uma questão de quanto tempo as pessoas se conhecem, e por quantos meses ficaram a se falar até que se sentissem totalmente confortáveis uma com a outra para poderem se abrir.

Apesar de que existem, sim, relações que precisam de bastante tempo para construírem algo assim, pois muitas vezes há feridas de antigas decepções que impedem. Porém, a intimidade pode existir em poucas semanas e isso não deve ser visto como algo absurdo, pois se duas almas quando juntas sentem a conexão de anos isso mostra o quanto estavam destinadas a se pertencerem.

É algo quase que instantâneo, pois sentem que ali há algo diferente que não poderiam encontrar em nenhum outro lugar e se sentem em casa, bem vindos, abraços, sobretudo amados e que podem ser quem são, dizerem o que pensam e falarem dos fantasmas emocionais que os atormentam quando vão dormir.

Uma relação que não é baseada na quantidade de dias, mas na qualidade dos dias que passaram juntos e perceberam as coisas em comum que compartilham, dos sonhos impossíveis que alimentam, dos medos que ainda preservam e das vontades de viajar o mundo, ler centenas de livros, chorar assistindo filmes e comer besteiras enquanto falam de assuntos malucos que não fariam sentido para ninguém além deles mesmos.

E esse tipo de coisa acontece quando as pessoas estão abertas para receberem algo novo, quando elas têm um coração propenso a amar de novo apesar dos machucados que receberam de outros relacionamentos, e que são pessoas sentimentais que não sabem esconder muito bem a empolgação e alegria de terem conhecido alguém tão especial. Pessoas que se merecem, pois ambas gostariam mesmo de algo assim mais forte, mais profundo, mais intenso, e que apesar de um pequeno medo de serem novamente decepcionadas, elas se abrem para abraçar aquele que se mostra tão amável, tão seu.

Pois em poucos dias podem se sentir tão à vontade em mostrarem quem são que acabaram se conhecendo intimamente. E logo aprenderam quais as manias, gostos, hábitos do outro e para onde gostam de ir, além do que não suportam, daquilo que lhes faze mal e como veem o mundo, se é uma perspectiva mais positiva ou negativa, realista ou fantasiosa.

E partir disso podem fabricar pequenos tijolos que irão construir a base da relação que é a confiança, e vão levantar paredes que darão sustentação ao teto que os abrigarão em dias bons, ruins, felizes, tristes.

O único apontamento a ser feito é que ambos precisam estar conscientes de que em algum momento erros vão ocorrer, que feridas antigas podem ser reabertas, e que pela imperfeição de suas almas podem machucar um ao outro por mais que se amem, pois como seres humanos limitados e dotados de defeitos irão acabar fazendo algo que logo vão se arrepender.

Porque nem todos os dias estarão com paciência, calma e empatia, pois tem momentos que a pessoa não aguenta a sua própria companhia e acaba sendo quem não gostaria de ser, e pode falar o que nunca diria em outra situação.

Portanto, a intimidade, liberdade, companheirismo e um relacionamento sincero não estão baseados em número de dias, semanas e nem meses, mas dizem respeito à entrega que é dada, ao quanto se tocam emocionalmente, nem precisando ter contato físico, pois até mesmo à distancia é possível construir uma relação verdadeira com alguém.

E que se as pessoas envolvidas buscam o bem-estar uma da outra, não estiverem usando farsas e nem mentiras, mas sendo quem são, dispostas a perdoar 70 x 7, como disse Jesus Cristo, a dar quintas e sextas chances se preciso for, não julgarem, mas buscarem entender as motivações que levaram a determinadas atitudes, porém dando conselhos e direcionamentos para que o outro ande pelo melhor caminho, a intimidade emocional estará estabelecida e algo forte, duradouro e profundo vai florescer.

Pois se tem uma coisa que é certa é que fomos criados por Deus para o amor e esse amor diz respeito a relacionamento: com o Criador e, logo depois, com as pessoas que nos cercam.

 

(via Ela já foi verão)

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