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ICAN recebe Nobel da Paz no contexto da crise norte-coreana

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Tim Brown | CC

Agências de Notícias - publicado em 10/12/17

Os ativistas da ICAN alertaram neste domingo (10) que a destruição da humanidade pode depender simplesmente de que alguém “perca a paciência”, ao receberem o Nobel da Paz de 2017, antes da entrega dos outros prêmios em Estocolmo.

“Será o fim das armas nucleares, ou será nosso próprio fim?”, questionou a diretora da Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN, na sigla em inglês), Beatrice Fihn, durante a cerimônia de entrega do Nobel em Oslo.

Reunindo quase 500 ONGs em mais de 100 países, a ICAN alerta há vários anos para o perigo das armas nucleares. A campanha recebeu o prêmio na presença de vários sobreviventes dos bombardeios americanos de Hiroshima e Nagasaki, que deixaram 220.000 mortos há 72 anos.

A entrega do Nobel acontece este ano em um contexto de tensão na península coreana, o que alimenta os temores de uma guerra.

Nos últimos meses, Pyongyang multiplicou os testes nucleares e lançamentos de mísseis. Kim Jong-un e Donald Trump trocaram ofensas e ameaças. O presidente americano ordenou manobras militares na região.

“A maneira racional de proceder é deixar de viver em condições nas quais nossa destruição dependa apenas do fato de alguém perder a paciência”, disse Fihn, pedindo ao mundo que abandone as armas nucleares.

– Um mundo que não é seguro –

A ICAN conquistou uma grande vitória em julho, quando a ONU aprovou um novo tratado que proíbe as armas nucleares.

Aprovado por 122 países, apesar da oposição das nove potências nucleares, o documento pode levar anos para entrar em vigor, pois precisa ser ratificado por pelo menos 50 signatários.

Até o momento, apenas três países – Santa Sé, Guiana e Tailândia – ratificaram o tratado.

“A principal mensagem da ICAN é que o mundo nunca será seguro enquanto tivermos armas nucleares”, disse a presidente do comitê Nobel, Berit Reiss-Andersen, em seu discurso de entrega do prêmio.

“A ameaça de uma guerra nuclear é agora a maior em muito tempo, sobretudo, devido à situação na Coreia do Norte”, completou.

Em sinal de aparente desconfiança, as potências nucleares ocidentais (Estados Unidos, França, Reino Unido) não enviaram – ao contrário do que é habitual – seus embaixadores à cerimônia do Nobel, e sim diplomatas de segundo escalão.

Para essas potências nucleares, a arma atômica é um instrumento de dissuasão que permite evitar conflitos e não pode ser deixada de lado.

“As armas nucleares são tão perigosas que a única medida responsável é trabalhar para o seu desmantelamento e destruição”, insistiu Reiss-Andersen.

– ‘Inferno na Terra’ –

Entre os participantes da cerimônia que sobreviveram aos bombardeios nucleares estava Setsuko Thurlow, que recebeu o Nobel em nome da ICAN junto com Fihn.

Diante do rei da Noruega e da primeira-ministra Erna Solberg, essa mulher de 85 anos contou o horror que viveu.

Satsuko Thurlow tinha 13 anos quando a bomba A explodiu em Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945: ela assistiu à morte onipresente e viu sobreviventes formando uma “procissão de fantasmas”.

Foi o “inferno na Terra”, contou anteriormente em uma entrevista à AFP.

Atualmente, Satsuko Thurlow mora no Canadá.

Apesar da redução do número de ogivas nucleares no planeta desde o fim da Guerra Fria, hoje existem 15.000 armas desse tipo e cada vez mais países possuem o armamento.

“Nove nações ainda ameaçam incinerar cidades inteiras, destruir a vida na Terra, tornar nosso belo mundo inabitável para as futuras gerações”, lamentou Thurlow.

“As armas nucleares não são um mal necessário, são o mal absoluto”, concluiu.

Os demais prêmios Nobel (Literatura, Física, Química, Medicina e Economia) foram entregues neste domingo à tarde em Estocolmo.

Os 11 premiados receberam das mãos do rei Carl XVI Gustaf da Suécia uma medalha de ouro, um diploma e um cheque de nove milhões de coroas suecas (1,06 milhão de dólares).

(AFP)

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